19 C
Ponta Porã
quinta-feira, 22 de outubro, 2026

STF aceita denúncia e senador Valdir Raupp vira réu na Lava Jato

08/03/2017 06h40

A maioria dos ministros seguiram o entendimento do relator, Edson Fachin, que afirmou que discussão sobre lavagem de dinheiro por meio de doação contabilizada deveria ser discutida no mérito da ação penal

Congresso em Foco

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, julgou procedente acusações contra o deputado Valdir Raupp (PMDB-RO) no inquérito que investigava envolvimento do parlamentar no esquema de corrupção na Petrobras. Com a denúncia aceita, de investigado o senador passa à condição de réu pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. No âmbito da Lava Jato, essa é a quinta denúncia aceita pela Corte. No entanto, o senador já é réu em outras três ações penais envolvendo outras acusações.

O impasse durante o julgamento surgiu sobre a questão do repasse ter sido realizado de forma legal, por meio de doação eleitoral contabilizada. Em seu voto, o ministro Dias Toffoli defendeu que a denúncia fosse aceita apenas pelo crime de corrupção. Para o magistrado, o Ministério Público não apontou ato que mostrasse que a doação eleitoral recebida pelo parlamentar era lavagem de dinheiro para disfarçar pagamento de propina.

No entanto, o relator da ação no STF, ministro Edson Fachin, que herdou os processos da Operação Lava Jato após a morte do ministro Teori Zavascki, afirmou que a questão deveria ser discutida no mérito da ação penal. Com esse entendimento, Fachin foi seguido pela maioria.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na denúncia apresentada em setembro do ano passado, há indícios de que Raupp recebeu R$ 500 mil em doações eleitorais quando disputava uma cadeira no Senado, em 2010. Apesar de contabilizados, os repasses feitos pela empreiteira Queiroz Galvão tiveram origem em fraudes contratuais na estatal petrolífera.

Presente na sessão desta terça-feira (7), a subprocuradora-geral da República, Ela Wiecko, defendeu que doação legal não afasta lavagem de dinheiro. Último a votar, o ministro Gilmar Mendes acolheu a denúncia contra o senador, mas rejeitou acusações contra dois assessores do parlamentar. As investigações apontavam que Raupp intermediava interesses de empresas privadas junto à Petrobras com a ajuda de uma assessora. Ainda de acordo com a PGR, um cunhado de Raupp estava encarregado por assinar recibos eleitorais.

Com a decisão, o senador passa a ser réu pela quarta vez na Corte.Foto: Agência Brasil