Ponta Porã, Quinta-feira, 26 de abril de 2018
30/09/2017 05h50

Hipocrisia, é o diagnóstico por José Alberto Vasconcellos

O governo, confuso e inoperante, não tem nenhum programa sério para recuperar viciados e combater o tráfico.

Divulgação (TP)
 
 

Esclarece a Enc.Veja Larousse: "HIPOCRISIA s.f. (gr. hypokrisia) 1. Vício que consiste em aparentar uma virtude, um sentimento que não se sente. 2. Fingimento, falsidade." Assim, visto o real sentido de hipocrisia, abordemos a questão relacionada ao tráfico e o consumo de entorpecentes, mais precisamente da cocaína, pela parcela social com melhor poder aquisitivo, porque é uma porcaria cara!

Os alucinógenos, constituídos pela cocaína, maconha, craque e outras porcarias rolam pelos narizes e beiços de uma multidão incontável de brasileiros — o apresentador Datena, no programa "Brasil Urgente", na Band, (25.09.2017),afiançou que o Brasil é o 2º maior consumidor de cocaína do mundo — o que explica as apreensões que eram feitas em quilogramas, agora é em toneladas e mais toneladas! O Progresso, ed. hoje 25.-9.2017, noticia a apreensão de 419 kg. de cocaína, avaliada em R$ 12 milhões. O pó é fabricado para "gente grande", que possui recursos financeiros, tanto no Brasil como nos países do primeiro mundo, onde é largamente consumido.

Em quaisquer circunstâncias — fácil ou complicada — o narcotraficante leva consigo respeito e discrição pelos negócios com seus clientes, sempre atendidos com presteza, para que tenham o "material" que os leva ao paraíso, onde tudo é possível.

Quem são os "colarinhos brancos" que consomem a cocaína? São pessoas de poder aquisitivo, bem colocadas no seio social, que promovem saraus e surubas esponjadas no pó da cocaína; gente que, hipocritamente, clama contra a violência urbana, "abomina a corrupção política", protesta contra o atraso em que se encontra o país e... regularmente, enfia o focinho na cocaína. Fomenta o grande tráfico e o conseqüente desarranjo social, decorrente do uso desse entorpecente.. O estudante, remediado financeiramente, fuma maconha, atualmente apreendida em toneladas. O Craque e outros alucinógenos baratos, patrocinam a "Cracolândia", onde encontra-se o mais baixo e degradante ajuntamento de viciados, ambiente deprimente e assustador, onde uma multidão de viciados encontra-se no estágio final da vida.

Esses miseráveis, no último estágio da degradação humana, conseguem alguns trocados para sustentar o vício, assaltando mulheres para tomar bolsas e celulares, tênis de estudantes e aposentadorias dos idosos. Moram nas calçadas, usam a rua como latrina e incomodam, acintosamente, a sociedade. Essa pústula social que a todos incomoda, deve ser debitada aos magnatas que consomem cocaína e sustentam os grandes e organizados sindicatos do tráfico, que capitaneiam a massa dos pequenos traficantes que cobrem todos os espaços.

Esses consumidores de cocaína, indiretamente, são os responsáveis pelos furtos crescentes de veículos, usados na troca pelas drogas; assim como a prática de outros crimes pela ralé viciada, para custear o vício.

A imprensa e a repressão policial aludem-se tão só aos traficantes como únicos culpados. Na realidade há uma SIMBIOSE entre o TRAFICANTE que fornece a droga e o CONSUMIDOR hipócrita, pessoa abonada financeiramente, embutida no seio da alta sociedade, QUE A COMPRA!

O governo, confuso e inoperante, não tem nenhum programa sério para recuperar viciados e combater o tráfico, principalmente nas fronteiras, porta de entrada das porcarias. A sociedade assustada e desprotegida, convive com um grande número de bandidos impunes, abonados pelas leis obsoletas aplicadas pela Justiça; e uma massa de drogados alienados e estupradores que circulam livres, aterrorizando a sociedade.

Impõe-se aos cientistas sociais, em vista do desarranjo que ameaça a sociedade, estudar e definir com o governo, programas sérios e de conteúdo, para solucionar essa situação, fomentada pela hipocrisia de uma classe privilegiada, que se faz de sonsa, enquanto custeia o crime do narcotráfico, que a todos prejudica.

25.09.2017 (4490) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)

Envie seu Comentário