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segunda-feira, 14 de setembro, 2026

Quarta arara é encontrada morta em Campo Grande em menos de 30 dias

Dessa vez, uma arara-canindé foi achada morta na Rua Arthur Jorge, no Centro, com suspeita de eletrocussão.

Após as tempestades que atingiram Campo Grande desde a última quinta-feira (10), foi encontrada a 4ª arara morta na Capital em menos de 30 dias. O registro foi feito na última sexta-feira (11), depois do temporal deixar estragos em várias partes da cidade. Além de quedas de árvores, semáforos, placas, alagamentos, entre outros problemas, as chuvas e ventanias afetaram ao menos 11 ninhos de arara.

Dessa vez, uma arara-canindé foi achada morta na Rua Arthur Jorge, no Centro, com suspeita de eletrocussão. Segundo a moradora Vânia Maria Pereira de Souza, que encontrou o animal, a ave teria se chocado com um cabo de energia que ficou solto após a tempestade.

“Escutamos um estrondo tipo estouro de transformador explodindo. Achei até que fosse acidente de moto, corri pra ver e ela estava caída no asfalto, com as penas chamuscadas”, conta Vânia.

Segundo ela, essa é a primeira vez que o acidente ocorre na região, que conta com muitas araras. No entanto, nos últimos dias, o Jornal Midiamax noticiou casos de outras três araras encontradas mortas nos bairros Tiradentes, Vila Planalto e Vila Alba.

Casos se agravam com chuvas

Conforme o Instituto Arara Azul, ao menos 11 dos 150 ninhos monitorados no projeto Aves Urbanas-Araras na Cidade foram afetados pelas últimas tempestades em Campo Grande. O número corresponde a cerca de 7% do total. Os bairros que registraram ocorrência foram Vila Carlota, Estrela Dalva, Parque dos Poderes e Centro. Três dos 11 ninhos estavam com filhotes pequenos, que foram levados ao Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres).

Segundo a médica-veterinária Maria Eduarda Monteiro, coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Fazenda Caiman, o período de chuvas pode aumentar o número de ocorrências fatais com os animais, ainda que não seja o único fator necessário.

“A chuva pode contribuir para esses acidentes, principalmente quando vem acompanhada de ventos fortes, porque pode dificultar a visibilidade e a capacidade de manobra das aves. Mas não é simplesmente o fato de estar chovendo que causa a eletrocussão. O principal é o contato da ave com a estrutura elétrica de uma forma que permita a passagem da corrente”, explica a médica-veterinária.

Além disso, no atual período do ano, as araras-canindés estão no período reprodutivo e, por isso, movimentam-se com mais frequência. Assim, é mais provável que as aves colidam com alguma fiação e sofram descarga elétrica.

Eletrocussão é uma das principais causas

Segundo um estudo feito pela bióloga Dra. Larissa Tinoco, Campo Grande registrou 59 mortes de araras por eletrocussão entre 2011 e 2020, sendo 48 araras-canindé e 11 araras-vermelhas. “A maior parte dos acidentes aconteceu quando as aves pousaram em estruturas não isoladas, como as cruzetas dos postes, ou quando tiveram contato com a rede usando as asas”, afirmou Maria Eduarda.

Além disso, o estudo mostrou que o período com mais registros de mortes de arara foi no inverno, que corresponde ao início da estação reprodutiva da espécie.

A eletrocussão é uma das principais causas de morte das aves na Capital, sobretudo na área urbana. “É uma causa de mortalidade bastante importante, mas a gente ainda não tem dados suficientes para dizer que seja a principal causa de morte das araras em todo Mato Grosso do Sul. Isso pode variar bastante de acordo com a região e com a presença das redes elétricas”, completa a especialista.

Fonte: Midiamax