Ponta Porã, Quinta-feira, 20 de julho de 2017
15/07/2017 17h

Artigo: A cada momento, um grito e uma mentira!

Por: Jose Alberto Vasconcellos

Divulgação: Dora Nunes
 
 

A cada momento, uma mulher apresentando uma lesão, diz que tropicou no gato; que cochilou e caiu do vaso sanitário; que bateu a cabeça num galho do tomateiro, ou que assustou-se com uma barata e perdeu o equilíbrio.

A cada momento, ouve-se o enigmático grito de uma mulher: não se sabe se foi por medo da tal barata, pela visão de coisa do outro mundo, ou de alegria por ter encontrado a receita do bolo da vovó, que estava perdida.

A cada momento num lar, acontecem coisas com uma mulher, que nunca são esclarecidas pelas autoridades, a fim de apurar a veracidade da versão relatada, à vista dos hematomas que ela traz no corpo.

A cada momento, a curiosidade insatisfeita deduz por conta própria: teria sido grito de alegria? Teria sido por medo de um rato? Ou teria sido pela sevícia praticada pelo companheiro? A mulher sempre conta uma mentira, para encobrir a crueza da verdade!

A cada momento, a curiosidade recrudesce: — Foi o gato, outra vez, que causou-lhe esse estrago? Cansada de apanhar do marido e de mentir, resolve, finalmente, desonerar o bichano, o rato, a barata, o galho do tomateiro e o vaso sanitário de qualquer culpa. Até a assombração, que dizia ter visto e asseverava ser o espírito do pai, que morreu clamando por mais um gole, era invenção.

A cada momento, uma mulher decide que chega de apanhar do companheiro, e, finalmente, confessa o longo sofrimento vivido por conta da truculência daquele que deveria protegê-la. Dita a verdade, sente que o sol acabou de nascer, que o mundo está mais claro, que os pássaros gorjeiam e que a personalidade perdida, renasce orgulhosa. Orgulhosa de ser gente, de ser mulher novamente! Eliminada a opressão covarde e truculenta que a sufocava, respira novamente. Emocionada, chora vertendo lágrimas de felicidade! Sente agora que é, realmente, filha de Deus. A escuridão ficou para trás.

A cada momento, reencontrada a liberdade e recuperado o respeito, resplandece uma nova vida, com a alegria de ser livre para ir e para voltar; para decidir, para atender a própria vontade e para fazer ou não fazer! Foi-se o tempo da subserviência, do medo e da renúncia forçada. Um mundo melhor existe! A solidariedade humana existe! A vida deve ser alegre e livre, sem imposição pela truculência! Um mundo melhor está lá fora! Agora livre, sente a vontade de gritar para o mundo: — Renasci! Não tenho mais medo! Estou viva! Sou feliz! Ressurge o amor próprio, distante do álcool, das drogas e da ignorância que forjam as mais abomináveis taras, que massacram e anulam as pessoas, filhas de DEUS!

São MOMENTOS de sofrimento, que se perpetuam para a mulher, até que ela tenha coragem de contar ao mundo seu sofrimento. A coragem da mulher confessando a verdade, é a única via que pode restituir-lhe a liberdade, a personalidade e o orgulho de ser mulher, de ser gente!

O problema que afeta milhões de lares, cobra CORAGEM DA MULHER QUE APANHA DO MARIDO, PARA QUE CONTE A VERDADE! Que dê um basta à truculência gratuita. Que grite a verdade para que todos ouçam e ELE SINTA VERGONHA DA SUA COVARDIA.

Como filha de Deus, seguramente receberá ajuda por força do sentimento de solidariedade, que mantém o equilíbrio social. Furtivamente egressa do lar, frágil e perdida, tendo como companhia apenas a prole faminta, a mulher precisa de apoio, precisa contar com imediata ajuda, indispensável para que sobreviva, livre das surras e das ameaças do marido, o qual teve a coragem de abandonar, mas que o tem atrás de si, com promessas de morte.

Nesses casos, verifica-se a patente inércia das autoridades, que apenas prestam-se a lavrar o BO pelas surras e depois o BO pelo assassinato da reclamante, nada mais.

Moral da história: a mulher precisa escolher bem o homem com quem vai casar-se, para não incorrer no erro de personalidade e transformar-se em vítima de uma tara mórbida, que vai transformar sua vida num inferno, ainda com a possibilidade de ser assassinada, para satisfazer, completamente, a ignorância e a demência daquele homem, que um dia ela amou e escolheu para marido!

08.01.2017 (4395) Membro da Academia Douradense de Letras

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

Envie seu Comentário