Ponta Porã, Domingo, 21 de janeiro de 2018
29/10/2017 10h30

29 de outubro - Dia Mundial do AVC: doença é a primeira causa de incapacidade funcional do mundo

Acidente Vascular Cerebral atinge 17 milhões de pessoas em todo mundo a cada ano¹. Organização Mundial do AVC (WSO) estima que 70% dos pacientes terão alguma sequela funcional importante.

Divulgação: Dora Nunes
 
 

Os alertas emitidos por diversas entidades médicas internacionais para a conscientização da prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC ou derrame cerebral) justificam os fins quando pensado em prol da população. Independentemente da efeméride - 29 de outubro Dia Mundial do AVC -, o Acidente Vascular Cerebral precisa ser tratado com seriedade: o número de morte decorrentes do AVC superam o de câncer e infarto e, segundo a Organização Mundial da Saúde, 70% dos pacientes acometidos pela doença permanecerão com alguma sequela funcional significativa.

Segundo o neurologista Alexandre Longo, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e da Associação Brasil AVC (ABAVC), mais 17 milhões¹ de pessoas são atingidas anualmente pela doença e, no Brasil, 25% delas terão incapacidade grave².

"O tratamento deve acontecer, já na fase aguda, nas Unidades de AVC, onde o paciente permanece internado após a alta hospitalar, o que contribui para a recuperação das sequelas, com redução de 20% de óbitos e de incapacidade, quando comparados aos pacientes que não recebem o mesmo atendimento", diz o neurologista Alexandre Longo.

Em termos globais, o AVC representa a segunda causa de morte no mundo em pessoas acima dos 60 anos de idade e a quinta causa entre indivíduos de 15 a 59 anos. Pode também atingir crianças e recém-nascidos. No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares².

Atualmente, tem-se observado cada vez mais casos recorrentes em jovens adultos, atribuído a fatores comportamentais nocivos à saúde. Ao mesmo tempo, a grande incidência da doença tem aumentado a urgente necessidade de cuidados adicionais no pós-AVC, visando a reinserção do indivíduo à sociedade.

A principal causa de derrame é a hipertensão arterial não tratada de forma correta. A prevenção da doença consiste em ações simples, como controlar e medir regularmente a pressão arterial e seguir as orientações medicas, sobretudo pessoas que fazem uso de medicações indicadas. Reduzir o sal na alimentação, eliminar o tabagismo, praticar atividade física e evitar o estresse são fatores de prevenção igualmente importantes.

Quanto mais rápido for o socorro, menores as chances de sequelas

As recomendações¹ internacionais indicam que o reconhecimento dos sinais do AVC deve ser imediato e assertivo, dada a gravidade das sequelas, que dependerá do tempo de atendimento. Na categoria de doenças do sistema nervoso, o AVC como doença cerebrovascular é emergência médica: as sequelas são resultantes do tipo de procedimento realizado na internação hospitalar e da área do cérebro atingida.

Existem dois tipos de AVCs: o hemorrágico, em que ocorre o rompimento de artérias e sangramento no cérebro, e o isquêmico, com o entupimento das artérias, sendo responsável por 80% dos casos.

A importância da reabilitação pós-AVC

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o AVC é a primeira causa de incapacidade funcional no mundo, interferindo nas atividades de locomoção e fala, algumas vezes incapacitando o indivíduo em funções como se vestir e comer sozinho.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que morreram no país, aproximadamente, 100 mil pessoas em 2014. No mesmo período, mais de 180 mil pacientes foram internados para o tratamento do AVC no Sistema Único de Saúde (SUS). A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)², inquérito epidemiológico de base domiciliar, avaliou o número absoluto estimado de pacientes com AVC e incapacidade por AVC: mais de 2 milhões de pessoas com AVC e 568.000 com incapacidade grave. A prevalência de AVC foi pontual, de 1,6% em homens e 1,4% em mulheres, e incapacidade de 29,5% em homens e de 21,5% em mulheres.

A vida pós-AVC continua e sua qualidade depende diretamente da reabilitação que permitirá ao indivíduo retomar gradativamente suas atividades cotidianas na medida da extensão das suas sequelas.

Para Alexandre Longo, da Associação Brasil AVC (ABAVC), a intervenção do paciente para a reabilitação deve ser multidisciplinar, formada por neurocirurgiões, neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, entre outros. "A interação entre estes profissionais é muito importante. O tratamento deve iniciar já na fase aguda nas Unidades de AVC, onde o paciente deve permanecer internado mesmo após a alta hospitalar", explica o neurologista.

Sequelas - O indivíduo acometido por um AVC poderá ter sequelas permanentes ou temporárias de acordo com a sua condição. Do total de pessoas acometidas por um AVC, 70% delas terá alguma sequela, cognitiva, de linguagem e/ou motora.

Frequentemente o paciente desenvolve espasticidade (comprometimento do tônus muscular e exacerbação dos reflexos de contração à movimentação) dos membros, perda de autonomia e dependência funcional. O comprometimento da função motora prejudica as tarefas de vida diária como alimentação, locomoção e os cuidados de higiene. Quando não tratada, causa contraturas, rigidez, luxações, dor e deformidades.

O tempo faz a diferença no processo de reabilitação, pois o tratamento iniciado de forma precoce aumenta as chances de recuperação do paciente e melhora de sua qualidade de vida. Deve-se estabelecer processos e integração multidisciplinar, com encaminhamento do paciente o mais breve possível para a reabilitação.

Cerca de 60% dos pacientes com comprometimento motor, ainda que brando, desenvolverá contração muscular excessiva (denominada espasticidade) no lado afetado no primeiro ano, o que pode levar à dor e posturas anormais com prejuízo na sua funcionalidade e cuidado.

A evolução da reabilitação pós-AVC com a ajuda da toxina botulínica A

Aprovada pela Anvisa para o tratamento de espasticidade desde 1992, a Toxina Botulínica A (Botox), indicada para a reabilitação, é injetada diretamente nos músculos afetados pela espasticidade e reduz a contração anormal pelo relaxamento destes músculos que, por sua vez, diminui tanto o tônus muscular quanto a dor associada.

A aplicação intramuscular da Toxina Botulínica A promove o relaxamento das fibras musculares, com consequente minimização das contrações involuntárias e/ou da rigidez excessiva, quando há limitação dos movimentos, principalmente, dos braços e das pernas. O relaxamento dos músculos é necessário para a aquisição de mais mobilidade, fundamental para a melhora da qualidade de vida dos pacientes, a fim de que realizem suas atividades cotidianas.

"A toxina botulínica A é considerada uma das formas de tratamento para a espasticidade após o AVC. Ela atua na redução da dor relacionada à contratura do membro, bem como no seu relaxamento. Isso permite também mais mobilidade para os exercícios indicados pelo fisioterapeuta", explica o neurologista soteropolitano Waldyr Rodrigues Jr., médico responsável pelo serviço de bloqueio neuromuscular do Hospital São Rafael, em Salvador (BA).

¹ Organização Mundial de AVC (WSO) - http://www.worldstrokecampaign.org

² Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) - http://bvsms.saude.gov.br/edicoes-2016/is-n-1/2213-acidente-vascular-cerebral

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