Tião Prado

Tião Prado

O então ministro Luís Henrique Mandetta, no mês de março de 2020, disse: “Chegará um momento nesta pandemia do covid-19 que não importa quem tem dinheiro ou não, porque não teremos local para internar tantos pacientes e poderemos ter mais de 400 mil mortos”.

Pois é, neste momento essa previsão está acontecendo em todos os estados e principalmente no Mato Grosso do Sul, depois de termos pacientes transferidos para Rondônia, Espírito Santo e agora São Paulo,onde neste domingo, o número de pessoas à espera de vagas chegou a 251.

Só no mês de junho o estado já registrou 10.834 casos positivos de Covid.

As transferências de sul-mato-grossenses para outros estados começaram na quarta-feira (2). Uma paciente de Bonito foi encaminhada para Porto Velho, em Rondônia. O estado havia oferecido 10 leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) ao governo de Mato Grosso do Sul.

Na sexta-feira (4), mais 7 pacientes de Dourados seguiram para Rondônia e, no sábado (5), mais um caso grave, desta vez do município de Itaquirai que foi enviado para o estado, totalizando nove transferências.

A nova leva de transferências desta vez para São Paulo, ocorre após uma reunião da equipe do governo do estado com representantes de várias instituições e dos ministérios da Saúde e da Defesa.

Além dos três pacientes transferidos neste domingo (6) para a capital paulista, a Central Estadual de Regulação está levantando junto aos municípios da microrregião de Campo Grande outros pacientes elegíveis para a transferência nesta semana.

Estivemos  em Amambai e o que se houve falar é que a cidade está a beira do caos, cada dia mais mortos são registrados, seja nas UTIs da região ou no próprio hospital Regional da cidade, que tem uma pequena estrutura de respiradores e oxigênio para dar o primeiro atendimento aos moradores, acometidos pelos vírus.

Uma pessoa influente na cidade chegou a dizer que se o Dr. Bandeira não fosse um prefeito e um médico dedicado, teria-se muito mais mortos pelo Covid na cidade e que os problemas com oxigênio são constantes, pois o caminhão que faz a entrega chega a fazer uma viagem por dia para atender a demanda. Antes o caminhão levava oxigênio até a cidade apenas uma vez por semana.

Em Ponta Porã não é diferente. Todos os dias o boletim da Secretaria de Saúde trás o registro de novos casos. No último temos o registro de 8.130 casos confirmados, 6.542 recuperados, 327 aguardando o resultados, 279 em isolamento domiciliar e 204 óbitos registrados.

Internados na UTI tem 40 pessoas, 39 de Ponta Porã e uma de Amambai, a qual é nossa amiga de longa data e a família está muito preocupada com a recuperação dessa pessoa. Na clinica médica tem 28 pacientes, todos de Ponta Porã.

Pasme!!!  Foi registrado 107 novos casos e tivemos um óbito, isso no boletim do dia 5 de junho, pois neste domingo  não teve boletim. Sem duvida nenhuma,  nesta segunda-feira (7), os números serão outros.

Todos travam uma batalha dura e árdua contra o covid. Médicos e enfermeiros da linha de frente, prefeitos, secretários e outras pessoas ligadas a saúde e vamos lembrar que  tem muita gente que se importa com essa situação em que estamos vivendo.

Temos visto que apesar dos pedidos e até exigências, os jovens continuam se aglomerando e fazendo festas como se não houvesse amanhã, ou como se o vírus não causasse tanto estrago como tem feito. Infelizmente, o momento não é de festa. Ao que parece, o  mundo está de luto, mas a dor do outro parece não estar afetando algumas pessoas. A empatia ficou para trás.

É muito triste abrir ou ver uma rede social e ver a foto de um amigo, um parente ou alguém que a gente conhece, embaixo das sinistras letras pretas escritas ‘NOTA DE FALECIMENTO’.

Eu mesmo postei nas minhas redes socais, a perda do José Donizeti Cardoso, o Bem-te-vi, filho do Chico Manaus lá em Nova Andradina, na sexta-feira (4). No sábado perdemos a amiga de longa data, Dona Alzemira Bitencourt, mãe do amigo e Apóstolo Cleber Tairone Bitencourt de Amambai. Neste domingo (6), o amigo professor Adir Teixeira, pessoa muito estimada em Ponta Porã no mundo escolar e na política. E fica a espera agonizante na torcida de que os conhecidos e todos os outros acometidos por essa doença, se cure, se restabeleça, volte para o convívio de sua família.

A vacina, que promete a cura esta aí, sendo aplicada a conta gotas em nossa população e até mesmo a vacina é motivo de discórdia entre os governos de São Paulo e o Federal, mas existe muitas promessas de que muitas vacinas estão vindo e se Deus quiser, em breve, nossa população será vacinada em sua totalidade e ai as coisas podem começar a melhorar. Lembrando que a vacina não traz imunidade, somente uma chance do paciente não desenvolver o quadro clinico mais agressivo, mas não é 100%.

Agradeço a atenção das pessoas que tiraram um tempo para ler o nosso desabafo nessa coluna. Esse é o meu desabafo, minha dor.

Mas vamos crer no amanhã, num amanhã melhor.

Eu sou Tião Prado

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