
Com investimento de R$ 50 milhões e inspirado no legado do ex-presidente uruguaio, o Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação (Prosul) Pepe Mujica vai ampliar a cooperação científica entre os países latino-americanos. Com a iniciativa lançada em uma cerimônia em Montevidéu, no Uruguai, O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai financiar, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), projetos de redes de pesquisa consolidadas e emergentes, além de trabalhos bilaterais, para, assim, ampliar o alcance da cooperação científica regional.
Durante a solenidade, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou que o programa simboliza a concretização de um compromisso assumido nos últimos anos para ampliar a cooperação científica latino-americana, inspirado no legado do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica. “Este programa nasce do entendimento de que a ciência precisa estar conectada aos desafios reais dos nossos povos. É homenagem a Mujica e ao seu chamado por uma América Latina mais unida, mais solidária e mais comprometida com a vida e com o futuro”, afirmou.
O programa é resultado da articulação entre o MCTI, o CNPq e a Associação de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), rede que reúne universidades públicas da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Chile, do Paraguai e do Uruguai. A entidade é reconhecida por sua atuação na cooperação acadêmica e científica regional.
“Estamos no século XXI, período em que o conhecimento, a ciência e a pesquisa valem mais do que o capital. Por isso, há quem não queira que os povos se apropriem dessa riqueza, mas eles vão. E, para garantir que isso aconteça, precisamos agir conjuntamente. Unidos somos muito mais, e essa será a voz da América Latina”, cravou Lucia Topolanski, ex-senadora, ex-vice-presidente e viúva de Pepe Mujica.
O Programa Pepe Mujica tem como foco a formação de redes temáticas de pesquisa entre instituições da América Latina e do Caribe, a mobilidade de pesquisadores em diferentes níveis de formação e o desenvolvimento conjunto de projetos estratégicos. Também estão previstas ações de fortalecimento da infraestrutura científica regional, estímulo à inovação tecnológica e promoção da educação e da divulgação científica.
“O edital foi muito bem recebido aqui no Uruguai e tenho certeza também de que será muito bem recebido no Brasil”, enfatizou o presidente do CNPq, Olival Freire Junior. “Nós convidamos e conclamamos os pesquisadores brasileiros, latino-americanos, uruguaios em particular, e também dos países do Caribe a apresentarem propostas de intercâmbios e colaboração nesse edital”, completou Freire Junior.
A cerimônia ocorreu na quarta-feira (28), no Instituto de Investigaciones Biológicas Clemente Estable (IBCE), e reuniu autoridades acadêmicas e representantes de instituições de pesquisa da América Latina.
Chamada pública
A inciativa conta com o investimento de R$ 50 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), executados pelo CNPq. As inscrições vão até 30 de abril.
Os projetos devem se concentrar em seis áreas estratégicas: ambiente e sustentabilidade; alimentação e agricultura; energia e mineração; saúde; tecnologia da informação; e ciências humanas e sociais com foco latino-americano e caribenho. Os eixos refletem prioridades comuns aos países da região como enfrentamento das mudanças climáticas, segurança alimentar, transição energética, desenvolvimento de tecnologias digitais e redução das desigualdades.
A ministra Luciana Santos destacou que a retomada dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação no Brasil, com a liberação integral dos recursos do FNDCT, com a liberação integral dos recursos do FNDCT, tem possibilitado ampliar a presença brasileira em iniciativas internacionais de cooperação científica.
“A integração pelo conhecimento é um dos caminhos mais consistentes para promover desenvolvimento sustentável e justiça social na América Latina e no Caribe”, concluiu a titular do MCTI.
