PNAD Contínua – 4o Trimestre de 2025: Taxa de desocupação de MS atinge o menor patamar da série histórica e é a segunda menor entre as Unidades da Federação

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O IBGE divulgou hoje, 20 de fevereiro, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua do quarto trimestre de 2025. A pesquisa aborda informações sobre o mercado de trabalho e características da população. Abaixo estão alguns dos principais destaques de Mato Grosso do Sul.

MS registra queda na taxa de desocupação e tem o segundo menor percentual do país Mato Grosso do Sul, no 4o trimestre de 2026, tinha 2,29 milhões de pessoas em idade de trabalhar, indicando aumento de 43 mil pessoas (1,9%) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Destas, 1,47 milhão estavam na força de trabalho, sendo que 1,43 milhão estavam ocupadas e 36 mil desocupadas.

O nível da ocupação foi estimado em 62,4%, representando uma queda de 0,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre anterior e uma queda de 0,5 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado.

A taxa de desocupação em MS no 4o trimestre de 2025, foi estimada em 2,4%. O valor representa uma queda de 0,4 p.p. em relação ao trimestre anterior, atingindo o menor nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Com o resultado, Mato Grosso do Sul salta 3 posições no ranking entre as Unidades da Federação (UFs), com a segunda menor taxa de desocupação do país, junto com Mato Grosso e Goiás (2,4%), atrás de Santa Catarina (2,2%). O maior valor foi verificado em Pernambuco (8,8%). Já a taxa anual de MS caiu de 3,9% em 2024 para 3,0% em 2025.

No Brasil, a taxa de desocupação no 4o trimestre de 2025 foi de 5,1%, queda de 0,5 ponto percentual (p.p.) ante o terceiro trimestre de 2025 (5,6%) e caindo 1,1 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2024 (6,2%). Quanto à taxa anual, caiu de 6,6% em 2024 para 5,6%.

Figura 1 – Taxa de desocupação por trimestre – Brasil, MS e Campo Grande (%)

PNAD Contínua - 4o Trimestre de 2025: Taxa de desocupação de MS atinge o menor patamar da série histórica e é a segunda menor entre as Unidades da Federação

Em Campo Grande, a taxa de desocupação foi de 3,1%. O número é 0,3 p.p. menor que o registrado no terceiro trimestre de 2025 e 0,6 p.p. maior em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Com isso, Campo Grande ganhou duas posições no ranking de menores taxas entre as capitais, ficando com a 4a menor taxa. Quanto à taxa de desocupação anual, caiu de 3,7% para 3,1%.

Em MS, registrou estabilidade no número de empregados no quarto trimestre.

Em números absolutos, houve estabilidade no número de empregados no estado (1,04 milhão) se comparado ao trimestre imediatamente anterior. Desses, 728 mil estão no setor privado, 219 mil no setor público e 90 mil trabalhadores domésticos. Tratando-se de empregados no setor privado, o número variou em 4 mil pessoas, sendo o número estável tanto em relação ao trimestre anterior (0,6%), quanto ao mesmo período do ano anterior (0,0%). Para o número de pessoas, também no setor privado, sem carteira de trabalho assinada, foram estimados 153 mil, figurando um aumento de 9,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Em relação às pessoas com carteira de trabalho, ainda no setor privado, houve uma queda de 1,6% se comparado ao trimestre imediatamente anterior.

Em relação ao setor público, ao analisar a variação entre o 3o e o 4o trimestre de 2025, observa-se redução no número de pessoas com carteira assinada, que passou de 15 mil para 11 mil. Entre as pessoas sem carteira assinada no setor público, houve relativa estabilidade em comparação ao trimestre anterior, com variação de 67 mil para 65 mil. Já entre os militares e funcionários públicos estatutários, também se verifica estabilidade no período analisado, com aumento de 140 mil para 144 mil pessoas.

Para os indicadores dos trabalhadores domésticos observou-se estabilidade em relação ao trimestre anterior (- 3,6%) e queda quando se comparado ao mesmo período de 2024 (-12,3%). Entre os trabalhadores domésticos com carteira, em relação ao mesmo trimestre de 2024, ocorreu estabilidade (0,2%), assim como se comparado ao trimestre imediatamente anterior (-7,5%). Entre os trabalhadores domésticos sem carteira, houve estabilidade em relação ao trimestre anterior (-1,5%), bem como se comparado ao 4o trimestre de 2024 (-17,4%).

Entre as pessoas que trabalham como trabalhador familiar auxiliar (7 mil), observou-se estabilidade em relação ao trimestre anterior (-23,4%), e queda quando comparado ao 4o trimestre de 2024 (-52,6%).

Em MS, população ocupada trabalhando como empregador cresce 8,0% no trimestre, no entanto, a que trabalha por conta própria recua 3,6%.

No 4o trimestre de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 76 mil empregadores. O crescimento de 8,0% (6 mil pessoas a mais) frente ao trimestre anterior (70 mil) e de 12,5% (8 mil pessoas a mais) em relação ao mesmo trimestre de 2024 (67 mil) é considerado uma estabilidade, dadas as características da pesquisa. O avanço foi impulsionado principalmente pelos empregadores com CNPJ, que passaram de 55 mil no trimestre anterior para 62 mil no 4o trimestre de 2025, alta de 11,4%, e superaram em 10,2% o contingente observado no mesmo período de 2024 (56 mil).

Por outro lado, o contingente de trabalhadores por conta própria totalizou 312 mil pessoas, recuando 3,6% (menos 12 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior (323 mil). Apesar da queda trimestral, o indicador permanece 3,3% acima do registrado no mesmo trimestre de 2024 (302 mil).

 📉 Considerada estatisticamente como estabilidade, a retração trimestral do trabalho por conta própria concentrou-se no segmento sem CNPJ, que caiu de 224 mil para 208 mil pessoas, redução de 7,4% (menos 17 mil pessoas) no trimestre e de 3,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

 📈 Em sentido oposto, os trabalhadores por conta própria com CNPJ alcançaram 104 mil pessoas, com alta de 5,1% frente ao trimestre anterior (99 mil). O crescimento expressivo de 21,2% em relação ao mesmo período do ano anterior (86 mil) foi considerada uma alta para os parâmetros da pesquisa amostral.

Taxa de Informalidade em MS cai para 30,8% e estado tem o sexto menor valor entre as UFs

Para o cálculo da proxy de taxa de informalidade da população ocupada são consideradas as seguintes populações:

Empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada; Empregado doméstico sem carteira de trabalho assinada; Empregador sem registro no CNPJ; trabalhador por conta própria sem registro no CNPJ; trabalhador familiar auxiliar.

Em MS, a PNAD Contínua registrou, no 4o trimestre de 2025, 441 mil pessoas ocupadas em condição de informalidade1

O contingente recuou 1,6% (menos 7 mil pessoas) frente ao trimestre anterior, quando somava 448 mil, e apresentou queda mais expressiva na comparação anual, de 7,4% (menos 34 mil pessoas) em relação ao 4o trimestre de 2024 (476 mil). O resultado indica redução do contingente informal tanto na margem quanto no horizonte de 12 meses.

Figura 2 – Taxa de informalidade (%) – BR, MS e Campo Grande – 2022 a 2025

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Embora tenha apresentado queda na taxa de informalidade, na comparação entre as UFs, MS caiu da 5º para a 6º posição dos estados com menores taxas de informalidade. 

Quadro 1 – Menores taxas de informalidade e taxa BR (%) – 4º tri/2025 

Brasil ou UF %
Brasil 37,6
Santa Catarina 25,7
Distrito Federal 27,1
São Paulo 29,7
Rio Grande do Sul 30,1
Paraná 30,6
Mato Grosso do Sul 30,8
Fonte: PNAD Contínua trimestral 
1 SIDRA. Tabela 4093
Entre as capitais, Campo Grande tem a 7ª menor taxa de informalidade, com 29,1%.

Conta própria sem CNPJ corresponde ao maior contingente de pessoas em informalidade (208 mil pessoas) 

O contingente de trabalhadores por conta própria sem CNPJ totalizou 208 mil pessoas, recuando 7,4% (menos 17 mil) frente ao trimestre anterior (224 mil) e 3,8% na comparação do mesmo período de 2024 (216 mil). Trata-se do principal movimento de retração dentro do conjunto informal. 

Entre os empregados no setor privado sem carteira assinada, o número passou de 139 mil para 153 mil pessoas, registrando alta de 9,4% no trimestre. Apesar do aumento frente ao trimestre anterior, o contingente permanece 5,7% abaixo do observado no mesmo período de 2024 (162 mil), mantendo-se abaixo do nível observado no mesmo período de 2024. 

Os empregados domésticos sem carteira somaram 60 mil pessoas, com redução de 1,5% frente ao trimestre anterior (61 mil) e queda mais intensa, de 17,4%, em relação ao mesmo trimestre de 2024 (72 mil), reforçando a tendência de diminuição dessa forma de inserção informal no horizonte anual. 

No grupo de empregadores sem CNPJ, o contingente ficou em 14 mil pessoas, estável frente ao trimestre anterior (15 mil) e ao registrado no mesmo trimestre de 2024 (11 mil). 

Já os trabalhadores familiares auxiliares totalizaram 7 mil pessoas, com retração de 23,4% frente ao trimestre anterior (9 mil) e de 52,6% na comparação anual (15 mil), configurando a queda mais acentuada entre os componentes da informalidade. PNAD Contínua - 4o Trimestre de 2025: Taxa de desocupação de MS atinge o menor patamar da série histórica e é a segunda menor entre as Unidades da Federação

Rendimento médio de todos os trabalhos se mantém estável 

Para o quarto trimestre de 2025, o rendimento médio real habitual advindo de todos os trabalhos ficou em R$ 3.693,00. O número é considerado estatisticamente estável em relação ao trimestre anterior (R$ 3.603,00) e ao mesmo trimestre de 2024 (R$ 3.622,00). O gráfico abaixo compara a variação dos rendimentos com o IPCA, a inflação oficial do país.

Figura 4 – Rendimento médio real habitual recebido de todos os trabalhos e IPCA – 2022 a 2025 (MS)2 Fonte: PNAD Contínua trimestral 

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MS cai uma posição e registra o 9º maior rendimento médio do trabalho principal entre as UFs 

O rendimento médio real mensal habitual do trabalho principal3foi de R$ 3.581,00 apresentando estabilidade em relação ao trimestre anterior (R$ 3.482,00) e em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (R$ 3.514,00). Considerando-se o rendimento do trabalho principal, se comparado às outras UFs, MS tem o 9º maior rendimento médio habitualmente recebido. O maior valor foi registrado no DF (R$ 6.053,00), seguido do SP (R$ 4.221,00). O menor valor foi obtido no MA (R$ 2.078,00), seguido de BA (R$ 2.267,00). 

Diferenças no Rendimento médio de todos os trabalhos mostram desigualdade de sexo e cor ou raça 

Analisando o rendimento médio habitualmente recebido de todos os trabalhos por sexo4, os homens em MS têm uma média de R$ 4.094,00, enquanto as mulheres recebem R$ 3.175,00, o que representa uma diferença de 22,5% a menos para as mulheres. Já no que se refere ao rendimento por cor ou raça 5, as pessoas que se declararam brancas recebem em média R$ 4.499,00 enquanto as que se declararam pardas recebem R$ 3.126,00 e as que se declararam pretas recebem R$ 3.162,00. Com isso, tem-se que população parda recebe cerca de mais de um terço (28,9%) a menos que a população branca. 

Profissionais com nível superior recebem mais que o dobro do valor daqueles com apenas o ensino médio A PNADC trimestral do último trimestre trouxe dados sobre rendimento habitualmente recebido do trabalho principal por nível de instrução6. As informações obtidas permitem entender que em MS há uma diferença notável entre os valores pagos a profissionais que têm nível superior e àqueles que não completaram seus estudos. Enquanto os profissionais de nível médio completo em MS recebiam em média R$ 2.966,00, os profissionais sul mato-grossenses com nível superior recebiam em média R$ 6.177,00, perfazendo uma diferença de 108,2% a mais.

O quadro 2 mostra as informações em detalhes. 

2 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9173-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua trimestral.html?edicao=44229&t=quadro-sintetico 

3 Sidra: tabela 5440 

4 Sidra: tabela 5436 

5 Sidra: tabela 6405 

6 Sidra: tabela 5438

Quadro 2 – Rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido no mês de referência, pelas pessoas de 14 anos ou mais, ocupadas, com rendimento de trabalho, por nível de instrução – MS (R$) 

Nível de instrução R$
Sem instrução e menos de 1 ano de estudo 1.999,00
Ensino fundamental incompleto ou equivalente 2.381,00
Ensino fundamental completo ou equivalente 2.501,00
Ensino médio incompleto ou equivalente 2.260,00
Ensino médio completo ou equivalente 2.966,00
Ensino superior incompleto ou equivalente 3.377,00
Ensino superior completo ou equivalente 5.960,00
Fonte: PNAD Contínua trimestral.

Se considerada a área de atividade exercida, os números são os que seguem: 

Quadro 3 – Rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido no mês de referência, pelas pessoas de 14 anos ou mais, ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho – MS (Reais)7 

Grupamento de atividade no trabalho principal R$
Total 3.581,00
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura 3.765,00
Indústria geral 3.164,00
Construção 3.271,00
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas 3.037,00
Transporte, armazenagem e correio 3.528,00
Alojamento e alimentação 2.750,00
Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas 4.662,00
Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais 4.918,00
Outros serviços 2.762,00
Serviços domésticos 1.491,00

Fonte: PNAD Contínua trimestral 

O rendimento médio real, advindo do trabalho principal, habitualmente recebido, por posição na ocupação e considerando a contribuição para instituto de previdência segue a tabela abaixo e mostra diferenças significativas em relação à formalidade: 

Quadro 4 – Rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido no mês de referência, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas, com rendimento de trabalho8 – MS (Reais) 

Posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal R$
Total 3.581,00
Empregado no setor privado, exclusive trabalhador doméstico 2.873,00
Empregado no setor privado, exclusive trabalhador doméstico – com carteira de trabalho assinada 3.014,00
Empregado no setor privado, exclusive trabalhador doméstico – sem carteira de trabalho assinada 2.340,00
Trabalhador doméstico 1.491,00
Trabalhador doméstico – com carteira de trabalho assinada 1.886,00
Trabalhador doméstico – sem carteira de trabalho assinada 1.293,00
Empregado no setor público 5.283,00
Empregador 9.289,00
Empregador com CNPJ 9.985,00
Empregador sem CNPJ 6.234,00
Conta própria 3.253,00
Conta própria com CNPJ 4.617,00
Conta própria sem CNPJ 2.570,00

Fonte: PNAD Contínua trimestral 

7 Sidra: tabela 5442 

8 Sidra: tabela 6471

Outra ótica que a PNADC trouxe é o Grupamento Ocupacional9. Nesta forma de observar o rendimento, ganha destaque o grupo dos (as) diretores (as) e gerentes, cujo rendimento fica bem acima dos demais grupos. 

Quadro 5 – Rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido no mês de referência, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas, com rendimento de trabalho – MS (Reais) 

Grupamento ocupacional no trabalho principal – PNADC MS (R$)
Total 3.581,00
Diretores e gerentes 8.700,00
Profissionais das ciências e intelectuais 6.236,00
Técnicos e profissionais de nível médio 4.549,00
Trabalhadores de apoio administrativo 2.525,00
Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados 2.689,00
Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca 4.311,00
Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e  outros ofícios 2.936,00
Operadores de instalações e máquinas e montadores 2.997,00
Ocupações elementares 1.768,00
Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares 6.302,00

Fonte: PNAD Contínua trimestral

Fonte: MS-Atendimento