Estado soma 57 registros de ferrugem-asiática na safra 2025/2026, segundo dados da Embrapa.
A safra de soja 2025/2026 registra aumento nos casos de ferrugem-asiática em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já foram confirmadas 57 ocorrências da doença no estado desde o início da safra, em setembro de 2025.
As ocorrências mais recentes foram registradas na sexta-feira (16), em Rio Brilhante, Campo Grande e Dourados. O número é superior ao da safra 2024/2025, quando foram contabilizados 12 casos no estado, representando um aumento de 375% de uma safra para outra.
Casos por município
- Naviraí – 13 ocorrências
- Sete Quedas – 8 ocorrências
- Aral Moreira – 4 ocorrências
- Dourados – 3 ocorrências
- Laguna Carapã – 3 ocorrências
- Maracaju – 3 ocorrências
- Ponta Porã – 3 ocorrências
- Amambaí – 2 ocorrências
- Antônio João – 2 ocorrências
- Bonito – 2 ocorrências
- Caarapó – 2 ocorrências
- Coronel Sapucaia – 2 ocorrências
- Itaquirai – 2 ocorrências
- Ivinhema – 2 ocorrências
- Guia Lopes da Laguna – 1 ocorrência
- Itaporã – 1 ocorrência
- Juti – 1 ocorrência
- Sidrolândia – 1 ocorrência
- Rio Brilhante – 1 ocorrência
- Campo Grande – 1 ocorrência
O que é a ferrugem-asiática
Segundo o assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja), Flavio Aguena, a ferrugem-asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e é considerada a principal doença da soja.
“Isso acontece porque o fungo tem uma alta capacidade de disseminação e também impacta significativamente na produtividade da cultura”, explica.
A doença atinge as folhas da planta e pode causar desfolha precoce. Com isso, há redução da fotossíntese, o que interfere no rendimento da lavoura.
Prevenção e manejo da doença
De acordo com Flavio Aguena, a principal forma de controle é a prevenção. Entre as medidas adotadas está o vazio sanitário da soja, além do monitoramento constante das áreas. Ele destaca a importância de eliminar a chamada soja tiguera, que nasce de forma espontânea a partir de grãos que ficaram no solo após a colheita da safra anterior.
Outra alternativa é o plantio antecipado, com o uso de variedades de ciclo mais curto. Segundo ele, essas ações ajudam a reduzir os impactos da ferrugem-asiática ao longo da safra.
Uso de fungicidas
A pesquisadora da Embrapa, Claudia Godoy, afirma que o uso de fungicidas é a principal estratégia de controle da doença.
“A ferrugem tem controle com fungicida e há cultivares com genes de resistência que também ajudam no manejo. Nessa fase onde as lavouras estão implantas, a única estratégia de controle são os fungicidas.”
Ela explica que a ocorrência da ferrugem é comum em todas as safras, com início geralmente entre o fim de novembro e o começo de dezembro, e aumento dos casos em janeiro. “Como tem muita soja fechada, em fase de formação de grãos, o microclima para infecção nas folhas baixeias favorece a ocorrência da doença. A maior frequência de chuvas nessa época também favorece a doença”, afirma.
Segundo a pesquisadora, o número elevado de registros não indica perda de controle da doença. “O fungo da ferrugem se dissemina pelo vento e os relatos auxiliam o produtor a direcionar o controle para a ferrugem. Mas é uma doença que tem controle e as lavouras recebem aplicações de fungicidas para outras doenças então normalmente estão protegidas para a ferrugem também”.
Fonte> G1 MS

