Ponta Porã, Segunda-feira, 23 de abril de 2018
25/04/2016 07h50

Audiência total por Waldir Guerra

Essa capacidade de comandar com destemor muito bem demonstrado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha

Por: Tião Prado
 
 

Assim que a Câmara dos Deputados iniciou a Sessão para votar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, TVs e rádios tiveram uma das maiores audiências no domingo passado, dia 17 de abril. O país todo se ligou naquela Sessão da Câmara dos Deputados. Audiência total assim somente com jogos da Seleção Brasileira e não em qualquer partida, mas aquelas pela Copa do Mundo.

Desculpe caro leitor, mas já que comecei comparando aquela Sessão com o futebol, vamos lá: O início nervoso da reunião, com um número enorme de deputados cercando a Mesa da Presidência: deputados contrários tentando dificultar o início dos trabalhos; deputados favoráveis ao impeachment amontoados ao redor do relator e do próprio presidente. Um grande tumulto formou-se já no começo da Sessão, daí sou levado a comparar também aquele momento a um jogo da Seleção quando ela inicia mal arrumada em campo e a gente começa dizendo: assim não vai dar certo; essa partida não vai acabar bem.

Em poucos minutos, e devagar, a sessão na Câmara dos Deputados recomeça, agora conduzida bem ao gosto dos espectadores que passaram a admirar a habilidade da presidência da Mesa Diretora na maneira simples, mas firme de conduzir os trabalhos. E foi assim até o seu final, quando foi proclamado o último voto – (nesse momento me vem à memória o histórico ano de 1958 para o futebol brasileiro quando o Brasil sofreu o primeiro gol e Didi apanhou a bola; colocou-a embaixo do braço; caminhou firme para o meio do campo; colocou a bola no chão; reorganizou os jogadores e a Seleção acabou goleando a Suécia por 5 X 2. Assim, a Seleção Brasileira foi Campeã mundial pela primeira vez).

A votação continuou e sempre bem conduzida pelo presidente e você que sabe quanto esse assunto foi bem discutido antecipadamente na Câmara dos Deputados, certamente relevou a euforia pessoal de cada deputado ao proclamar seu voto, mesmo quando houve certo exagero.

Essa capacidade de comandar com destemor muito bem demonstrado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, agora é reconhecida até mesmo por seus adversários políticos. Acredito ser bem difícil que exista hoje algum outro político com capacidade de comandar um processo como este que a Câmara dos Deputados impôs à presidente Dilma Rousseff. Desculpe, mas não vejo ninguém com o destemor demonstrado por ele.

Sabe por que digo isso? Porque essa derrota não foi apenas sobre a presidente Dilma, mas depois de concluído o Impeachment será o desmonte desse governo todo e... por que não? Do lulopetismo também.

A presidente com sua arrogância – bem mais exacerbada após a reeleição – errou ao se apoiar em articuladores radicais (Mercadante e demais aloprados) e decidiu enfrentar o deputado Eduardo Cunha quando da eleição para presidir a Câmara dos Deputados. Ao passo de cooptá-lo quis confrontá-lo e se deu mal – bem disse o deputado Roberto Jefferson: "Eduardo Cunha era imprescindível para esse papel; nesse momento é o bandido necessário e à altura de Lula para enfrentar a quadrilha lulopetista encastelada no Poder".

Porém, quanto a esse outro lado da personalidade de Eduardo Cunha, aquela de ter mentido aos seus pares. Ou às acusações de possuir contas secretas em bancos suíços, ou também, no desvio de recursos públicos, tendo em vista as provas nas mãos da Justiça, ele deverá responder, sim, por seus crimes. Assim como deverão responder TODOS os demais políticos acusados, inclusive a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, mesmo que continuem dizendo nada saber dessas roubalheiras dentro dos seus governos. Ainda mais agora com essa audiência total.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)

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