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‘Às vezes mulher está tão fragilizada, que não percebe a violência que sofre’, diz secretária especial de Cidadania de MS

A análise foi feita nesta segunda-feira (3) pela secretária estadual de Cidadania de Mato Grosso do Sul, Luciana Azambuja, no ‘Papo das Seis’, do Bom Dia MS.

03/06/2019 12h10 – G1

“O ciclo de violência [doméstica] demora às vezes quase dez anos para ser rompido. Não podemos julgar essa mulher. Não podemos pré condenar essa mulher, porque às vezes ela está tão fragilizada, que não percebe a violência que sofre”. A análise foi feita nesta segunda-feira (3) pela secretária estadual de Cidadania de Mato Grosso do Sul, Luciana Azambuja, ao falar sobre a semana estadual de Combate ao Feminicídio, no “Papo das Seis”, do Bom Dia MS.

Luciana explicou que nestes casos, o papel do estado é primeiramente oferecer a essa vítima orientação e uma série de serviços, inclusive atendimento psicológico e social, para que ela se conscientize do problema que enfrenta e decida romper o ciclo da violência.

“Pode ser que da primeira vez ela não esteja forte o suficiente para levar a frente um processo e nós sabemos que um processo às vezes é demorado, e ela tem de expor sua vida, a sua intimidade a pessoas que nunca viu. Por isso, o governo tem o Centro de Atendimento a Mulheres em Situação de Violência, que oferece atendimento psicológico e social gratuito”, detalhou.

No centro, a secretária comenta que as mulheres que decidiram romper o ciclo da violência mas não querem formalizar uma denúncia contra o agressor, contam as ferramentas para retomarem suas vidas.

“Às vezes a mulher quer romper com a violência, mas não quer o companheiro, o pai dos seus filhos preso. Então vai ao CEAM e sem medida protetiva, sem boletim de ocorrência ela é atendida por uma equipe de psicólogas especializadas. […] Então, ela optou por romper o ciclo, se separa, mas não quer denunciar. Recebe encaminhamento para o mercado de trabalho, para curso de qualificação”, relata.

Em contrapartida, se a vítima quer denunciar o agressor, a secretária especial comenta que no centro ela recebe encorajamento e orientação, além de auxílio para pedir medida protetiva, o afastamento do agressor do lar, requer a guarda dos filhos e se mulher ainda não tiver para onde ir, como, por exemplo, a casa de familiares ou amigos, é encaminhada para uma casa abrigo.

“Funciona em um local sigiloso [casa abrigo]. As mulheres ficam lá um tempo, até se reerguerem, até se reconstruírem e nesse meio tempo a equipe psicossocial vai buscando contatos, porque às vezes essas mulheres perderam o contato com seus familiares”.

Veja abaixo a entrevista com a secretária especial de Cidadania de Mato Grosso do Sul:

https://globoplay.globo.com/v/7662897/

Secretária estadual de Cidadania de Mato Grosso do Sul, Luciana Azambuja, no 'Papo das Seis', do Bom Dia MS. — Foto: Átilla Eugênio/TV Morena