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quinta-feira, 3 de setembro, 2026

MS reduz repetência pela metade, amplia rede hospitalar e entrega mais de mil km de novo asfalto

Riedel reconhece gargalos em saúde e rodovias, destaca 500 mil qualificações de trabalhadores e diz que prioridade agora é ampliar renda e oportunidades

Reduzir a repetência nas escolas pela metade, levar a telemedicina a mais de 60 municípios, ampliar a rede de hospitais regionais e acrescentar mais de mil quilômetros de asfalto à malha rodoviária estão entre os resultados apontados pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, ao fazer um balanço das prioridades adotadas em Mato Grosso do Sul.

Ao mesmo tempo em que destaca avanços, Riedel reconhece problemas ainda presentes no cotidiano da população, principalmente nas áreas de saúde e infraestrutura. O governador sustenta que limitações orçamentárias e dificuldades estruturais exigem definição de prioridades e planejamento para que políticas públicas possam produzir resultados duradouros.

Na economia, Riedel afirma que Mato Grosso do Sul cresceu quatro vezes mais que o Brasil e atingiu recordes na geração de empregos. Depois da expansão das vagas, segundo ele, o desafio passa a ser melhorar a renda de quem trabalha.

O Estado contabiliza 500 mil qualificações de trabalhadores. A intenção anunciada pelo governador é ampliar essas oportunidades nos próximos anos, ao mesmo tempo em que mantém políticas destinadas às famílias em situação de vulnerabilidade.

“Agora o foco é fazer o salário crescer”, afirma Riedel. Ele também diz que milhares de famílias deixaram a extrema pobreza, mas reconhece que o trabalho precisa continuar “enquanto houver alguém passando necessidade”.

Repetência cai pela metade e abandono chega a taxas mínimas

Na educação, parte das dificuldades enfrentadas nos últimos anos é fruto da defasagem de aprendizagem acumulada durante a pandemia.

Riedel afirma que Mato Grosso do Sul decidiu não adotar a aprovação automática dos estudantes como resposta às dificuldades daquele período. Segundo o governador, a opção acabou tendo reflexos sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que ficou abaixo da média nacional, mas evitou que estudantes avançassem de série independentemente do aprendizado.

A estratégia posterior foi concentrar esforços na recuperação da aprendizagem.

Mais de R$ 1 bilhão foram investidos nas escolas estaduais, segundo os números apresentados por Riedel. O governo também aponta investimentos em tecnologia dentro das salas de aula e políticas de valorização dos professores.

O resultado mais concreto apresentado é a redução da repetência pela metade, acompanhada por índices mínimos de abandono escolar.

Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, a combinação entre aprovação, reprovação e abandono mostra uma mudança nos indicadores da rede.

“Quando a gente atinge melhores dados de aprovação, reprovação e abandono da história do Mato Grosso do Sul é a prova do investimento em acreditar na educação”, afirma.

A professora Dalva Magalhães, que já trabalhou fora de Mato Grosso do Sul, relaciona as mudanças também às condições oferecidas aos profissionais.

“Eu sinto valorização. Eu falo por uma pessoa que já foi professora em outro estado e uma professora aqui no Mato Grosso do Sul. O Estado está preocupado tanto com o financeiro quanto com a saúde emocional de seus funcionários”, diz.

Regionalização tenta aproximar atendimento de saúde dos pacientes

Na saúde, Riedel reconhece que a insatisfação da população permanece como um dos principais desafios da administração estadual.

“É um monte de reclamação e com toda a razão”, afirma.

Para o governador, parte das dificuldades não decorre apenas da falta de recursos, mas do próprio modelo de atendimento. A resposta adotada pelo Estado tem sido ampliar a regionalização da saúde, buscando levar serviços para mais perto de onde os pacientes vivem.

Mato Grosso do Sul passou de um para quatro hospitais regionais, localizados em Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã e Campo Grande. Uma nova unidade está prevista para Corumbá, com o Hospital Regional do Pantanal.

Outra frente de investimentos alcança os hospitais de média complexidade nos diferentes polos de saúde. “O objetivo é fortalecer a capacidade regional de atendimento e reduzir a dependência de deslocamentos para os maiores centros”, explica o governador.

A telemedicina também passou a integrar essa estratégia e já chegou a mais de 60 municípios. Paralelamente, o Estado investe na ampliação da cobertura e na qualidade da atenção básica.

Em Corumbá, a secretária municipal de Saúde, Tatiana Mattos, destaca que a ampliação da oferta hospitalar é uma reivindicação antiga.

“A gente tem há muito tempo a necessidade de ampliação de leitos e o governo Riedel tem nos apoiado nessa expectativa e é uma nova realidade para o município”, afirma.

Riedel, porém, reconhece que a estrutura existente ainda está distante do atendimento considerado ideal. “Eu sei, falta muito”, diz.

Rodovias sentem impacto do crescimento econômico

A infraestrutura é outra área em que expansão econômica e novos investimentos acabam criando também novas necessidades.

Com maior circulação de caminhões e crescimento da produção, aumenta a pressão sobre a malha rodoviária. Riedel admite que ainda há estradas em condições ruins e que a manutenção nem sempre consegue acompanhar a demanda.

Apesar das limitações, mais de mil quilômetros de asfalto novo foram entregues nos últimos anos. O governador afirma ainda que, pela primeira vez, Mato Grosso do Sul deverá passar a ter mais estradas pavimentadas do que vias de terra.

Entre as iniciativas em andamento está a ampliação das parcerias público-privadas. Um dos principais projetos é a Rota da Celulose, que prevê recuperar e modernizar mais de 870 quilômetros de rodovias.

Para o empresário Rogriso Possari, de Campo Grande, investimentos fora das propriedades são fundamentais para que o crescimento da produção consiga se traduzir em competitividade.

“Da porteira para dentro o agricultor coordena muito bem. O problema é da porteira para fora”, resume.

Ele destaca, além das estradas, projetos ferroviários, portos e a Rota Bioceânica, corredor que busca ampliar a ligação de Mato Grosso do Sul com mercados do Pacífico.

Ao defender a continuidade das políticas em um eventual segundo mandato, Riedel procura associar novas metas à capacidade financeira e aos prazos necessários para executá-las. Para ele, problemas estruturais não podem ser solucionados apenas por decisões administrativas imediatas.

“Não existe mágica. Não dá para resolver tudo da noite para o dia, na canetada. Tem que entender quanto custa, de onde vem o dinheiro e dizer qual é o prazo para entregar”, afirma.

Fonte: Assessoria