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sexta-feira, 9 de outubro, 2026

Flávio Bolsonaro alinha discurso de combate ao crime com Douglas Ruas em evento no Rio

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, participou de um evento de campanha na sexta-feira (9), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ao lado do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), que concorre ao governo do estado, Bolsonaro declarou que ambos estão em sintonia para intensificar o combate ao crime organizado no país, mencionando especificamente o Comando Vermelho, o PCC e as milícias.

Em conversa com jornalistas durante o evento, realizado em um espaço de shows na zona nobre carioca, o senador criticou o que chamou de “narcoterroristas” e suas ramificações pelo Brasil. A declaração surge em um contexto de debates sobre segurança pública e a atuação de grupos criminosos em diferentes regiões.

O histórico de Flávio Bolsonaro com figuras ligadas a investigações de milícias foi trazido à tona. Em 2003, ele propôs uma moção de louvor ao miliciano Adriano da Nóbrega, que também foi homenageado com a Medalha Tiradentes em 2005 por iniciativa do senador. Além disso, a mãe e a esposa de Adriano chegaram a trabalhar em seu gabinete. Uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil, destinada a um projeto esportivo, também foi associada a um pedido de Robson Calixto, o “Peixe”, miliciano condenado e envolvido na morte da vereadora Marielle Franco.

Douglas Ruas, por sua vez, é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). O pai de Ruas foi mencionado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj em 2008, como um dos líderes de atividades de milícia na região, o que ele nega. A associação de ambos os candidatos a figuras controversas levanta questionamentos sobre suas plataformas de segurança.

Durante o evento, Flávio Bolsonaro também abordou outras pautas de sua campanha. Ele negou veementemente os boatos sobre a privatização da Petrobras, classificando-os como “mentiras”. O candidato agradeceu o apoio de Augusto Cury, que concorreu à presidência e foi derrotado, e mencionou estar em diálogo com outros partidos para formar alianças. Bolsonaro reiterou seu compromisso com a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família, e se disse vítima de campanhas de desinformação.

Apesar das garantias de Bolsonaro, a campanha enfrenta questionamentos sobre a política de programas sociais. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, enviado pelo governo anterior, previa uma redução de 59% nos recursos da Farmácia Popular. Além disso, reportagens indicaram que a equipe econômica de Bolsonaro estudava medidas de economia que poderiam afetar correções em aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e nos pisos de saúde e educação, embora a campanha negue que tais propostas sejam posições oficiais do candidato.