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quarta-feira, 29 de maio, 2024
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Doença do Pombo, por Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

Turn me loose from your hands

Let me fly to distant lands

Over green fields, trees and mountains

Flowers and forest fountains

Home along the lanes of the skyway

Me solte das suas mãos

Me deixe voar para terras distantes

Sobre campos verdes, árvores e montanhas

Flores e fontes das florestas

Para uma casa ao longo das rotas do horizonte

Essa letra faz parte da música Skyline Pigeon (Pombo no Horizonte) de Elton Hercules John e B.Taupi, apesar da leveza da música  e da magia dos pombos correios, este artigo tende a alertar sobre uma possível doença que a aproximação com pombos pode causar. É a criptococose  classificada como micose sistêmica, causada por fungos  e que, dependendo do caso, pode matar. Comento isso em função da proximidade deste mês ser um dos meses propícios para o acasalamento. Comumente  é conhecida como doença do pombo. O principal reservatório do fungo é matéria orgânica morta presente no solo, em frutas secas, cereais e nas árvores. O fungo causador da criptococose também é encontrado frequentemente nos excrementos dos pombos.

Não existe transmissão inter-humana dessa micose(cryptococcus neoformans), nem de animais ao homem. No entanto, indivíduos, ou seja, os seres humanos, estão expostos à doença por meio da inalação dos fungos causadores da criptococose. Exposto isso, não existem medidas preventivas específicas. Entretanto, recomenda-se a utilização de equipamento de proteção individual, sobretudo de máscaras, na limpeza de galpões onde há  aglomerado de pombos. Diante disso, medidas de controle populacional de pombos devem ser implementadas, como, por exemplo, reduzir a disponibilidade de alimento, água e, principalmente, abrigos. Os locais com acúmulo de excrementos desses animais devem ser umidificados para que os fungos possam ser removidos com segurança, assim como a sua dispersão por aerossóis. Os indivíduos mais susceptíveis são os imunodeprimidos,  sendo em alguns casos a criptococose a primeira manifestação que leva ao diagnóstico da variante C. Neoformans, de caráter oportunista, representa a principal causa de

Atualmente, o diagnóstico é feito através da observação clínica dos sintomas e de vários testes laboratoriais, sendo o mais utilizado o “Tinta-da-china” que torna possível detectar o agente transmissor da Criptococose. Além disso, é feita a análise de secreções corporais para verificar a presença do fungo no organismo. Frequentemente os exames clínicos e laboratoriais e os exames de imagem ajudam a investigar esses sintomas. Em outras palavras, é possível também realizar os exames que referem-se ao  liquido cefalorraquidiano (líquor), nos quais é feita a demonstração definitiva do fungo, que irá levar ao tratamento.    

Frequentemente, o tratamento é feito por meio do uso de antifúngicos, principalmente em casos mais graves da doença, que devem ser usados conforme a orientação de um profissional de saúde. Além disso, é importante evitar o contato com a fonte de transmissão desse fungo, como por exemplo lavar os locais que possuem razoável quantidade de pombos com água e cloro, por exemplo. Neste sentido, o acesso a um local que sirva como abrigo também favorece a proliferação do pombo, em especial durante o período reprodutivo e de incubação dos ovos, que dura apenas 19 dias. Os lugares preferidos dos pombos para fazer seus ninhos são telhados, forros, caixas de ar-condicionado e marquises. Claro, os pombos são inteligentes e sociáveis, e o que mais precisamos neste momento é que a pomba da paz visite os quatro cantos da terra, mas não devemos esquecer destes cuidados.

*Articulista