A nova tatu-canastra (Priodontes maximus) foi chamada pelos estudiosos de Flora e se tornou o 10º indivíduo acompanhado pelo projeto na região.
O Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) divulgou, nesta quinta-feira (10), que realizou a captura de um novo animal para compor um estudo pioneiro no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas. O animal tem 26 quilos e irá ajudar a equipe a compreender o uso da paisagem e contribuir para a conservação.
A nova tatu-canastra (Priodontes maximus) foi chamada pelos estudiosos de Flora e se tornou o 10º indivíduo acompanhado pelo projeto na região. A pesquisa, que começou em 2022, busca compreender como os tatus-canastras utilizam a paisagem do Cerrado e quais áreas são essenciais para sua sobrevivência, especialmente diante da fragmentação dos habitats naturais.
“Estamos construindo, ao longo dos anos, uma base de dados que nos permite compreender melhor como os tatus-canastras vivem no Cerrado, quais áreas utilizam e como se deslocam por uma paisagem que vai muito além dos limites do parque”, explica Gabriel Massocato, coordenador de campo das ações do Projeto Tatu-Canastra no Cerrado.
O trabalho utiliza transmissores GPS para acompanhar os deslocamentos dos animais e identificar áreas de uso preferencial, padrões de movimentação e possíveis corredores ecológicos que conectam o Parque Natural Municipal do Pombo a outros fragmentos de vegetação nativa da região.
Estudo e conservação
Essas informações são especialmente importantes porque o parque está inserido em uma paisagem marcada por diferentes usos do solo. Ao revelar quando, onde e de que forma os tatus-canastras se deslocam, os pesquisadores conseguem identificar áreas estratégicas para manter a conectividade entre habitats.
“Quando acompanhamos um animal por GPS, ele acaba nos mostrando quais caminhos são utilizados pelos tatus-canastras. Conseguimos observar até onde ele vai, quais fragmentos utiliza e quais áreas podem ser fundamentais para conectar o parque a outros remanescentes de Cerrado. Esse conhecimento é essencial para pensarmos em estratégias de conservação que considerem não apenas a área protegida, mas toda a paisagem do entorno”, destaca Massocato.

Além do acompanhamento por GPS, o projeto mantém 80 armadilhas fotográficas instaladas no Parque Natural Municipal do Pombo. A combinação dessas duas ferramentas permite reunir informações complementares sobre a população de tatus-canastras e sobre a biodiversidade presente na unidade de conservação.
As câmeras já registraram outras espécies de grande importância para a conservação, como o cachorro-vinagre, o lobo-guará, o teiú-mascarado e o tatu-de-sete-bandas. Esses registros reforçam a relevância do Parque do Pombo como refúgio para a fauna silvestre e para a conservação da biodiversidade do Cerrado sul-mato-grossense.
Casa nova
Com mais de 80 km² de vegetação nativa preservada, o Parque Natural Municipal do Pombo é um dos maiores remanescentes protegidos de Cerrado da região e representa um importante refúgio para o tatu-canastra e outras espécies da fauna sul-mato-grossense.
Administrado pela Semea (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio) de Três Lagoas, o parque possui 8.032 hectares de Cerrado nativo e abriga espécies ameaçadas de extinção, como o tatu-canastra, o cachorro-vinagre e o lobo-guará.
“O Parque do Pombo é uma área protegida com um número expressivo de indivíduos de tatu-canastra, uma espécie que também exerce um papel muito importante como engenheira do ecossistema, já que suas tocas são utilizadas como abrigo por diversos outros animais. Por isso, conservar o tatu-canastra também significa contribuir para a proteção de muitas outras espécies que compartilham esse ambiente”, explica Mariana Dutra, auxiliar de Fiscal Ambiental da Semea de Três Lagoas.
Fonte: Midiamax

