Ministra Márcia Lopes recebe manifesto de movimentos sociais com propostas para fortalecer políticas para as mulheres

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, recebeu nesta quinta-feira (5), em reunião no Ministério das Mulheres, o documento “Manifesto pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”, elaborado pela Articulação Nacional de 8 de março e apoiado por mais de 300 organizações de movimentos sociais em defesa dos direitos das mulheres. O encontro reuniu representantes de diversos movimentos feministas e organizações da sociedade civil. Após ouvir as entidades, a ministra informou que levará o documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No documento entregue à ministra, as organizações afirmam que o movimento reúne mulheres militantes feministas, trans, travestis e de movimentos sociais articulados para enfrentar a misoginia, o racismo e o patriarcado. 

“O manifesto tem como objetivo entregar propostas para a conquista de mais direitos e mais democracia para as mulheres”, afirma o documento, elaborado com base nas decisões da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada entre 29 de setembro e 3 de outubro de 2025, na capital federal. 

Propostas 

Entre as reivindicações apresentadas estão a garantia de recursos orçamentários para as políticas públicas voltadas aos direitos das mulheres, condições dignas de vida para as mulheres, igualdade de gênero, ampliação das políticas de cuidado e fortalecimento dos direitos trabalhistas.

O documento também propõe mais recursos para o Plano Nacional de Cuidados, com foco na universalização de direitos como acesso à creche e valorização das trabalhadoras domésticas e cuidadoras. 

As organizações também defendem campanhas educativas para o combate ao racismo estrutural e à letalidade policial que atinge principalmente mulheres negras.  

Escuta ativa 

A ministra Márcia Lopes ressaltou ainda a importância de o Governo ouvir os movimentos sociais. “Essa escuta é muito importante, e temos feito isso em vários estados, dialogando com a população nos territórios. Vocês são motivo de muita esperança para o aprofundamento dos temas que cabem a cada grupo aqui representado, a cada movimento, a cada organização”, afirmou. 

Mudança de paradigma  

A vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Ìyá Sandrali, destacou a importância do diálogo entre governo e movimentos sociais. “Esse momento aqui representa uma mudança de paradigma na dinâmica da construção das políticas públicas”, sublinhou.

Representando a Marcha Mundial das Mulheres e a Articulação Nacional 8 de Março, Maria Fernanda Marcelino agradeceu o espaço de escuta, lembrando que no contexto político anterior “isso não foi possível”.

O Manifesto está organizado em diferentes eixos, entre eles justiça econômica, social e racial, com destaque para o fim da escala 6×1; saúde mental das mulheres; autodeterminação e justiça reprodutiva; justiça climática e defesa dos territórios; denúncia do racismo estrutural; defesa da democracia e resistência à extrema direita; além da promoção do internacionalismo, da solidariedade e da soberania.

Participaram da reunião representantes dos movimentos: Articulação de Mulheres Brasileiras, Marcha Mundial de Mulheres, Movimento Negro Unificado, União Brasileira de Mulheres, Movimento de Mulheres Camponesas, Mulheres do MST, Mulheres do MTST, Coalizão Negra por Direitos, Plataforma Operária de Água e Energia, Secretaria Nacional de Mulheres da CUT, Secretaria Nacional de Mulheres do PT, entre outras entidades.

Pelo Ministério das Mulheres, também participaram a secretária-executiva da pasta, Eutália Barbosa, e a secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política, Sandra Kennedy, a assessora especial de Participação Social e Diversidade, Kênia Figueiredo. Também participaram o secretário-executivo da Secretária-Geral da Presidência da República, Josué Rocha, e a secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da pasta, Kelli Mafort.

 

Fonte: Ministério das Mulheres