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sexta-feira, 6 de novembro, 2026

MIS recebe grande exposição sobre a música de MS

Com 14 murais históricos, 160 registros fonográficos, instrumentos originais, acervos raros e programação gratuita, “MS – Música e Memória” reúne diferentes gerações e dimensões da produção musical sul-mato-grossense a partir de 10 de novembro

A guitarra de Zé Pretim, os violões de Geraldo Roca e Renato Fernandes, fotografias originais da Comitiva Esperança, discos raros, cartazes do rock underground, programas históricos de televisão e centenas de personagens que ajudaram a construir a música de Mato Grosso do Sul. Tudo isso estará reunido em “MS – Música e Memória”, exposição do projeto Rota Cine MS, realizada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) em parceria com o Instituto Curumins. A abertura será em 10 de novembro, às 19h, no Museu da Imagem e do Som, em Campo Grande. A exposição permanecerá aberta ao público até 29 de janeiro no MIS-MS. Com entrada gratuita, ocupa seis espaços do museu e propõe uma viagem pela memória musical da região, das tradições ancestrais à produção contemporânea. 

O coração da exposição são 14 murais que percorrem das tradições indígenas à produção contemporânea, reunindo 443 notas históricas e 160 registros fonográficos. A pesquisa revela uma história anterior à criação de Mato Grosso do Sul, em 1977, construída por músicos do interior e da capital, entre a polca, a guarânia, o chamamé, o sertanejo, o samba, o rock, o blues, o rap e inúmeras outras expressões.

“Esta exposição é um convite para reconhecer aqueles que ajudaram a construir nosso patrimônio musical. Mais do que reunir instrumentos, discos, fotografias e registros sonoros, esta mostra celebra artistas, compositores, intérpretes e mestres da cultura que transformaram suas vivências em expressões da nossa identidade coletiva. Para a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, preservar essas memórias é também investir no futuro. Por meio do Projeto Rota Cine MS, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, reafirmamos nosso compromisso com a valorização deste patrimônio”, afirma Eduardo Mendes, diretor-presidente da FCMS.

A exposição também traz o trabalho de produtores, pesquisadores, radialistas, colecionadores e realizadores audiovisuais. É nesse encontro entre diferentes elos da cadeia musical que está sua contribuição: reunir documentos e experiências até então dispersos, estabelecer conexões e abrir caminhos para novas pesquisas. Entre os destaques estão o acervo fonográfico de Carlos Luz, os flyers preservados por Enrique DxDxOx, as pastas documentais de Ângela Finger e fotografias de Raimundo Alves Filho (RAF) do projeto “Comitiva Pantaneira”.  Um corredor homenageia mulheres da música de MS com um mural assinado por Leonardo Mareco. Tablets recuperam programas e projetos históricos, além de outros registros audiovisuais.

Há ainda videoclipes, livros sobre a música regional e uma viagem pelas tecnologias de escuta, do gramofone ao streaming. “O Instituto Curumins, como parceiro privado, orgulha-se de contribuir para que o Museu da Imagem e do Som se consolide como espaço de preservação, formação e difusão. Que esta imersão sonora inspire a todos a reconhecer, na música, a mais afetiva das memórias — aquela que nos faz pertencer”, frisa Anamaria Santana, presidente do Instituto Curumins.

Terceira exposição do projeto Rota Cine MS, depois das mostras dedicadas à fotografia e ao cinema, “MS – Música e Memória” tem curadoria de Rodrigo Teixeira. Uma grande parte do material exposto vem do acervo reunido pelo jornalista e escritor durante anos de pesquisa sobre a música sul-mato-grossense. O recorte da exposição ressalta a diversidade da produção regional sem perder de vista suas lacunas: há histórias esquecidas, arquivos por organizar e protagonistas ainda pouco conhecidos.

“É a primeira vez que a música de MS ganha uma exposição tão abrangente. O público vai ter a oportunidade de rever a história musical do nosso território antes e depois da criação do Estado em 1977 e conhecer personagens fundamentais do passado e do presente. É um vasto material histórico exposto, além da programação, que terá mesas de debates, exibição de filmes que tratam de vários assuntos da música de MS e shows com artistas que ajudam a construir o múltiplo panorama musical sul-mato-grossense”, ressalta o jornalista Rodrigo Teixeira, curador da exposição.  

Programação: encontros, cinema e música ao vivo

Além do percurso expositivo, “MS – Música e Memória” terá seis semanas de programação gratuita, entre 10 de novembro e 18 de dezembro, reunindo artistas, pesquisadores, produtores culturais e público. As atividades se dividem em três eixos: mesas de conversa, sessões de curtas-metragens seguidas de bate-papo e apresentações musicais. Em geral, os encontros acontecem às quartas-feiras, às 9h; os filmes, às quintas, às 14h; e os shows, às sextas, às 19h. Na segunda semana, as atividades serão antecipadas em razão do feriado de 20 de novembro.

Nas mesas de conversa, a proposta é revelar quem produz, divulga, estuda e preserva a música de Mato Grosso do Sul. Celito Espíndola e Miska Thomé discutem o papel da televisão pública na difusão dos artistas regionais. Thailla Torres, Claudinei Peccois e Márcio Veiga abordam os desafios da preservação dos acervos físicos e digitais. Evandro Higa, Gabriel de Andrade e Carlos Colman debatem o ensino da música sul-mato-grossense. Marcelo Fernandes recupera a trajetória do violonista Levino Albano, enquanto Eduardo Martinelli e Lilian Veron apresentam descobertas sobre a produção musical da artista Lídia Baís. Encerrando o ciclo, Thiago Dragão, Igor Maranhão e Caio Green discutem produção independente, empreendedorismo e os desafios atuais da cena musical.

Nas sessões de cinema, 12 curtas e documentários apresentam personagens, repertórios e movimentos culturais de diferentes épocas. A particularidade da mostra está nos encontros após as exibições: Carlos Iraci conversa sobre a história do Hino de MS; Marcelo Loureiro, sobre a viola; Marlei Sigrist, sobre Mestre Sebastião; e Crystian Proença, sobre o sanshin, instrumento tradicional de Okinawa. Jerry Espíndola participa da sessão de “Água dos Matos”; Adilson Big Fernandes, de “Barulho do Mato”; Lauren Cury, de “Geração 10”; e Manuzera, de “Cena Alternativa MS Geração 20”. Também participam dos bate-papos Evânio Vargas Guarany, Sandro Moreno, Renata Fernandes e Rangel Castilho, ampliando o diálogo entre as imagens, seus personagens e o público.

A diversidade da exposição ganha o palco nas apresentações musicais na varanda do MIS. Gilson e Celito Espíndola, Simona, Miska Thomé, Amaral Júnior e Lenilde Ramos, Maria Alice, Bibi do Cavaco e Rockers Sound System percorrem diferentes vertentes da produção regional, da música sul-americana ao samba e ao dub. Os shows completam a proposta de aproximar gerações, celebrar trajetórias e mostrar que a memória musical de Mato Grosso do Sul continua sendo construída. 

A exposição “MS – Música e Memória” integra as ações do Rota Cine MS, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual sul-mato-grossense, com foco em formação, circulação, preservação da memória e valorização da produção regional. A execução do projeto ocorre por meio de parceria entre o Governo do Estado, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e o Instituto Curumins, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura, Governo Federal.

Confira a programação: https://docs.google.com/document/d/1TR5cRISAMlJcVRNXcUD0q4otfLGkCKpWfEiubnKBivQ/edit?usp=sharing