Sementes e fibras da floresta, moldadas por saberes ancestrais, tornaram-se oportunidade de inclusão produtiva no Alto Rio Negro (AM). Nesta semana, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) promoveu a 1ª Oficina de Biojoias para artesãs indígenas da região, reunindo cerca de 60 mulheres de 12 etnias em São Gabriel da Cachoeira.
A ação, desenvolvida no âmbito do Programa Acredita no Primeiro Passo, ocorreu entre terça-feira (24.02) e sexta-feira (27.02), na sede da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI). A iniciativa promoveu formação técnica voltada à inclusão socioeconômica, com foco na valorização dos saberes tradicionais e na ampliação das oportunidades de geração de renda.
Participaram artesãs dos municípios de Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, além de comunidades remotas da região. Estiveram representadas 12 etnias: Yanomami, Tukano, Desana, Piratapuya, Baniwa, Baré, Arapaso, Tariano, Tuyuka, Wanano, Dãw e Koripako.
A oficina resultou de parceria entre o MDS, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a ASSAI. A ação tem como objetivo fortalecer a autonomia produtiva das mulheres indígenas, a partir da valorização de suas tradições culturais.
Coordenadora da ASSAI e integrante do povo Tariano, Mariana Zani Cardoso de Lima destacou que a iniciativa contribui diretamente para a autonomia econômica das mulheres indígenas. “Nossa associação reúne 24 artesãs de diferentes etnias, e o projeto representa um fortalecimento para que possamos dar continuidade ao nosso trabalho. É muito importante levar os aprendizados daqui”, afirmou.
Os conteúdos abordados, como elaboração de ficha de produção, aprimoramento de acabamento e padronização de qualidade, serão compartilhados nas comunidades de origem das participantes, ampliando o alcance da ação. A parceria também prevê novas atividades voltadas à cestaria e à cerâmica, fortalecendo outras cadeias produtivas tradicionais.
Formação técnica e valorização cultural
Durante a oficina, as participantes receberam orientações sobre o Cadastro Único, com destaque para a importância de manter a inscrição atualizada, e conheceram as oportunidades oferecidas pelo Programa Acredita no Primeiro Passo. As informações foram apresentadas por técnicos do MDS.
A etapa formativa foi conduzida pela mestra artesã Cecília Albuquerque, da etnia Piratapuya e fundadora da ASSAI. Com mais de duas décadas de atuação à frente da associação que, neste ano, completa 26 anos, Cecília compartilhou conhecimentos sobre biojoias e ecojoias, técnicas de conservação de sementes e fibras naturais, além de padrões de acabamento e qualidade das peças.
Entre as orientações, ressaltou a importância de valorizar sementes e plantas da própria região, priorizando insumos tradicionais e técnicas adequadas de tingimento com cores naturais. “Estou muito feliz por ajudar as artesãs, compartilhando o conhecimento que adquiri ao longo dos anos”, declarou.
As atividades práticas incluíram a confecção de colares com sementes e fibras de tucum, além da produção de brincos e pulseiras com miçangas, respeitando as especificidades culturais de cada povo. O encerramento contou com feira de artesanato aberta ao público, na sede da ASSAI, a fim de expandir a visibilidade da produção local e estimular a comercialização das peças.
Inclusão e Cadastro Único
Equipes do MDS, representadas pela Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (Sagicad) e pela Secretaria de Inclusão Socioeconômica (Sisec), realizaram atendimentos para verificação, inclusão e atualização cadastral das participantes. Os técnicos também prestaram orientações sobre o acesso às políticas públicas do Governo do Brasil. As ações foram realizadas em articulação com o governo do Amazonas e a prefeitura de São Gabriel da Cachoeira.
Assessoria de Comunicação – MDS
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

