20/04/2015 06h10
Rui Falcão acusa força-tarefa de “engajamento partidário” e de premiar com “privilégios penais e até financeiros” quem presta depoimentos que possam incriminar o PT e o governo
Conjuntura Online
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou carta em que acusa a força-tarefa da Operação Lava Jato de “engajamento partidário” e de praticar “violência jurídica” para incriminar petistas e o governo Dilma. Falcão diz que a Lava Jato “premia” com “privilégios penais e até financeiros” quem presta depoimentos que possam incriminar o PT e o governo. “Bandidos reincidentes são transformados em heróis, fazendo acusações sem provas, bastando que apontem para o PT e o governo”, afirma.
Na carta, dirigida aos militantes, o presidente do PT considera que o “ódio dos conservadores” ao partido não é causado por seus erros políticos. “Mas por causa dos nossos extraordinários acertos sociais, que contrariaram interesses poderosos e desafiaram preconceitos seculares.”
Segundo Falcão, nenhum partido sofreu campanha de desmoralização no Brasil como o PT. “Quando descobriam que nosso partido é sério, mas não é domesticável, colocaram o PT, e só o PT, no banco dos réus. Mesmo que para isso tenha sido necessário torturar os fatos, violar a jurisprudência e afrontar a consciência jurídica do país, como ocorreu em vários momentos da Ação Penal 470”, afirmou, referindo-se ao mensalão.
“Engajamento partidário”
“Foi nesse ambiente de arbitrariedade que o PT e o nosso governo tornaram-se alvos políticos da chamada Operação Lava Jato. Conduzida por agentes do Estado que sequer disfarçam seu engajamento partidário, essa operação avançou pela trilha de violência jurídica aberta no julgamento da AP 470”, atacou.
Para o presidente do PT, o Brasil assiste ao nascimento de um “estado de exceção” por causa das “violações” contra o partido no julgamento do mensalão e no processo da Lava Jato. O mesmo tratamento não é dispensado aos partidos de oposição, como o PSDB e o DEM, reclama. Como exemplo, ele diz que faltou investigar as conexões políticas entre os desvios na Petrobras e políticos oposicionistas.
“A transformação de um processo em espetáculo de mídia, o constrangimento que se tenta impor ao direito de defesa, a abolição do princípio da presunção de inocência e as arbitrariedades cometidas constituem uma ameaça não ao PT, mas à consciência jurídica da Nação. Estamos assistindo ao nascimento de um estado de exceção dentro do estado de direito, e contra isso o PT lutará, ao lado das forças democráticas da sociedade”, declarou.
Igual aos outros
Na carta, Rui Falcão destaca a trajetória do partido, sua ligação histórica com os movimentos sociais e as transformações sociais alcançadas pelo país nos últimos 12 anos, nos governos Lula e Dilma. Mas reconhece que o partido, antes visto como “diferente” pela maior parte da sociedade, passou a ser visto por muitos como uma “legenda igual às outras”.
Segundo ele, o partido precisa fazer autocrítica: “A verdade, no entanto, é que, não tendo conseguido mudar o sistema político, acabamos por nos adaptar a ele, passando a reproduzir os comportamentos dos partidos tradicionais que tanto criticamos”. Faltou ao PT liderar e fazer a “reforma da política”, admitiu.
O presidente do PT também voltou a criticar setores da imprensa. Jornalista com passagem por grandes redações, inclusive em cargos de chefia, Rui Falcão afirmou que as classes dominantes “transformam o boato em notícia, a suspeita em denúncia, a calúnia em verdade” para atingir o partido e governo Dilma.
“Hierarquizam calculadamente o noticiário, destacando e apresentando de forma escandalosa os desvios imputados a pessoas do nosso partido, não importando que sejam reais ou inventados. Omitem ou escondem, seletivamente, as denúncias contra os partidos que os servem, por mais graves que sejam. Tentam cobrir o PT com a lama de sua hipocrisia.”
O texto, divulgado no sábado (18), pela Agência PT, foi escrito por Falcão após a reunião da Executiva Nacional que decidiu pela indicação do ex-deputado Márcio Macedo (PT-SE) como novo secretário de Finanças do partido, em lugar de João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato. No encontro, o PT encaminhou a discussão de não receber mais doações de empresas privadas.


