Os trilhos que cortam o interior de Minas Gerais ganharam reforço nesta segunda-feira (9). O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, acompanhou, em Sete Lagoas (MG), a entrega de oito novas locomotivas que passam a operar na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), amplia a capacidade de transporte de cargas e reforça a modernização do setor ferroviário.
Os equipamentos fazem parte do plano de investimentos da concessionária VLI voltado ao fortalecimento da logística ferroviária nacional.
“Com investimento de R$ 200 milhões, os equipamentos são de alta potência e contam com tecnologia que permite mapear a geometria da via e tornar a operação mais eficiente, além de oferecer melhores condições de trabalho, com mais conforto e segurança.”, afirmou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
Com 7.856,8 quilômetros de extensão, a FCA atravessa os estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe, além do Distrito Federal. A ferrovia é corredor logístico essencial para o escoamento de cargas essenciais à economia brasileira, como soja, milho, farelo de soja, açúcar, fertilizantes e derivados de petróleo.
As novas locomotivas, produzidas no Brasil pela empresa Progress Rail, serão utilizadas no transporte de cargas gerais, incluindo produtos siderúrgicos e minerais.
“Nos últimos três anos, a VLI adquiriu 27 locomotivas em Minas Gerais, com investimentos de cerca de R$ 600 milhões. Esse movimento faz parte de um esforço contínuo, em conjunto com o Ministério dos Transportes, a ANTT e demais órgãos, para viabilizar a renovação da concessão e estruturar o maior projeto de investimento ferroviário do país. Quando esse processo for concluído, o volume de recursos será o maior já visto em concessões ferroviárias”, destacou o CEO da VLI, Fábio Marchiori.
Expansão da malha ferroviária
O Governo do Brasil tem avançado na ampliação da participação do modal ferroviário na matriz de transportes brasileira. Em novembro de 2025, o Ministério dos Transportes lançou a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, que estabelece diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade para o setor, além de um novo modelo de financiamento que combina recursos públicos e privados.
A política permitiu a estruturação da maior carteira ferroviária da história recente do país, com previsão de oito leilões de concessão que abrangem mais de 9 mil quilômetros de ferrovias. A expectativa é atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos, com potencial de até R$ 600 bilhões ao longo da vigência dos contratos.
“O governo do presidente Lula, sob a liderança do ministro Renan Filho, tem atuado para trazer investimentos históricos em infraestrutura. Estamos batendo recordes de aportes no modal ferroviário e nunca se investiu tanto em infraestrutura no país. Essa política é econômica e estratégica: gera emprego, renda, inovação, produtividade e competitividade. O futuro do país passa pelos trilhos”, ressaltou Leonardo Ribeiro.
Entre os projetos previstos estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e os corredores da Malha Sul.
Além disso, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) ultrapassou 35% de execução em 2025, consolidando-se como eixo estratégico para o escoamento da produção agrícola. A ferrovia conectará Goiás a Mato Grosso e será integrada à Ferrovia Norte-Sul (FNS).
No Centro-Oeste, avançam ainda as ações para a operação plena da FNS e da FCA, além de estudos para novas ligações ferroviárias estaduais em Goiás, com trechos entre Mineiros, Jataí, Rio Verde, Barra do Garças e Acreúna.
“Há muito tempo o Brasil não tinha um norte tão claro para o desenvolvimento ferroviário, com projetos maduros, novos leilões e expectativa muito positiva para os próximos anos. Esse movimento representa mais capacidade, mais eficiência logística, redução de emissões e a transferência de cargas das rodovias para os trilhos, beneficiando diretamente a economia nacional”, afirmou o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto.
Renovação da FCA
Alinhado à estratégia de fortalecimento do transporte ferroviário, o Ministério dos Transportes atua no aprimoramento dos processos de renovação antecipada das concessões ferroviárias.
A Portaria nº 532/2024 diretrizes para conferir maior previsibilidade e foco em investimentos estruturantes nos contratos de concessão, incluindo o da Ferrovia Centro-Atlântica.
O processo de renovação da FCA prevê investimentos de R$ 13,82 bilhões em Capex, além de impactos econômicos expressivos, como a geração estimada de mais de 200 mil empregos diretos, indiretos e por efeito de renda.
“Políticas públicas bem delimitadas e direcionadas estão possibilitando a retomada dos investimentos no setor ferroviário, inclusive em processos complexos como a renovação antecipada da FCA, que atravessa oito estados e mais de 250 municípios. É um movimento que se traduz na geração de emprego, renda e desenvolvimento, com impacto direto em Minas Gerais”, destacou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio.
A atuação conjunta do Ministério e da ANTT tem assegurado o avanço do processo, atualmente em fase final de análise, com foco na modernização da infraestrutura e na ampliação da capacidade de transporte.
A expectativa é que o novo contrato, com vigência de 30 anos, entre em vigor antes do encerramento do contrato atual, previsto para agosto de 2026, assegurando a continuidade das operações e o fortalecimento de um corredor logístico estratégico para o país.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes


