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quinta-feira, 3 de setembro, 2026

O STF de Brasília e o Judiciário do Brasil, por André Borges

O Supremo Tribunal Federal atravessa mais um momento de desgaste institucional. Recentes informações, divulgadas em investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, levantam questões que precisam ser apuradas com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal.

Em um Estado de Direito, suspeitas não equivalem a culpa. Os fatos devem ser examinados pelas instâncias competentes, sem prejulgamentos e com observância das garantias constitucionais.

Mas há um ponto importante que vem sendo ignorado: o STF não se confunde com o Poder Judiciário brasileiro.

O Judiciário é formado por milhares de magistrados e servidores que atuam nos ramos estadual, federal, trabalhista, eleitoral e militar. São eles que julgam milhões de processos todos os anos, garantindo a aplicação da lei e a solução de conflitos em todo o país.

A realidade desses profissionais está muito distante das disputas políticas de Brasília. A maior parte dos juízes trabalha de forma discreta, realizando audiências, analisando provas e proferindo decisões fundamentadas, quase sempre longe da atenção da imprensa.

Ao longo da advocacia, tive contato com magistrados de diferentes regiões e instâncias. A experiência mostra que a imensa maioria exerce suas funções com seriedade, dedicação e compromisso com a Constituição. Suas decisões podem ser questionadas e reformadas, como é natural em qualquer sistema judicial, mas isso não reduz a relevância de seu trabalho.

Também é raro encontrar, na magistratura de primeiro grau e nos tribunais, o protagonismo político que frequentemente marca o debate em torno do Supremo. Em regra, a atuação judicial permanece vinculada aos limites da lei, dos precedentes e da própria Constituição.

Por isso, é necessário evitar generalizações. Eventuais suspeitas envolvendo integrantes da mais alta Corte devem ser investigadas com independência e transparência. Contudo, não é justo estender essa crise a todo o Poder Judiciário.

O Brasil precisa de uma Justiça independente, técnica e comprometida com a segurança jurídica. E essa continua sendo, felizmente, a realidade predominante nas comarcas e tribunais espalhados pelo país.

O desgaste do STF é preocupante e exige esclarecimentos. Mas não devemos perder de vista uma verdade simples: a Justiça brasileira é muito maior do que seus onze ministros. A credibilidade de todo o Judiciário não pode ser medida apenas pelas controvérsias que atingem uma pequena parte de sua estrutura.