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quarta-feira, 29 de maio, 2024
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Artigo: A Abjeção do Opróbrio

Rosildo Barcellos


Um dos momentos divinos do norte do país é quando nossos olhos chegam perto do encontro das águas. Lá a presença de Deus é evidente. Os rios Negro e Solimões não se misturam, apesar de caminharem juntos, a harmonia da natureza transcende em decorrência das diferentes temperatura e velocidade, de uma e de outra. O Rio Negro é mais quente, menos denso e mais ácido, porque ele corre em uma área de formação geológica mais antiga. Ao seu lado, Solimões majestoso flui com ternura fraterna. E um dos assuntos que são recorrentes na pauta das discussões, No entanto, nos nossos tempos  de internet, estamos perdendo as perspectivas de construção de uma convivência humana irmanada; cada vez mais ganham destaque outros ditados como: “Cada um por si e Deus por todos”, e infelizmente essa premissa tem causado mais problemas que soluções.

É o que tentamos mudar nesse “Maio Amarelo”, em sua décima edição. Lembro da obra de Terêncio, comediógrafo latino do século 2 a.C., na qual se relata a história, ocorrida em Atenas, de um vizinho  que se intromete na vida dos outros sem perceber que coisas piores estão acontecendo ao seu redor. Como justificativa para os  inoportunos palpites que dava, esse vizinho fala: “Homo sum: humani nil a me alienum puto”, isto é, (Nada do que é humano me é estranho).  A Campanha do Maio Amarelo reforça a nossa responsabilidade no trânsito, tanto como pedestres quanto como condutores. Ou seja : Todos. Por isso, não esqueçam: PEDESTRE: sempre utilize as passarelas, faixas elevadas e faixas de pedestres. CONDUTOR: respeite as sinalizações e cuidado com os vulneráveis no trânsito. Em algum momento, todos nós estaremos no lado vulnerável do trânsito.

Ressalto também os exemplos históricos. No Congo do século XIX, Hutus e Tutsis se misturavam e tendiam a se tornar um único povo, quando de repente o colonizador belga resolveu impor cotas em empregos e na educação. Foram concedidos documentos raciais diferentes para os dois povos, que começaram a desenvolver processos de afirmação étnica por oposição entre si. 

Passou o tempo e Ruanda, que era um dos menores e mais pobres países do mundo, transformou-se no terceiro país africano que mais importava armas. Entre janeiro de 1993 e março de 1994, graças ao financiamento francês, o país conseguiu da China mais de 580 mil machetes a preço de liquidação. Sedimentou-se assim um dos episódios mais bárbaros da história da humanidade culminando em 1994, quando em apenas três meses mais de 800 mil pessoas foram chacinadas em sua maioria a golpes daqueles machetes adquiridos. Do processo de independência de Ruanda até o genocídio, os conflitos étnicos foram frutos da disputa política dentro do país e resultaram no produto das decisões de se diferenciar as pessoas. E o Maio Amarelo é justamente o contrário. É unir todos os esforços em prol de um ideal, reduzir mortes no trânsito e para isso todos devem estar juntos, com o pensamento de ofertar a cortesia no trânsito e sobretudo estar, do mesmo lado da trincheira.

*Articulista