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sexta-feira, 12 de junho, 2026

Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita alerta para importância do diagnóstico precoce

Celebrado em 12 de junho, o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita busca chamar a atenção para uma condição que afeta milhares de crianças brasileiras todos os anos. As cardiopatias congênitas correspondem a alterações na estrutura ou no funcionamento do coração que se desenvolvem ainda durante a gestação e estão entre as malformações que mais causam mortes na infância.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30 mil bebês nascem anualmente com algum tipo de cardiopatia congênita no Brasil. Destes, aproximadamente 40% necessitam de intervenção cirúrgica ainda no primeiro ano de vida. A incidência é de cerca de um caso para cada 100 nascimentos.

De acordo com a cardiologista pediátrica Dra. Suellen Mota, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), vinculado à Rede HU Brasil, algumas cardiopatias são mais frequentes e exigem acompanhamento especializado desde os primeiros meses de vida.

“As cardiopatias mais comuns são a comunicação interventricular, a comunicação interatrial e a persistência do canal arterial. Em geral, essas condições não exigem cirurgia logo após o nascimento, mas precisam de acompanhamento contínuo e tratamento clínico. Já outros tipos de cardiopatias necessitam de correção cirúrgica nos primeiros meses ou anos de vida”, explica.

Fatores de risco

A origem das cardiopatias congênitas pode estar relacionada tanto a fatores genéticos quanto ambientais. Entre os fatores ambientais mais conhecidos estão doenças maternas, como diabetes, rubéola e lúpus eritematoso sistêmico, além da exposição a medicamentos ou substâncias com potencial teratogênico durante a gravidez.

A especialista ressalta ainda que a idade materna avançada pode aumentar o risco de alterações genéticas associadas a defeitos cardíacos, como ocorre em alguns casos da Síndrome de Down.

“Quando há diabetes gestacional, uso de determinados medicamentos ou histórico familiar de cardiopatia, é recomendado realizar o ecocardiograma fetal e manter um acompanhamento pré-natal rigoroso”, orienta.

Segundo a médica, a prevenção de parte dessas alterações cardíacas passa pelo adequado acompanhamento da gestação, incluindo controle de doenças maternas, revisão de medicamentos utilizados e adoção de hábitos saudáveis.

Exames ajudam na identificação precoce

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Entre os exames utilizados para identificar cardiopatias congênitas estão a triagem neonatal por oximetria de pulso — conhecida como teste do coraçãozinho — realizada entre 24 e 48 horas após o nascimento, além do exame físico cardíaco, eletrocardiograma, radiografia de tórax e ecocardiografia.

“Para confirmar o diagnóstico é necessário realizar o ecocardiograma. Durante a gestação, o exame indicado é o ecocardiograma fetal. Após o nascimento, utiliza-se o ecocardiograma transtorácico. Em situações específicas, podem ser necessários exames complementares, como angiotomografia ou cateterismo”, explica Dra. Suellen.

Tratamento e acompanhamento especializado

As opções de tratamento variam de acordo com o tipo e a gravidade da cardiopatia. Em alguns casos, medicamentos são suficientes para controlar sintomas e estabilizar o quadro clínico até o momento mais adequado para uma intervenção. Em outros, procedimentos por cateterismo ou cirurgias cardíacas tornam-se necessários.

“Existem tratamentos clínicos e medidas de suporte que ajudam a manter o paciente estável até o melhor momento para a cirurgia, que pode ser corretiva ou paliativa, dependendo das características da cardiopatia”, afirma a especialista.

Entre as medidas utilizadas estão medicamentos para controle da insuficiência cardíaca, como diuréticos, betabloqueadores e outros fármacos específicos, além de cuidados complementares conforme a necessidade de cada paciente.

A médica destaca que o cuidado com crianças cardiopatas não termina após a cirurgia. O acompanhamento contínuo com especialistas é fundamental para monitorar a evolução clínica, ajustar medicações e identificar precocemente possíveis complicações ou a necessidade de novas intervenções.

Sobre a HU Brasil

O Humap-UFMS integra a Rede HU Brasil desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a rede reúne 45 hospitais universitários federais distribuídos em 25 unidades da federação. Em 2026, a antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) passou por um reposicionamento institucional e adotou o nome HU Brasil, reforçando sua atuação na assistência à saúde, ensino, pesquisa e formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS).