MDS e UnB inauguram Cuidoteca para garantir direito ao cuidado

 Yara Lima tem 26 anos, uma filha de 1 ano e 9 meses e uma graduação em administração para terminar na Universidade de Brasília (UnB). Por anos, ela e outras mães do Coletivo de Mães da UnB sonharam com um espaço que tornasse possível conciliar a maternidade com a vida acadêmica. Nesta segunda-feira (23.02), esse sonho ganhou forma com o lançamento da Cuidoteca da Universidade de Brasília (UnB), pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, no campus Darcy Ribeiro, em Brasília. É a primeira universidade do Centro-Oeste a sediar uma iniciativa do tipo.

“O lançamento da Cuidoteca é um marco para a gente do coletivo de mães, porque é algo que a gente já vem sonhando há alguns anos. É um projeto que finalmente pode sair do papel com o apoio do Governo Federal”, disse Yara, que integra o coletivo dedicado a construir políticas públicas dentro da universidade em favor da permanência das mães no ambiente acadêmico.

A Cuidoteca integra o Plano Nacional de Cuidados — Brasil Que Cuida e é resultado de parceria entre a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF/MDS) e a UnB. O espaço funcionará no campus Darcy Ribeiro (próximo a Faculdade de Direito, ao lado das ASFUB) no período noturno, das 18h30 às 22h45, podendo acolher até 40 crianças entre 3 e 9 anos, com suporte especializado e acompanhamento de agentes de cuidado.

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Para Bianca Cristina Barros, mãe de Arthur e Gabriel, de 4 e 2 anos, rede de apoio é fundamental

Para Bianca Cristina Barros, 35 anos, mãe de Arthur e Gabriel, de 4 e 2 anos, e pesquisadora de pós-graduação em estudos latino-americanos, o novo espaço representa muito mais do que uma solução prática. “Eu sou filha de uma empregada doméstica. Adentrar a universidade sempre foi um desafio para as mulheres da minha família. Sou a primeira mulher da minha família no espaço universitário. E a rede de apoio é extremamente importante”, contou.

Bianca descreveu a rotina de malabarismos que precisava fazer para conseguir estudar. “Às vezes, eu tinha que fazer todo um jogo de cintura para criar redes de apoio, pois tenho os pais idosos. Não existe hoje acesso à creche, a não ser um serviço pago que a gente desembolsa”, relatou.

Para ela, a Cuidoteca representa a possibilidade de seguir a carreira científica sem abrir mão do cuidado dos filhos e sem precisar, nas suas palavras, “passar por uma humilhação de pedir ajuda”.

Política de Estado

O ministro Wellington Dias destacou que a iniciativa nasce como política de Estado, não de governo, ancorada em lei e no decreto presidencial que instituiu o Plano Nacional de Cuidados. “Quis o presidente Lula os cuidados como direito. É uma política nova e a ideia de começar pela academia é porque, sendo uma experiência nova, aqui já tem a ciência e a gente tem facilidade de acompanhar resultados”, afirmou. 

Para Wellington Dias, o impacto vai além do cuidado infantil. “Quando apoiamos quem cuida, aumentamos a permanência estudantil. Criamos a oportunidade de inserção no mercado de trabalho, fortalecemos a autonomia econômica das mulheres e reduzimos as desigualdades de gênero”, disse.

A reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, também falou com emoção sobre o significado do lançamento. Ela própria foi mãe durante a graduação e o doutorado e conhece de perto os desafios de conciliar filhos e vida acadêmica.

“O cuidado é um direito das crianças, assim como brincar e se alimentar adequadamente. A universidade pública precisa e tem feito esse papel de enxergar as dificuldades que especialmente as mulheres têm”, afirmou. A reitora anunciou ainda que, além das 40 vagas previstas, será aberto um cadastro reserva de mais 20 candidatos, considerando as interseccionalidades do público atendido.

A secretária Nacional de Cuidados e Família do MDS, Laís Abramo, destaca que o Plano Nacional de Cuidados é uma política que visa o cuidado da vida cotidiana. “A gente está aqui olhando para as crianças que precisam desse cuidado, que precisam estar no ambiente seguro e das suas cuidadoras e cuidadores, que têm que ter o direito de exercer esse cuidado e concluir suas trajetórias educacionais”, explicou. 

Yara Lima encerrou sua fala com um recado direto. “Apoiem as mães, as que engravidaram na adolescência, as que engravidaram durante a graduação, as que já ingressaram na universidade com filhos. Nós somos uma parte muito importante da construção do nosso pacto social. Respeitem as mães, reconheçam o nosso trabalho e nos apoiem”, disse a jovem graduanda.

Assessoria de Comunicação – MDS

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome