O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participa do maior projeto da astronomia mundial na atualidade. Por meio do consórcio internacional Mosaic, pesquisadores brasileiros trabalham no desenvolvimento de um espectrógrafo multi-objetos que fará parte do Extremely Large Telescope (ELT), em construção no deserto do Atacama, no Chile.
De responsabilidade do Observatório Europeu do Sul (ESO, em inglês), o ELT deve ser concluído na próxima década e será o maior telescópio óptico do mundo. O observatório vai ter o maior espelho já construído para a astronomia óptica e infravermelha, com 39 metros. Um dos instrumentos pensados para ampliar o alcance das pesquisas sobre evolução das galáxias e formação de elementos químicos é o Mosaic.
O Brasil integra o grupo responsável pela construção do núcleo central do espectrógrafo, o Instrument Core Subsystem (Icos), que integra todos os outros subsistemas. O LNA e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) são cossignatários do consórcio composto por 14 países. O pesquisador do LNA Bruno Castilho é responsável pela engenharia de sistemas do Mosaic.
“O LNA lidera a equipe de projeto e desenvolvimento do Icos e espera-se que o instrumento seja integrado e testado no laboratório de integração e testes da nova infraestrutura de laboratórios do LNA em construção no Parque Científico e Tecnológico de Itajubá [MG]”, explica. Ele acrescenta que a participação no projeto garantirá o acesso de pesquisadores nacionais ao ELT.
Como funciona
Os espectrógrafos são equipamentos que decompõem a luz em diferentes cumprimentos de onda. Os dados permitem identificar elementos químicos, medir movimentos e entender a formação de estruturas cósmicas. O Mosaic permitirá observar mais de 200 alvos ao mesmo tempo e será usado para estudar a formação de galáxias, elementos químicos e a distribuição da matéria desde os primeiros bilhões de anos do Universo até os dias de hoje.
A equipe brasileira conta com 20 astrofísicos, que serão os principais usuários do instrumento, e dez engenheiros e tecnologistas. O projeto é liderado pela professora da USP Beatriz Barbuy, e o time deve aumentar ao longo do tempo. Os investimentos nessa etapa do projeto vêm da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). Bruno Castilho considera que a participação do Brasil no projeto comprova a capacidade científica do País.
“A participação tecnológica do Brasil numa parte crucial do instrumento demonstra a competência adquirida pelo País nesta área estratégica nas últimas duas décadas. Além do instrumento em si, que gerará dados astronômicos sem igual, a nossa participação propiciará a capacitação de engenheiros e estudantes em diversas áreas tecnológicas. Além disso, há a participação da indústria brasileira neste projeto ímpar, abrindo novos mercados internacionais”, pontua.
O pesquisador complementa que os trabalhos da equipe brasileira devem terminar em 2032. Em seguida, todas as partes fabricadas no Brasil serão montadas na França. A previsão é que o instrumento esteja operando no telescópio em 2038. A equipe brasileira tem o compromisso de seguir no projeto até que tudo esteja montado no ELT.

- Projeção da estrutura do Icos/Mosaic
LNA
O Laboratório Nacional de Astrofísica tem sede em Itajubá (MG) e foi o primeiro laboratório nacional do país, criado em 1985, com a missão de realizar observações astronômicas e no desenvolvimento de instrumentação. Hoje, o LNA opera o Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, e gerencia a participação brasileira no Observatório Gemini (Havaí/EUA e Chile) e no Telescópio Soar (Chile), dos quais o Brasil é coproprietário.
A instituição é líder nacional e referência internacional no desenvolvimento de instrumentação científica para astronomia, exportando alta tecnologia. Conheça mais sobre o laboratório no site e nas redes sociais.

