Ponta Porã, Quinta-feira, 19 de abril de 2018
06/06/2016 05h50

É o que temos no momento por Waldir Guerra

Mesmo que não houvesse crime praticado pela presidente Dilma, quem a afastou não foi seu vice, mas o Congresso Nacional e o STF.

Por: Tião Prado
 
 
Ex-deputado federal Waldir Guerra Ex-deputado federal Waldir Guerra

Quantas vezes saímos procurando alguma coisa muito necessária e recebemos uma resposta que além de nos desacorçoar ainda nos irritou: "é só o que temos pro momento".

Uma comparação um tanto esdrúxula, mas é o que acontece com o governo do nosso país hoje. Explicando: a presidente Dilma Rousseff precisa ser substituída, pois assim determina a nossa Constituição, já que o Congresso Nacional a está processando. Não importa que ela diga não ter cometido nenhum crime, ela precisa ser substituída. E para substituí-la o que temos para o momento é o vice dela, Michel Temer. Ponto.

Militantes e partidários da presidente Dilma promovem incessantes manifestações contrárias ao presidente em exercício e lhe fazem uma oposição ostensiva taxando-o de usurpador e golpista. Não aceitam seu governo de maneira alguma. Até no exterior tentam infamar seu governo.

Em um artigo no jornal Folha de São Paulo do dia 31/05/16, o respeitado professor Ives Gandra da Silva Martins desmascara as acusações que a presidente Dilma Rousseff e seu partido, PT, promovem aqui e lá fora a respeito do atual governo de Michel Temer – leia-o é muito esclarecedor:

(http://edicaodigital.folha.uol.com.br/index.html#/edition/31835?page=2&section=1).

Mesmo que não houvesse crime praticado pela presidente Dilma, quem a afastou não foi seu vice, mas o Congresso Nacional e o STF. Assim, se há um golpe contra seu governo ele estaria sendo praticado não por Michel Temer, mas pelos Deputados, Senadores e os Ministros do Supremo. Ou, melhor dizendo: pela Constituição brasileira, pois é ela que determina o seu afastamento.

Então, por que toda essa gritaria contra o vice? Afinal, o que propõem Dilma e os contrários ao governo interino? Que assuma o presidente da Câmara dos Deputados que seria o da vez na linha sucessória? Meu Deus, mas o atual é Waldir Maranhão que nem capacidade para dirigir uma sessão da Câmara ele tem. Imagine governar o país.

Querem, então, uma nova eleição? Por que não? Peçam ao TSE, protestem contra o Tribunal Superior Eleitoral, pois lá está a única maneira de haver uma nova eleição para presidente. Lá no TSE há processo que, se aprovado, anula a eleição da chapa Dilma/Temer de 2014. Nem Câmara dos Deputados, nem Congresso Nacional, nem mesmo o Supremo Tribunal Federal podem promover novas eleições porque a Constituição não permite. E é Isto o que temos para este momento. Ponto.

Colocada dessa maneira a situação atual do Brasil, agora só resta torcer pra que algumas coisas aconteçam: Primeiro, que neste curto espaço de tempo em que o presidente em exercício irá comandar o governo brasileiro consiga colocar o país em pé porque hoje está de joelhos.

Segundo: que militantes e partidários da presidente Dilma e que querem a recuperação do país se abstenham das manifestações. Os demais, especialmente aqueles que perderam suas boquinhas, até podem continuar fazendo manifestações contrárias porque, assim, o presidente em exercício Michel Temer poderá dizer: identificá-los-ei e demiti-los-ei.

Terceiro: torcer para que corruptos, ou mesmo tiriricas, não sejam eleitos nas próximas eleições para prefeitos e vereadores. E atenção: faltam apenas para que isso aconteça quatro meses. Então, novamente é hora de sair de casa e ir pra rua e lá votar em candidatos bons, pois é somente isso que você tem para fazer no momento.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)

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