Subtenente falou que se lembra apenas de flashes e não voltou ao presídio porque ‘a cabeça não estava boa’.
O subtenente do Corpo de Bombeiros, Elianderson Duarte, de 45 anos, alegou ter sofrido um surto psicótico e que não sabe como saiu do PME (Presídio Militar Estadual), em Campo Grande. Ele foi preso em março, após ser acusado de matar a esposa, Liliane de Souza Bonfim Duarte, em Ponta Porã, mas fugiu do presídio no dia 12 de junho, sendo capturado duas semanas depois.
Elianderson ficou escondido em uma casa na Vila Almeida e foi localizado por uma equipe da 5ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar). Durante interrogatório, ele alegou ter sofrido um surto psicótico e que não sabe como saiu do presídio. O bombeiro disse que se lembra apenas de flashes, recordando que estava no meio do mato e, depois, na casa de um conhecido.
Além disso, Elianderson justifica que não retornou porque “a cabeça não estava boa”. Ele acrescentou que não sabe como chegou ao imóvel onde ficou abrigado, não se lembra da recaptura e que não possuía autorização para deixar o presídio. Também afirmou que usa medicação controlada desde 2021.
‘Ação sutil e rápida’
De acordo com as investigações, um dos policiais que estava no presídio no dia da fuga olhou as câmeras com menos de um minuto de antecedência. “O que prova que a ação do investigado Elianderson Duarte foi muito sutil e rápida”, afirma o relatório.
Naquele 12 de junho, o policial ficou o tempo inteiro na sala de monitoramento, trabalhando com a documentação do serviço, olhando o telefone funcional e, mesmo assim, a fuga não foi percebida. Outro militar estava na sala e também não percebeu a ação de Elianderson.
Além disso, os policiais explicaram que as câmeras não possuem sensor de movimento e que a qualidade das imagens ficou prejudicada por causa da forte chuva e iluminação deficiente. Também pontuaram que desconhecem qualquer ajuda ou auxílio prestado para a evasão do subtenente.
Elianderson Duarte foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pelo crime de deserção por evasão ou fuga, do Código Penal Militar. Além da denúncia, o órgão pontuou que, havendo dúvida da integridade mental do militar, requer a instauração de incidente de insanidade mental.

Prisão por feminicídio
Elianderson estava preso desde março de 2026 por matar a esposa, Liliane. O militar agrediu a então companheira com golpes de marreta na cabeça, em uma casa na Vila Reno, e alegou legítima defesa.
Na época, o bombeiro precisou ficar hospitalizado em Ponta Porã, pois se queixava de dores nos pés e escoriações pelo corpo, alegando ter sido agredido por moradores que o perseguiram. Logo depois, surgiram denúncias de que ele estaria recebendo regalias na unidade hospitalar.
Feminicídio
Segundo o boletim de ocorrência, no dia cinco de março, após agredir a esposa e os filhos, o subtenente, de 45 anos, saiu correndo pelas ruas do bairro com duas facas de serra. Quando a equipe policial chegou ao local, o bombeiro estava contido por populares; no entanto, estava alterado e nervoso, gritando que apenas se defendeu de sua mulher, que queria esfaqueá-lo.
Em decorrência disso, ele justificou, conforme o registro policial, que teve de ‘pegar uma marreta e acertar a cabeça dela’. A vítima foi socorrida inconsciente por uma equipe do Corpo de Bombeiros. Já os filhos, de 13, 15 e 17 anos, foram socorridos por vizinhos para atendimento médico.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os filhos do casal saem de casa, às 17h27, e correm pela rua pedindo ajuda para quem passa pela via. Frequentadores e funcionários de um estabelecimento da esquina se depararam com a cena e correram para tentar ajudá-los.
Dias depois da agressão brutal, Liliane morreu no Hospital da Vida, em Dourados.
Fonte: Midiamax

