Aline Bittencourt é mulher de Diego Zacarias, chefe do tráfico na região de Paranhos.
A Justiça Federal aceitou denúncia do MPF (Ministério Público Federal) e transformou em ré por lavagem ou ocultação de bens Aline Veron Bittencourt, mulher de um dos principais chefes do tráfico de drogas na fronteira seca entre Ypejhú no Paraguai e Paranhos (MS), a 469 km de Campo Grande.
Mesmo sendo simples vendedora em pequena loja do lado brasileiro da fronteira e com rendimento mensal de um salário mínimo, de 2014 e agosto de 2015, Aline movimentou pelo menos R$ 1,1 milhão na conta que mantinha na agência do Banco do Brasil em Paranhos.
Conforme a denúncia, os valores entraram na conta bancária por meio de depósitos fracionados, vindos de várias regiões do País. “Trata-se de modus operandi característico de delitos de lavagem de capitais, compostos por operações que, por sua habitualidade, valor e forma, configuram artifício para burlar a identificação da origem, destino, responsáveis e beneficiários destas”, afirma o processo.
A polícia também descobriu que os depositantes e beneficiários do dinheiro que saiu da conta eram indivíduos ligados a infrações penais.
Um deles foi Marcos Andrei Peres, conhecido na região da fronteira de Paranhos por ligação com o tráfico de drogas e sócio de Mohamed Youssef, traficante de Minas Gerais morto em Paranhos em 2015 (leia neste texto abaixo). A PF descobriu que Marcos recebeu R$ 54 mil de Aline Bittencourt.
Com diversas passagens por tráfico, Robson Rodrigues Gonçalves depositou R$ 40 mil na conta-corrente da mulher de Diego Alderete. Dono de longa ficha criminal por furto qualificado tentado e associação criminosa em Minas Gerais, Junio Guedes Ferreira depositou R$ 80 mil na mesma conta.
No despacho em que aceitou a denúncia, a juíza federal Júlia Cavalcante Silva Barbosa, da 3ª Vara Federal em Campo Grande, cita que Aline é esposa do traficante e que em 2018 ela teve a vida poupada enquanto bandidos bombardeavam a casa da família, “em retaliação que tinha como alvo Diego Peralta”.
“A relação matrimonial existente entre Aline Bittencourt e Diego Peralta demonstra que as movimentações financeiras atípicas realizadas na conta bancária da investigada se referem à ocultação de recursos advindos do tráfico internacional de entorpecentes”, afirma a juíza.
Fonte: Campo Grande News.

