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terça-feira, 19 de maio, 2026

Polícia vê inconsistências e não descarta feminicídio em morte de fisioterapeuta

A mulher foi encontrada com um tiro na cabeça dentro da chácara onde vivia com o marido

A Polícia Civil afirmou nesta terça-feira (19) que encontrou inconsistências durante as investigações sobre a morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, e que não descarta a hipótese de feminicídio. A mulher foi encontrada com um tiro na cabeça dentro da chácara onde vivia com o marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Polícia vê inconsistências e não descarta feminicídio em morte de fisioterapeuta
A fisioterapeuta Fabiola Marcotti, que morreu aos 51 anos (Foto: Reprodução das redes sociais).

O delegado Leandro Santiago, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), afirmou que as primeiras versões apresentadas pelo médico e por testemunhas divergiram durante os depoimentos prestados ainda no local da ocorrência.

“A equipe dessa delegacia efetuou diligências no local. Ainda em entrevistas prévias, o suspeito e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas”, declarou.

Segundo o delegado, a polícia também identificou indícios de fraude processual após constatar que, depois da morte da fisioterapeuta, um armário contendo armas de fogo e munições foi retirado da casa principal e levado para outro casebre dentro da propriedade.

Conforme a investigação, a mudança teria ocorrido por determinação do cardiologista, com ajuda do caseiro e de um ex-funcionário. Os três foram autuados em flagrante por fraude processual.

Além disso, a perícia preliminar teria encontrado inconsistências entre o ferimento na cabeça da vítima e a versão apresentada pelo médico.

“Constatou-se também, através de perícia preliminar, que a lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”, afirmou Leandro Santiago.

Durante as buscas na propriedade, policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. Por isso, João Jazbik Neto também foi autuado por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito.

O delegado afirmou ainda que a Polícia Civil irá instaurar um inquérito complementar “sob uma perspectiva de gênero” para esclarecer se a morte da fisioterapeuta foi suicídio ou feminicídio.

A nova manifestação da Deam ocorre menos de um dia após a defesa do cardiologista afirmar ao Campo Grande News que a hipótese de feminicídio havia sido descartada.

Na noite de segunda-feira (18), o advogado José Belga Trad afirmou que a participação voluntária do médico na realização do exame residuográfico teria afastado “qualquer suspeita da hipótese de feminicídio”.

Segundo ele, o médico responderia apenas pelos crimes relacionados às armas e pela fraude processual.

“Ele foi autuado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso restrito e permitido e fraude processual. Aguarda audiência de custódia, marcada para a manhã de quarta (20)”, afirmou o defensor.

O advogado também declarou que João Jazbik Neto possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) e negou que o cliente tenha atirado contra a esposa.

“O que eu peço para todos é que a gente dê o benefício da dúvida, que deve ser garantido a toda pessoa investigada ou acusada”, disse.

O caso aconteceu na manhã de segunda-feira (18). Conforme o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o cardiologista relatou que a esposa realizou normalmente a rotina da manhã antes de subir ao quarto do casal, localizado no andar superior da residência.

Segundo o médico, após estranhar a demora da mulher no cômodo, ele bateu na porta e não recebeu resposta. Depois, voltou para a cozinha e tentou ligar para o celular da fisioterapeuta. Pouco tempo depois, teria retornado ao quarto e encontrado Fabiola caída no chão.

Ainda conforme o registro policial, o médico acionou o ex-caseiro da propriedade, que foi quem ligou para a Polícia Militar pelo telefone 190

Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e perícia estiveram na chácara durante toda a tarde de segunda-feira. O caso segue em investigação pela Deam.

Fonte: Campograndenews