Militar que receberá polilaminina ficou tetraplégico aos 19 anos, após tiro

Foto: Arquivo/Kísie Ainoã

O paciente é um militar de 19 anos que foi atingido por um tiro no pescoço há cerca de dois meses

Foi adiada a primeira cirurgia que pode ser realizada em Mato Grosso do Sul com uso de polilaminina, medicamento em fase de estudos que é promissor para devolver movimentos a pacientes com lesão na medula. A expectativa é que a operação ocorra ainda nesta semana.

O paciente é um militar de 19 anos que foi atingido por um tiro no pescoço há cerca de dois meses. A bala causou lesão na medula espinhal antes de atravessar completamente a região cervical, e o deixou tetraplégico.

Como a polilaminina ainda não tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o jovem precisou recorrer à Justiça para receber o tratamento de forma experimental. Ele conseguiu decisão liminar favorável, por isso, o procedimento havia sido agendado para esta quarta-feira (14) no Hospital Militar de Área de Campo Grande.

À frente do caso, o advogado Gabriel Traven Nascimento explicou que é preciso aguardar o fim do prazo de 72 horas previsto no processo para Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se manifestar em 72 horas. Se isso não ocorrer, o próprio juiz poderá autorizar a operação.

“O reagendamento decorre exclusivamente da necessidade de uma autorização regulatória formal, exigida quando se trata de uso compassivo de medicamento ainda não registrado, e não de qualquer falha médica, logística ou judicial”, explica o advogado.

Ele já considera a decisão um avanço. “O Poder Judiciário reconheceu expressamente a gravidade do quadro clínico, a urgência do tratamento e a existência de uma janela terapêutica crítica, concedendo tutela para impor à Anvisa um prazo excepcionalmente reduzido para manifestação, algo incomum e que demonstra a sensibilidade do magistrado ao risco concreto de perda definitiva do direito à saúde”, acrescenta.

Gratuito – O medicamento será fornecido gratuitamente pelo laboratório Cristália, que atua em parceria com pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que desenvolveram a droga.

De acordo com levantamento do escritório de advocacia que representa o paciente junto à indústria, menos de dez cirurgias foram feitas no Brasil por ordem judicial até o momento, nenhuma em Mato Grosso do Sul. Duas entre elas foram realizadas no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

A maior preocupação é o tempo da intervenção, já que o medicamento é indicado para ser injetado na medula de pacientes lesionados há até 72 horas. O laboratório defende que ele também pode ser eficaz em lesões menos recentes.

Fonte:Campograndenews