Governador afirma que quase metade dos alunos do ensino médio já faz formação profissional no contraturno e propõe ampliar a escola em tempo integral para o ensino fundamental
Terminar uma graduação, comprar uma casa, ver os filhos formados ou finalmente conseguir um pedaço de terra para chamar de seu. Os projetos mudam conforme a idade, a profissão e a trajetória de cada pessoa, mas têm algo em comum: dependem não apenas do esforço individual, mas também da existência de oportunidades capazes de permitir que planos adiados saiam do papel.
É nessa relação entre crescimento econômico, qualificação profissional, educação e mobilidade social que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, concentra parte de sua avaliação sobre os últimos quatro anos e das propostas para um eventual segundo mandato.
Segundo Riedel, quase metade dos estudantes do ensino médio de Mato Grosso do Sul já frequenta cursos profissionalizantes no contraturno escolar. Para o governador, ampliar a formação técnica ainda durante a educação básica é uma maneira de aproximar os jovens das oportunidades abertas pelo mercado de trabalho.
“A responsabilidade de olhar para o seu caminho, identificar o que está te travando e ajudar a abrir passagem é nossa”, afirmou Riedel ao defender que políticas públicas podem criar condições para que o esforço individual resulte em melhores perspectivas de renda e emprego.
A auxiliar administrativa Luciana Rêgo traduz essa expectativa em dois projetos simultâneos: concluir a própria formação e garantir que os filhos também estudem. “Meus planos é me formar, formar meus filhos”, resumiu.
Para Ana Paula da Silva, operadora de telemarketing, o objetivo é mais concreto: “Hoje seria uma casa”. Wesley Ramos, comerciante, pretende estudar medicina veterinária. Suzana Duarte, auxiliar de classe, quer assistir à formação dos filhos. “Acho que é o sonho de toda mãe, né?”, disse.
Há ainda projetos que atravessam diferentes momentos da vida. O açougueiro Valter Rodriguez gostaria de comprar uma pequena propriedade rural. “O meu sonho é ter uma chacrinha.” Já o comerciante Paulo Henrique Mendes pretende finalizar a graduação.
As histórias são diferentes, mas ajudam a colocar em escala cotidiana uma questão que atravessa políticas de educação, emprego, renda e assistência social: como transformar expansão econômica em possibilidade concreta de ascensão para quem trabalha e busca melhorar de vida.
Formação profissional busca aproximar trabalhadores das vagas abertas nas regiões
Além da educação profissional oferecida a estudantes do ensino médio, Riedel destaca programas de qualificação destinados a trabalhadores que procuram emprego ou querem mudar de ocupação.
A estratégia, segundo o governador, é organizar os cursos considerando a vocação econômica de cada região do Estado. A intenção é reduzir a distância entre a capacitação oferecida e as vagas geradas pela atividade econômica local.
“Pra quem sonhava com um novo emprego, oferecemos qualificação em massa. Os cursos atendem a vocação econômica de cada região do Estado, aproximando o trabalhador das novas oportunidades”, afirmou.
A lógica parte de um problema recorrente em períodos de expansão econômica: novas empresas e investimentos podem gerar postos de trabalho, mas parte deles exige conhecimentos técnicos que nem sempre estão disponíveis entre trabalhadores da própria região.
Para Riedel, qualificação e educação profissional são, por isso, instrumentos para ampliar as possibilidades de acesso a empregos de maior renda e construir trajetórias profissionais mais estáveis.

O governador sustenta que Mato Grosso do Sul alcançou posição de destaque nacional em mobilidade social e relaciona esse desempenho às oportunidades abertas nos últimos anos. No material fornecido, porém, não é apresentada a fonte estatística nem o período de referência desse indicador.
Na interpretação de Riedel, mobilidade social significa criar condições para que uma pessoa possa aumentar a renda, conquistar um emprego melhor e alcançar maior segurança financeira. “Aqui, as novas oportunidades podem mudar a sua trajetória. Na prática. Que é possível ganhar mais, ter um emprego melhor e viver com mais tranquilidade”, afirmou.
Tempo integral no ensino fundamental aparece como proposta para próximo mandato
Na educação básica, uma das propostas apresentadas por Riedel para um eventual segundo mandato é ampliar a escola em tempo integral também para o ensino fundamental.
A medida é defendida não apenas como política educacional, mas como uma iniciativa com impacto na rotina das famílias. Ao manter crianças durante mais tempo na escola, a ampliação pode atender especialmente pais e mães que trabalham durante o dia e enfrentam dificuldades para conciliar jornada profissional e cuidado dos filhos.
“Assim, as mães que não têm onde deixar os seus filhos podem ir trabalhar tranquilas”, afirmou o governador.
A proposta se soma à formação profissionalizante que, segundo Riedel, já alcança quase metade dos alunos do ensino médio no contraturno.
O governador também cita políticas de assistência destinadas a famílias em situação de maior dificuldade financeira, com apoio para alimentação e redução da pressão sobre o orçamento doméstico. A concepção apresentada é que a proteção social funcione como suporte em momentos de vulnerabilidade, enquanto educação, qualificação e geração de empregos ampliam as possibilidades de autonomia financeira.
Entre crescimento econômico e oportunidades individuais
Riedel reconhece, entretanto, que políticas públicas não eliminam as dificuldades individuais nem garantem automaticamente mudanças de vida.
“Eu não tô aqui pra vender sonhos ou promessas fáceis. Não existe fórmula mágica. Crescer na vida dá trabalho”, afirmou. Para ele, dedicação e persistência continuam sendo decisivas, mas devem encontrar um ambiente no qual existam oportunidades de formação, trabalho e aumento de renda.
Essa combinação entre responsabilidade individual e ação do poder público aparece como centro de sua visão administrativa. “Quem tá na luta todo santo dia não quer nada de mão beijada. Quer oportunidade, quer condição, quer saber que não está sozinho”, disse.
Riedel também afirma que a administração pública precisa reconhecer quando políticas ou decisões não produzem os resultados esperados. “Nem sempre as coisas dão certo na primeira tentativa. E quando não dá certo, a gente conserta e tenta de novo. Quantas vezes forem necessárias.”
Para pessoas como Luciana, Ana Paula, Wesley, Suzana, Valter e Paulo Henrique, os grandes indicadores econômicos acabam tendo significado apenas quando chegam à vida cotidiana: a possibilidade de estudar, melhorar de emprego, comprar uma casa, concluir uma graduação ou oferecer aos filhos perspectivas diferentes.
É justamente nesse ponto que o debate sobre mobilidade social deixa de ser apenas uma discussão sobre estatísticas. Para quem ainda precisa adiar projetos por falta de renda, tempo ou oportunidade, crescimento econômico ganha dimensão concreta quando aumenta a possibilidade de transformar planos pessoais em escolhas realizáveis.
Fonte: Assessoria

