Nuvem rara reaparece no céu de São Gabriel do Oeste

Reprodução, Leitor Midiamax

O fenômeno pode ocorrer mais vezes nestes primeiros meses de 2026, já que as atuais condições meteorológicas favorecem sua formação.

Pelo segundo dia consecutivo, o município de São Gabriel do Oeste registrou a formação de uma nuvem funil no céu, surpreendendo os moradores mais atentos. O fenômeno também foi registrado em Bandeirantes, durante a tarde de quarta-feira (18). Segundo Vinícius Sperling, meteorologista do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), embora raro, o fenômeno pode ocorrer mais vezes nestes primeiros meses de 2026, já que as atuais condições meteorológicas favorecem sua formação.

O especialista explica que, para o fenômeno acontecer, é preciso haver instabilidade atmosférica. Esta condição, por sua vez, resulta de alguns fatores, como: o calor intenso – como o registrado nos últimos dias -, um cavado, fluxo de umidade ou uma frente fria. Em Mato Grosso do Sul, principalmente na região centro-norte, há muita instabilidade, o que explica as aparições ‘frequentes’ do fenômeno.

“Essa instabilidade, junto ao calorão dos últimos dias, pode estar contribuindo para essa instabilidade termodinâmica, que é um fator fundamental. O tornado, essa nuvem funil, essa nuvem mais intensa, precisa ter instabilidade termodinâmica e cisalhamento do vento – que é uma grande variação do vento, quando ele muda de direção muito rápido – para crescer”, explica.

Com tantos fatores atmosféricos influenciando as condições meteorológicas sobre Mato Grosso do Sul nos últimos dias, é possível que a nuvem funil seja avistada novamente nas próximas semanas.

“Pode ocorrer mais algumas vezes, principalmente nesses próximos dias agora, porque a gente teve o enfraquecimento do anticiclone em médios níveis, responsável por aquele tempo mais firme, aquele calor insuportável de sábado, domingo, segunda e terça, aquele calorão do Carnaval com algumas pancadinhas [de chuva] bem isoladas. Então, sim, pode ocorrer novamente, como ocorreu ontem e hoje”, frisa.

Quantos registros foram feitos em 2026?

O meteorologista explica que, apesar da formação de nuvens bastante intensas, não houve registro das nuvens supercélulas, responsáveis pela origem de tornados. A diferença entre estes dois fenômenos é que a nuvem funil é formada por ventos rotativos que não tocam o solo (como o tornado) e se originam de uma nuvem intensa, a cumulonimbus.

No entanto, não é possível contabilizar quantas nuvens funis foram registradas em Mato Grosso do Sul durante 2026, pois não há registros oficiais que possibilitem a contagem. Segundo Vinícius, o Brasil não possui registros oficiais de tempo severo.

“Nosso estado é grande e de baixa densidade populacional. Na maioria das vezes, [as nuvens] sequer são filmadas ou catalogadas. E, como disse, podem ocorrer em regiões não habitadas. O que podemos ver, com base nas notícias e não em evidência científica de catalogação, é um grande número de tempestades severas nessa temporada, tanto no sul do Brasil quanto no sudeste e centro-oeste”, explica.

Fonte: Midiamax