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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Ataque à caravana de Lula é investigado como disparo de arma de fogo com dano, diz delegado

28/03/2018 16h10

Caso ocorreu na terça (27) no Paraná. Delegado responsável pelo caso negou afirmação de adjunto sobre tentativa de homicídio e participação de dois suspeitos.

G1

O delegado da Polícia Civil Hélder Lauria disse nesta quarta-feira (28) que investiga o ataque à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná como disparo de arma de fogo com dano provocado.

Na terça, o delegado adjunto de Laranjeiras do Sul Fabiano Oliveira chegou a dizer que o caso estava sendo investigado como tentativa de homicídio, e que pelo menos dois suspeitos estariam envolvidos.

Ao G1, Lauria, que é titular da delegacia, negou as declarações do adjunto. Ele disse que as informações foram dadas de maneira desencontrada. “As informações são superficiais e não condizem com a realidade da investigação”.

Já o procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto disse que determinados atos contra a caravana podem vir a ser qualificados como “tentativa de homicídio”. Ele citou o termo ao ser questionado nesta manhã sobre a diferença entre os episódios de violência recentes (os tiros, o arremesso de ovos e os ataques nas redes sociais). O procurador respondeu que há tipos penais específicos para cada crime.

“Há tipos penais específicos em relação à incitação do crime e há muito disso nas redes sociais. Por outro lado, há a apologia dos crimes que já foram praticados. Há as ações concretas, direcionadas à prática de lesões corporais, quando se quer estourar os pneus de um ônibus. Pode, enfim, lesionar até a tentativa de homicídio porque os atos podem culminar com a morte de alguém, assumindo-se o risco, portanto, de produzir a morte”, explicou Sotto Maior Neto.

Tiros e repercussão

O ataque ocorreu na tarde desta terça-feira (27) quando os dois ônibus da caravana seguiam de Quedas do Iguaçu, no oeste do estado, para Laranjeiras do Sul, na PR-473. Ambos os veículos foram atingidos. Um dos ônibus levava convidados e, outro, transportava jornalistas do Brasil e do exterior.

Ninguém ficou ferido. No momento dos disparos, Lula estava dentro da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul.

Nesta manhã, o presidente Michel Temer criticou o ataque, afirmando que foi uma “pena” que tenham ocorrido os disparos. Segundo o presidente, o fato cria um clima de “instabilidade”.

Lamento o que aconteceu com a caravana do ex-presidente Lula. Desde quando assumi o governo, venho dizendo que nós precisamos reunificar os brasileiros. Precisamos pacificar o País. Essa onda de violência, esse clima de ‘uns contra outros’ não pode continuar.

Em seu perfil oficial no Twitter, o ex-presidente Lula repudiou a sequência de atos violentos. “A nossa caravana está sendo perseguida por grupos fascistas. Já atiraram ovos, pedras. Hoje deram até um tiro no ônibus”, informou o post. Presidenciáveis também lamentaram o ataque à caravana.

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta quarta, em sua página oficial no Twitter que “o que aconteceu ontem no Paraná foi um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político e isso é inadmissível numa democracia”.

Status da investigação

A Polícia Civil afirmou que foram pelo menos três disparos contra os veículos e que em um dos veículos há um tiro de cada lado. Na terça, o Partido dos Trabalhadores (PT), também disse que foram três disparos e que ninguém ficou ferido.

“As investigações são prematuras ainda. Nós tomamos alguns depoimentos. A perícia foi ao local e fez a perícia no ônibus e nós não recebemos ainda o laudo porque o perito ainda tem um tempo para deixar pronto”, disse o delegado.

A Polícia Civil disse ainda que cogita a possibilidade de um quarto tiro no retrovisor de um dos veículos, mas disse que só a perícia poderá confirmar.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), disse que um inquérito policial foi aberto para apurar as circunstâncias do fato e que duas equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) estão na cidade de Laranjeiras do Sul para ajudar nas investigações. (Veja a íntegra da nota no final da reportagem.)

Episódios de violência

A caravana de Lula pelo Sul tem registrado episódios de violência. No domingo (25), ovos e pedras foram arremessados contra o palanque em que o petista estava em São Miguel do Oeste (SC).

Segundo o jornal “O Globo”, o ex-deputado Paulo Frateschi, que estava ao lado de Lula, foi atingido e teve de ser levado para o hospital com um ferimento grave na orelha, mas passa bem.

Antes, manifestantes jogaram pedras e ovos contra a comitiva do ex-presidente na chegada à cidade.

Na tarde de segunda-feira (26), um repórter do jornal “O Globo” foi agredido por um segurança de Lula, durante cobertura de uma manifestação contrária ao petista em Francisco Beltrão. Ao veículo, a assessoria do PT informou que lamentava o ocorrido.

Ônibus da caravana de Lula foi atingido por tiros no Paraná, diz assessoria (Foto: PT/Divulgação)

Ataque à caravana de Lula é investigado como disparo de arma de fogo com dano, diz delegado