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quinta-feira, 11 de junho, 2026

Justiça inclui novos crimes em denúncia contra músico que matou jornalista

Caio Pereira se tornou réu por feminicídio em março deste ano, mas por falta de provas, não foi condenado por cárcere privado e violência psicológica.

A Justiça ampliou a denúncia contra o músico Caio César Nascimento Pereira, acusado de matar a jornalista Vanessa Ricarte, em Campo Grande. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (6) no Diário da Justiça, tornando oficiais os novos crimes incluídos no processo após a análise de relatórios complementares da Polícia Civil.

O aditamento, protocolado em 23 de setembro, incorpora novas acusações que reforçam a gravidade do caso. Caio já havia sido denunciado por feminicídio qualificado por motivo fútil, além de cárcere privado e violência psicológica.

A promotora Lívia Carla Guadanhim Bariani, da 19ª Promotoria de Justiça, descreveu a conduta do réu como “repugnante e torpe” e pediu indenização mínima de R$ 10 mil à família da vítima.

Em 19 de março, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida aceitou a denúncia, tornando Caio réu. Na ocasião, ele manteve o feminicídio, mas afastou as acusações de cárcere privado e violência psicológica por falta de provas – agora reincluídas após novas análises.

O ciclo de violência

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) revelaram que Vanessa viveu semanas de terror entre 23 de janeiro e 12 de fevereiro, sob constante vigilância e ameaças do noivo. O relatório mostra que Caio mantinha um controle total da vida da vítima, acessando suas contas e rastreando sua localização via iPhone, Apple Watch e iCloud.

O comportamento abusivo seguia o chamado “ciclo da violência”, alternando fases de tensão, agressão e pedidos de perdão.

Mensagens obtidas no WhatsApp mostram o músico oscilando entre elogios e cobranças obsessivas, exigindo que Vanessa voltasse para casa e explicasse cada passo.

No dia 12 de fevereiro, a jornalista – que trabalhava como assessora de imprensa do Ministério Público do Trabalho – voltou à casa do agressor para buscar pertences e foi morta com várias facadas no peito. Ela havia sido orientada a procurar ajuda policial, mas não teve a escolta que esperava.

O caso segue em andamento e, com a nova decisão judicial, as acusações de violência psicológica e cárcere privado passam oficialmente a integrar o processo.

Fonte: Correio do Estado