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Perfil psicológico de matador em série indica comportamentos psicopáticos
Reprodução: iG Minas Gerais

Perfil psicológico de matador em série indica comportamentos psicopáticos

Procurado há 12 dias por um grupo de 270 policiais , Lázaro Barbosa de Sousa , de 32 anos, tem personalidade cruel e perversa, com comportamentos psicopáticos e desorganizados. É o que aponta um perfil psicológico baseado no histórico de crimes cometidos pelo homem, que pode ajudar a polícia a prever os próximos passos do fugitivo.

Segundo o levantamento produzido por Eduarda Szpilman , advogada criminal e pós-graduanda em Criminal Profiling , e Christian Costa, psicólogo criminal e diretor do Centro de Estudos do Comportamento Criminal (CECCRIM) , é possível identificar um padrão na atuação do criminoso ao invadir chácaras e fazer reféns, mas Barbosa ainda seria um assassino em série em formação, não tendo encontrado, ainda, o modus operandi que mais lhe agrade.

“Os diversos crimes cometidos ao longo dos últimos dias demonstram versatilidade criminal e descontrole emocional. Contudo, seria necessário concentrar esforços na análise do crime ocorrido no dia nove de junho, na medida em que tal cena irá demonstrar, com mais facilidade, a sua personalidade e motivação. Ao que tudo indica, a sequência de crimes posteriores teria ocorrido como necessidade de sobrevivência”, avalia o relatório.

Neste dia, Lázaro invadiu a chácara de Cláudio Vidal e matou ele e seus filhos, em uma ação que durou cerca de 10 minutos. No momento da fuga, fez Cleonice Marques, de 43 anos, mulher de Cláudio, refém e a sequestrou. Logo após a entrada do bandido na casa, ela teria feito uma ligação para seu irmão pedindo por socorro. Sua família chegou momentos depois, mas encontrou apenas os corpos de Cláudio e seus filhos.

Segundo Eduarda Szpilman, Lázaro pode ter planejado a invasão e roubo à chácara, mas os crimes subsequentes podem estar mais relacionados à oportunidade encontrada no local para aperfeiçoar suas técnicas. Além disso, a especialista indica que o intervalo entre os atos cometidos em 2009 e 2021 podem revelar outros crimes ou tentativas mal sucedidas de praticá-los.

“A partir da captura de Lázaro, uma apuração mais profunda pode revelar diversos outros crimes que ainda são desconhecidos e categorizá-lo como um serial killer. Nesses casos, podemos ver pessoas que demoram mais de dez anos para cometer um novo ato e, a partir de um gatilho específico, aumentar cada vez mais a periodicidade dos delitos.”

De acordo com o perfil psicológico de Lázaro Barbosa, o uso de instrumentos perfurocortantes em conjunto com a arma de fogo pode demonstrar inexperiência e dificuldade em consumar os homicídios com o uso de apenas um instrumento, sendo necessário finalizar o ato com um tiro.

“No momento, a privação de sono e comida em conjunto com o cansaço da fuga, que perdura 12 dias, nos leva a crer que esteja perto de ser capturado. É provável que tenha se ferido durante os confrontos com a polícia, o que poderia acarretar em diminuição do oxigênio no cérebro e delírios, a depender da quantidade de sangue perdida. há indicativos de que Lázaro não se entregará à polícia e irá para o confronto policial, pois segue se movimentando e encontrando esconderijos na mata, ainda que esteja cansado e com mais dificuldade de encontrar comida sem ser visto”, define o relatório.

Szpilman acredita que a estratégia atual de fuga possa durar mais alguns dias, principalmente por sua alta percepção territorial-geográfica. Mas sinais de cansaço são cada vez mais evidentes, o que aumenta as chances de erro em seus procedimentos e ajuda a polícia a traçar seu paradeiro.

“Se fosse qualquer outra pessoa, que conhecesse menos o local, acredito que ele já teria sido capturado. É impossível prever, mas acredito que a possibilidade de fuga por muito mais tempo não seja viável com o trabalho que está sendo feito pela polícia. Precisamos tentar entender quem é o Lázaro e a motivação para os crimes para que, em caso de uma nova fuga, a polícia possa se antecipar e projetar os próximos passos do criminoso”, conclui.

Buscas por Lázaro

Na última quinta-feira, houve uma nova troca de tiros envolvendo Lázaro e a polícia, e um novo cerco ao criminoso foi montado nesta sexta. O confronto foi o segundo envolvendo Lázaro num intervalo de dois dias. Havia suspeitas de que o serial killer tenha ficado ferido, já que um dos cães farejadores que participam da força-tarefa achou um pano com marcas de sangue. No mesmo dia, foi anunciado que 20 agentes da Força Nacional foram acionados para reforçar as buscas, mas eles não devem mais ir ao local.

“Houve oferecimento. No primeiro momento, coloquei que não haveria necessidade porque outros estados podem precisar, como Amazonas. Ele disse que tem tropa de 20 policiais de pronto emprego, mas essa tropa não veio. Creio que foi mobilizada para outro lugar”, explicou o secretário.

Na última terça-feira, houve um confronto após o criminoso fazer um casal e sua filha adolescentes reféns à beira de um Rio. A jovem conseguiu mandar uma mensagem para um policial pedindo socorro. Os agentes foram para o local e conseguiram salvar a família. Na troca de tiros, um PM foi baleado de raspão. Ele já teve alta.

A caçada a Lázaro começou depois de ele matar quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia Norte, no Distrito Federal, no dia 9 de junho. Ele invadiu a chácara de Cláudio Vidal, de 48 anos, e assassinou ele e seus filhos, Carlos Eduardo, de 21, e Gustavo, de 15. Na fuga, o criminoso sequestrou Cleonice Vidal, de 43 anos, mulher de Cláudio. Ela foi encontrada morta no dia 12.

Desde então, a procura por Lázaro ganhou o noticiário nacional. O criminoso virou até meme nas redes sociais. A todo momento, a polícia recebe ligações de pessoas que afirmam terem visto Lázaro. Muitas pessoas que moram na região rural de Cocalzinho deixaram suas casas — algumas são invadidas pelo suspeito, que aproveita para se alimentar.

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