18/09/2017 06h
Líder da tropa de choque de Temer, Marun diz que saída de senadores da CPI da JBS foi “fruto de medo”
Há 95 requerimentos protocolados na CPMI, alguns deles de convocação de Rodrigo Janot, e dos executivos da JBS.
Congresso em Foco
Escolhido na última semana como o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, o líder da da chamada “tropa de choque de Temer”, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), caracterizou a saída do senador Otto Alencar (PSDB-BA) da CPI, durante confusão na última semana, como “saída pirotécnica e fruto de medo”. Durante a sessão da última semana, Alencar saiu da CPI batendo a porta por não concordar com a indicação de Marun para a relatoria da CPI da JBS. “Esses que estão saindo… o que eu vejo? Estão saindo por medo”, disse o relator em entrevista ao jornal O Globo publicada neste domingo (17).
Questionado sobre o motivo do possível “medo” citado pelo deputado, ele justificou: “Nós vamos investigar quem sempre nos investigou. Vamos interrogar quem sempre nos interrogou. Esse é um paradigma que será quebrado. Medo desse embate que nós vamos ter. De dali a pouco ter que se posicionar em relação a um procurador. E também, em alguns, pode acontecer a vontade de que a JBS não seja investigada”.
O parlamentar afirmou ainda que não renunciará. “Não renuncio de jeito nenhum. Esta CPI é uma CPI para corajosos. Eu tenho meus defeitos, mas não sou uma pessoa desleal”, disse aos repórteres Maria Lima e Eduardo Bresciani. Ele também negou que um dos alvos da investigação seja o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deixa o cargo amanhã (segunda-feira, 18).
Janot apresentou a segunda denúncia contra Temer na última quinta-feira (14). Dessa vez, o procurador denunciou o presidente por organização criminosa e obstrução à Justiça. Além disso, apontou o presidente como líder do “quadrilhão do PMDB”. A primeira denúncia contra o peemedebista foi apresentada em junho e tinha como acusação o crime de corrupção passiva.
Para Marun, Janot é um “vilão do crescimento do Brasil”. “Não é que ele seja um bandido, mas um vilão do crescimento do Brasil, acho que ele é. O doutor Janot é hoje a pessoa que mais atrapalha o Brasil. Vilão do PMDB, não. O PMDB tem gente que tem contas a acertar. Que acertem”, ressaltou. O parlamentar também foi fiel escudeiro do ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso no âmbito da Operação Lava Jato em Curitiba.
Os trabalhos no colegiado tiveram início, efetivamente, na última terça-feira (12), com a escolha do relator. Além da indicação de Marun, causou revolta em Otto o fato de o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), ter ido ao Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência da República, para uma reunião com Temer no fim de semana. O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) também comunicou sua renúncia ao posto no colegiado.
Há 95 requerimentos protocolados na CPMI, alguns deles de convocação de Rodrigo Janot, e dos executivos da JBS. No círculo do poder em Brasília, comenta-se que Ataídes foi escalado na base governista para atacar Janot. Instalada na semana passada, a CPMI foi criada com o apoio do Palácio do Planalto como contraofensiva às gravações de Joesley Batista.


