O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou, nesta terça-feira (16/6), a quarta reunião técnica do ano com especialistas para atualizar as previsões climáticas para os próximos meses e o risco de incêndios florestais nos biomas brasileiros. O encontro, que avaliou os dados acumulados até maio, faz parte de um ciclo de monitoramento iniciado em janeiro para antecipar cenários climáticos sob influência do El Niño.
As informações subsidiam a atuação do MMA no planejamento e implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, que podem ser intensificados pelo fenômeno climático, em articulação com estados, municípios e sociedade civil. As atividades serão intensificadas no segundo semestre, quando há previsão de impactos climáticos decorrentes do El Niño, fenômeno que altera os padrões de chuva e temperatura.
A reunião contou com a presença da secretária-executiva do MMA, Anna Flávia Senna, que ressaltou o esforço do Governo do Brasil em integrar as diversas instituições que atuam na prevenção e combate dos incêndios florestais.
“Embora o fenômeno El Niño se apresente como um desafio significativo para todas as instituições, estamos mais preparados devido ao trabalho de estruturação realizado nos últimos anos. Temos a convicção de que o enfrentamento das condições climáticas atuais exigirá uma articulação federativa robusta. Nesse sentido, estamos desenvolvendo instrumentos que permitam fortalecer as instâncias intra-federativas“, ressaltou.
Também presente no encontro, o secretário-executivo adjunto do ministério, Guilherme Checco, destacou importante ação do Governo do Brasil: a liberação, nesta semana, de crédito extraordinário de R$ 337,5 milhões para fiscalização ambiental, prevenção e combate aos incêndios. “Será essencial assegurar uma capacidade operacional eficiente, acompanhando de perto a execução desses recursos, o que inclui a contratação de equipamentos e o reforço das equipes de brigadistas”, apontou.
O valor será executado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reforçando a capacidade operacional dos órgãos ambientais para enfrentar o avanço dos incêndios florestais e intensificar as ações de fiscalização em todo o país.
Além disso, o Governo do Brasil publicou decreto, na última semana, regulamentando novo mecanismo de atuação do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), que prevê repasses mais ágeis para estados e municípios combaterem incêndios florestais.
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, foi responsável por conduzir o encontro. “O propósito desta reunião é obter maior precisão nas previsões climáticas, agora que nos aproximamos do final de junho, período que marca a superação da chamada “barreira da primavera” – fator técnico que historicamente limita a assertividade das previsões para o El Niño durante o primeiro semestre”, detalhou.
Previsões
As previsões climáticas e os indicadores de perigo de fogo foram apresentados por representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).
A principal atualização em relação aos encontros anteriores foi a consolidação do El Niño. Na última semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos e as agências meteorológicas do Japão e da Austrália confirmaram o início do fenômeno, com o índice da porção central do Pacífico atingindo 0,9°C de aquecimento. Com a aproximação do fim de junho, e a consequente superação da “barreira da primavera”, as projeções ganham maior confiabilidade e indicam tendência de intensificação ao longo do segundo semestre.
Os especialistas ponderaram, contudo, que cada El Niño possui características próprias e que comparações diretas com episódios anteriores podem levar a interpretações equivocadas. O evento atual apresenta configuração distinta da observada em 2023-2024 — período em que o fenômeno, ainda que de intensidade moderada, teve impacto expressivo sobre os incêndios e enchentes no país, visto que coincidiu com um aquecimento anômalo do Atlântico Norte.
Entre os pontos de atenção para os próximos meses, os pesquisadores destacaram a possibilidade de atraso no início da estação chuvosa nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. Esse atraso prolongaria a estação seca e poderia favorecer a propagação de incêndios, sobretudo entre setembro e novembro.
Diante desse panorama, os participantes reforçaram a manutenção das reuniões técnicas em periodicidade mensal, de modo a refinar continuamente as projeções e subsidiar o planejamento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais no segundo semestre.
O MMA realiza, desde janeiro, reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, que possam impactar sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais. Dessa forma, é possível antecipar cenários e realizar ações de preparação para a temporada. Em 2025, o ministério também conduziu os encontros.
Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais
Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho de 2024, criou uma nova governança do fogo à altura dos desafios impostos pela mudança do clima.
A PNMIF estabelece a coordenação entre os governos federal, estaduais e municipais, proprietários rurais, academia e sociedade civil para prevenção e controle dos incêndios no país.
Como resultado, houve queda de 39% na área queimada no território nacional em 2025 na comparação à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024), segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No Pantanal, a queda foi de 91%; na Amazônia, de 75%; na Mata Atlântica, de 58%; e no Pampa, de 45%.
Outras ações também integram as estratégias do Governo do Brasil para prevenir e combater os incêndios florestais:
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Contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4.410 profissionais – 2600 do Ibama e 1.810 do ICMBio.
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A infraestrutura para 2026 incluiu dezenove helicópteros, 18 aviões para lançamento de água, um avião para transporte de brigadistas, vinte e sete veículos especiais de combate e duas vilas operacionais.
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Desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais.
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Desde 2025 o Fundo Amazônia apoia ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. São R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal.
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Apoio a 30 municípios prioritários na Amazônia e Pantanal para implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais sendo disponibilizados R$ 30 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD).Anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
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Retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio de 2026). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
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Veiculação de campanha de comunicação para prevenção e combate aos incêndios florestais a partir de junho de 2026;
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Publicação de portaria pelo MMA (nº1.623/2026) que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais.
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Decreto que regulamenta o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), definindo regras para repasses mais ágeis a estados e municípios no combate a incêndios florestais.
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Aprovação da resolução que institui a Estratégia Nacional do Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo. A medida amplia a participação da sociedade na prevenção e combate a incêndios florestais e estabelece diretrizes para brigadas voluntárias.
Acesse aqui as apresentações completas:
Inmet
Cemaden
Inpe
Lasa/UFRJ
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