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sábado, 19 de setembro, 2026

Inteligência artificial: o dilema europeu entre crescimento e desigualdade

A inteligência artificial (IA) apresenta um cenário de dupla face para a Europa, com potencial para impulsionar a produtividade em até 1% nos próximos cinco anos, mas também com riscos significativos de aprofundar desigualdades, sobrecarregar infraestruturas energéticas e aumentar a dependência tecnológica de potências estrangeiras. A constatação é de um documento do Fundo Monetário Internacional (FMI), que alerta para a necessidade de uma maior integração econômica entre os países do bloco.

Elaborada para uma reunião informal de ministros das Finanças da União Europeia, a nota técnica do FMI destaca que os benefícios e os custos da IA tendem a ser distribuídos de maneira desigual entre nações, regiões e trabalhadores. O aprofundamento do mercado único europeu é apontado como uma medida crucial para garantir que a adoção da IA e seus ganhos sejam mais uniformes entre os 27 estados-membros.

O documento ecoa preocupações já levantadas por figuras proeminentes, como o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e a própria Comissão Europeia, sobre como a fragmentação dos mercados de capital, trabalho e energia na Europa está inibindo investimentos e a inovação.

Estima-se que cerca de 60% dos trabalhadores nas economias europeias avançadas estejam em ocupações com alta exposição à IA. Enquanto algumas funções podem se tornar mais eficientes com o auxílio de ferramentas de IA, outras correm o risco de serem substituídas pela automação de tarefas rotineiras, especialmente em empregos onde a IA tem maior potencial de substituir do que de complementar a mão de obra humana.

Um dos pontos de atenção é o consumo de energia. Os centros de dados na Europa já respondem por aproximadamente 3% da eletricidade consumida no continente, e essa demanda deve crescer expressivamente com a expansão do uso da IA. Grandes polos tecnológicos como Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin estão entre as áreas mais vulneráveis, com a concentração de data centers já exercendo pressão sobre as redes elétricas locais.

Para mitigar esse impacto, o FMI sugere investimentos em infraestrutura de rede transfronteiriça e um aprofundamento na integração do mercado europeu de energia.

Adicionalmente, o FMI adverte sobre o risco de a Europa desenvolver uma nova dependência estratégica, dado o domínio de Estados Unidos e China no desenvolvimento de modelos de IA. O documento ressalta a necessidade de investimentos substanciais no próprio setor de IA europeu para evitar essa vulnerabilidade. Os ganhos econômicos advindos da IA também devem ser distribuídos de forma desigual, com as economias mais desenvolvidas possivelmente colhendo benefícios desproporcionais por estarem mais preparadas e expostas à tecnologia.