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CPI do CIMI ouve pecuaristas e Paulo Corrêa pede convocação do Conselho Missionário

21/10/2015 14h20

Sobre os depoimentos dos pecuaristas, Paulo Corrêa ressaltou o desrespeito sofrido pela família durante as invasões.

Divulgação: Dora Nunes

No segundo dia de oitivas a Comissão Parlamentar de inquérito (PCI) do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) ouviu os pecuaristas Jussimara Barbosa Bacha e Ricardo Augusto Bacha, que em seus depoimentos relataram como ocorreram as invasões em uma de suas propriedades particulares, a Fazenda Buriti, que pertenceu à família Bacha por mais de 100 anos e que está em posse dos índios Terenas desde a última invasão, ocorrida em 2013.

Ricardo Bacha e Jussimara declararam acreditar e ter indícios de que o CIMI sempre esteve por trás das invasões. Frente às denúncias apresentadas hoje, o relator da CPI, deputado Paulo Corrêa, solicitou a convocação do ex-coordenador regional do CIMI em MS, Flávio Vicente Machado, para depor na CPI, além da convocação do CIMI para prestar esclarecimento sobre as aplicações financeiras.

Sobre os depoimentos dos pecuaristas, Paulo Corrêa ressaltou o desrespeito sofrido pela família durante as invasões. “Não tem nada mais chocante do que a imagem na parede do quadro queimado e da casa queimada, porque tinha um valor sentimental para a família. A pessoa ser tirada à bomba de sua casa para muitos é uma atitude super normal, mas isso na verdade é uma estratégia de guerrilha”, destacou o relator da CPI.

O CIMI foi fundado em Mato Grosso do Sul em 1979 e em um vídeo apresentado pelos depoentes, Flávio Vicente Machado aparece nas imagens e afirma que o objetivo do CIMI é apoiar os índios na luta pela terra e recuperação do território indígena. O vídeo foi anexado aos documentos da CPI e será analisado pela Comissão.

De acordo com Ricardo Bacha a Fazenda Buriti foi adquirida pelo seu avô em 1927, sendo que antes disso já pertencia a terceiros. Ele explicou que nessa época ainda não existia na região a Reserva Indígena Buriti, que foi criada somente em 1928, com 290 hectares e uma população aproximada de 400 índios. A homologação da reserva aconteceu em 1991.

Tanto Bacha quanto a esposa Jussimara afirmaram que antes e posteriormente à primeira invasão, a convivência com os índios era pacífica e que fizeram muitos amigos indígenas. “Nossa relação era de harmonia e até fraterna. Tanto eles iam a nossa casa para tomar tereré e pedir emprego, como nós íamos nas aldeias para participar de festas, dançar e dávamos prendas para as festas deles. Essa confraternização existia até aproximadamente final da década de 90, quando as coisas começaram a se alterar. Eles precisavam de trabalho porque era um povo desassistido e nós tínhamos trabalho a dar”, relatou, explicando que apesar das primeiras invasões terem ocorrido somente em 2003, as ameaças eram constantes.

Ao depor na CPI, Ricardo Bacha também entregou à relatoria da Comissão um livro de anotações encontrada em uma das propriedades invadias em 2009 e que contém datas, horários, nomes, numeração de armas, quantidade de munições em cada uma delas e relatórios das reuniões sobre a invasão, entre outras informações. O pecuarista também entregou recortes de jornais e uma cartilha editada pelo CIMI que diz que é preciso retomar as áreas perdidas para desafogar as superlotadas. “Isso mostra uma organização […]. Eu vim aqui para trazer subsídios para que vocês investiguem se é verdade ou não”, finalizou.

Ricardo Bacha afirmou ainda que um dos índios da região chegou a afirmar que a Noruega era o país financiador de todas as questões indígenas dos índios Terenas. “Isso escutei de um índio e não tenho como provar. Mas onde há fumaça há fogo. Cada vez mais apareciam indícios de que o CIMI circulava nessas fazendas”, disse.

Já Jussimara Bacha afirmou que durante as invasões era perceptível a presença de índios de fora e da pressão que os índios sofriam para realizar as invasões. “Nem todos queriam participar. Eles nos diziam que tinha que ir na invasão, porque se não fossem iam (outras pessoas) destruir suas lavouras. No dia da invasão, quando eu saí eu vi vários não índios filmando a gente e ali não tinha nenhum índio conhecido. Não eram os índios lá de casa, eram outros índios. Nós passamos tudo isso dentro de um país democrático” declarou ela.

Ao final da reunião da CPI a presidente deputada Mara Caseiro solicitou a incorporação de todos os documentos apresentados pelos depoentes e foram aprovados para oitivas os nomes de Luiz Henrique Eloy Amado, Otoniel, Otoniel Ricardo Guarani, Hegon Hech, Orlando Lopes, Maucir Paullet, Daniel Lopes, Cleber Buzzato, Elizeu Lopes, Alcídio, Abelcio Fernandes, Paulo Durã, Adão Marciano Marques, Antônio Aparecido Jorge de Oliveira, Ramaão Marques da Silva, Benégino Paulino, Olício da Silva, Dirce Verón, Inocência Pereira, Cacilda Pereira, Emerson Kalife Siqueira, Alberto

CPI do CIMI ouve pecuaristas e Paulo Corrêa pede convocação do Conselho Missionário