O professor Victor Manoel Fernandes Almada, de 57 anos, coordenador-geral em Ponta Porã da campanha do ex-prefeito Hélio Peluffo, candidato a deputado estadual, procurou a Polícia Civil depois de receber mensagens, áudios e sucessivas ligações que interpretou como ameaças relacionadas à sua atuação política.
Os contatos partiram de um número com código internacional do Paraguai. O caso foi registrado na noite de segunda-feira (21) como possível crime de ameaça. O responsável pelas mensagens ainda não foi identificado.
Segundo o boletim de ocorrência, os contatos começaram na sexta-feira (18) e continuaram durante o fim de semana. Victor Almada relatou que o interlocutor adotou comportamento intimidatório, fez várias ligações — algumas não atendidas — e enviou textos e áudios pelo WhatsApp.
Em uma das mensagens, o coordenador de campanha teria sido advertido a “pegar leve na política” para não sofrer “represália”. O autor dos contatos também teria escrito frases como “você nem sonha com quem está falando”, “amanhã vamos ver” e “o que vai passar contigo”.
Outra mensagem afirmava que Almada veria o que o interlocutor faria para que ele deixasse de “ser idiota”. As frases, acompanhadas de repetidas tentativas de ligação, aumentaram a sensação de medo e insegurança relatada pelo professor.
Referência ao crime
Victor Almada informou ainda ter recebido áudios nos quais o interlocutor teria empregado linguagem associada, segundo sua percepção, ao meio criminoso. Em uma das gravações, o coordenador seria “encaminhado para a disciplina”.
À polícia, Almada relatou participar ativamente da política e auxiliar uma campanha eleitoral. Ele acredita que as ameaças possam estar relacionadas ao trabalho desenvolvido na campanha de Hélio Peluffo, principalmente pelas referências diretas feitas pelo interlocutor à sua atuação política.
Apesar da suspeita, o professor afirmou não saber quem está por trás das mensagens nem ter condições de confirmar se o autor faz parte de alguma organização criminosa. A única informação disponível até o momento é que os contatos partiram, aparentemente, de uma linha telefônica do Paraguai.
Histórico de intimidação
A decisão de procurar a polícia também foi motivada por um episódio ocorrido durante uma campanha eleitoral anterior. Segundo Victor Almada, naquela ocasião ele sofreu grave intimidação praticada por homens armados.
Diante desse histórico, o coordenador decidiu não ignorar as novas ameaças. No boletim, declarou temer pela própria integridade física e pela segurança dos familiares.
Victor Almada entregou à Polícia Civil capturas de tela das conversas, registros das ligações e arquivos de áudio. O material deverá ser analisado na tentativa de identificar o usuário da linha estrangeira, esclarecer a motivação dos contatos e descobrir se outras pessoas participaram das ameaças.
A ocorrência foi enquadrada inicialmente no artigo 147 do Código Penal, que trata do crime de ameaça. A classificação poderá ser alterada caso a investigação encontre indícios de outros delitos.
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