Parceria Brasil-Alemanha fortalece protagonismo das mulheres na Amazônia para uma transformação ecológica e socialmente justa

O Ministério das Mulheres e a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) realizaram, na terça e quarta-feira (10 e 11/2), a reunião de planejamento anual do projeto “Mulheres como Agentes-Chave para uma Transformação Ecológica e Socialmente Justa na Amazônia”, desenvolvido no âmbito da cooperação Brasil–Alemanha. O encontro definiu prioridades estratégicas e metas para 2026, com foco na consolidação das ações nos territórios e no fortalecimento da governança do projeto.

A iniciativa tem como objetivo garantir às mulheres catadoras de materiais recicláveis e quilombolas maior participação política nas agendas climática e ambiental, além de oferecer oportunidades de autonomia econômica e promover ações estruturadas para prevenir e combater a violência de gênero na região amazônica.     

Ao dar as boas-vindas às participantes do encontro, a  secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, destacou a relevância do Pará na formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao empoderamento das mulheres trabalhadoras da região amazônica.  

 “O Pará é uma referência que já vem dando exemplo para o Brasil e para o mundo”, afirmou Eutália Barbosa, ressaltando o papel estratégico das mulheres no contexto da cooperação técnica entre os dois governos.  

Em sua fala, Petra Schmidt, ministra conselheira da Embaixada da Alemanha no Brasil e chefe da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável, também enfatizou a importância da parceria bilateral. Segundo ela, a cooperação reforça o incentivo e o fortalecimento da participação das mulheres nas agendas políticas sobre clima e meio ambiente.   

“As mulheres são agentes-chave para construir uma agenda positiva voltada a uma transformação ecológica e socialmente justa. Esse é o ponto central da nossa cooperação”, afirmou.  

Diversidade   

Representando o governo do Pará, a diretora Maria Clarice Leonel destacou a diversidade e a força das mulheres amazônicas. “São as mulheres da periferia, do campo, das comunidades quilombolas, mulheres indígenas, das águas, das marés e das florestas, mulheres que com o seu trabalho cuidam do território e contribuem diretamente para a preservação do meio ambiente”, ressaltou.   

Ela também chamou atenção para o papel fundamental das catadoras de materiais recicláveis na aceleração de uma agenda ambiental positiva. “São essas mulheres que, historicamente, e ainda em pleno século XXI, lidam com os resíduos que nós, enquanto sociedade, lançamos de forma inconsequente no meio ambiente”, pontuou.  

Adequação às realidades dos municípios   

A coordenadora executiva de Diversidade e Gênero da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos – Malungu, Carlene Printes, reforçou a importância de adaptar o projeto às realidades locais.   

“Esse é um projeto de cooperação aberto, que será debatido e adequado às necessidades dos municípios, considerando suas diferentes realidades e especificidades”, elogiou. Ela destacou a relevância da produção de dados sobre os territórios e os desafios específicos no enfrentamento à violência contra as mulheres.  

Para Maria Trindade Santana de Araújo, representante da Rede Recicla Pará, a troca de experiências proporcionada pela cooperação Brasil–Alemanha contribui diretamente para a valorização e o empoderamento das mulheres.   

“O que queremos é que nosso trabalho seja valorizado e que as mulheres sejam incluídas nas políticas públicas”, afirmou. Ela acredita que a parceria com a Agência Alemã de Cooperação possibilita ampliar a conquista de direitos empoderar as mulheres trabalhadoras, que tanto precisam desse apoio.    

Débora Ribeiro Baia, representante da Rede Central da Amazônia, destacou que o foco tem sido “mostrar o profissionalismo tanto dos catadores quanto das catadoras. Mostrar que a gente tem sim o potencial de ser protagonista da nossa história, aquele que senta na mesa e analisa as propostas”.

Foto: MMulheres
Foto: MMulheres

Sobre o projeto   

O projeto “Mulheres como Agentes-Chave para uma Transformação Ecológica e Socialmente Justa na Amazônia” é fruto da parceria entre o Ministério das Mulheres e a Agência Alemã de Cooperação (GIZ), com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica da Alemanha. 

No Pará, a iniciativa é desenvolvida em conjunto com a Secretaria Estadual de Mulheres (Semu), com atuação na região metropolitana de Belém e nos territórios quilombolas, ribeirinhos e de comunidades tradicionais da ilha do Marajó, considerada a maior ilha fluvial do mundo. 

O projeto está estruturado em quatro eixos de atuação:  

  • Governança – prevê a coordenação do Ministério das Mulheres na condução de processos participativos para a formulação e o fortalecimento de políticas voltadas às mulheres. 
  • Participação política – busca ampliar a inserção dos grupos prioritários nos processos de formulação de políticas públicas. 
  • Autonomia Econômica – tem como foco promover condições econômicas mais igualitárias para as mulheres, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade.  
  • Prevenção de violências – atua na redução de das vulnerabilidades e no enfrentamento às diversas formas de violência que afetam as mulheres na região.   

 Ações previstas  

Nesses quatro eixos, as ações incluem capacitação de mulheres catadoras e quilombolas; assessoria para gestão, visando fortalecer a atuação do grupo nas pautas prioritárias; participação das trabalhadoras em eventos sobre transição ecológica e ambientalmente responsável; alinhamento das ações e definição das prioridades, com monitoramento e avaliação constantes.     

 

Fonte: Ministério das Mulheres