Desde julho, cerca de 20 famílias se reúnem para cultivar uma horta comunitária, aprender novas receitas e compartilhar alimentos.
Sete caixas de verduras já foram colhidas por moradores do bairro Pioneiros, em Campo Grande, que participam do projeto Territórios Solidários, desenvolvido pelo Sesc MS. Desde julho, cerca de 20 famílias se reúnem para cultivar uma horta comunitária, aprender novas receitas e compartilhar alimentos. A iniciativa, realizada na Comunidade Negra São João Batista, também fortalece os vínculos entre os moradores e incentiva a produção de alimentos em casa.
A horta começou a dar os primeiros resultados. Alface e almeirão estão entre as hortaliças cultivadas, além de salsinha, cebolinha e outras ervas. Os participantes também preparam novos canteiros para o plantio de legumes, como berinjela. O trabalho envolve todas as etapas, desde a preparação do solo até a irrigação e a colheita.
A analista de desenvolvimento social Tatiane Correia Rodrigues explica que o projeto tem como foco a segurança alimentar e a autonomia da comunidade. A proposta é ensinar os moradores a organizar e manter a horta para que o cultivo continue mesmo depois do encerramento das atividades acompanhadas pelo Sesc.
“A gente ensina a comunidade a montar a horta, a organizar, plantar e cuidar, para que, quando o projeto termine, as pessoas continuem mantendo esse espaço e o vínculo entre elas”, explica Tatiane. Segundo ela, a experiência já ultrapassou os limites da horta comunitária, com participantes levando mudas para cultivar em casa e compartilhando sementes, plantas e conhecimentos.
Moradora do bairro há cerca de 20 anos, a auxiliar de serviços gerais Rosicléia da Silva Pereira encontrou no projeto uma oportunidade de fortalecer a convivência com os vizinhos e transmitir à filha o que aprendeu com a própria família.
“Esse contato com a terra vem desde a época da minha avó. Eu a via fazendo a hortinha dela, hoje vejo meu pai plantando e agora estou mostrando para minha filha”, conta. Para Rosicléia, os encontros também aproximam os moradores. “A gente se une todo sábado, troca ideias e faz esse trabalho para trazer benefícios para a nossa comunidade.”
O engenheiro agrônomo Gilson Silveira Arevalo acompanha o cultivo e orienta os participantes sobre adubação, irrigação e manejo das plantas. Ele destaca que o aprendizado é construído a partir da troca entre os conhecimentos técnicos e a experiência dos próprios moradores.
“Aqui a gente junta o conhecimento técnico com o conhecimento empírico. A dona Lourdes, por exemplo, tem vivências de fazenda e traz práticas que aprendeu no dia a dia. A gente soma esses conhecimentos”, explica. Segundo Gilson, um dos principais desafios é organizar a divisão das tarefas para garantir os cuidados necessários em todas as etapas do cultivo.
Além da produção de alimentos, o Territórios Solidários oferece rodas de conversa e oficinas de culinária. As atividades ensinam receitas acessíveis, com aproveitamento integral dos ingredientes, e apresentam alternativas que podem ser utilizadas tanto na alimentação das famílias quanto na geração de renda.
Em uma das oficinas, a analista em nutrição do Sesc Mesa Brasil, Cristina Lubas, ensinou o preparo de uma panqueca doce de abobrinha verde. A receita utiliza um ingrediente geralmente associado a pratos salgados e pode ser adaptada para o formato de bolo.
“Durante o curso, a gente faz receitas focando no aproveitamento integral dos alimentos e também no que elas plantam na horta. São preparações gostosas, sustentáveis, acessíveis e de baixo custo, que também podem ser feitas para vender”, explica Cristina. As participantes recebem as receitas para reproduzi-las em casa.
Integrante da Comunidade Negra São João Batista há mais de 30 anos, Maria de Lourdes Gouveia Costa comemora os resultados do projeto. “Foi uma das coisas mais maravilhosas que fizemos, porque tanto a gente come quanto pode doar para outras pessoas”, afirma.
A iniciativa também conta com a distribuição mensal de cestas básicas às famílias participantes. Segundo a gerente de Unidade Executiva do Sesc Mais, Adriane Zadi, os alimentos são adquiridos pelo próprio Sesc para complementar a alimentação dos moradores enquanto eles desenvolvem as atividades da horta.
“Como a gente fala de segurança alimentar, também estamos falando da complementação alimentar dessas pessoas. Por isso, ao final de cada mês, elas recebem uma cesta básica”, explica Adriane.
O Sistema Comércio MS é composto por Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, IPF e sindicatos empresariais. A entidade é presidida por Juliano Wertheimer e administrada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
Fonte: Stephanie Romero

