No dia 11 de outubro, o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade chama atenção para uma condição que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerada uma doença crônica, progressiva e recidivante, envolvendo diferentes fatores e exigindo cuidado contínuo. Em um cenário em que as chamadas “canetinhas” ganharam espaço nas conversas sobre emagrecimento, o debate sobre como tratar a obesidade vai além do uso de medicamentos e passa pela avaliação individual, alimentação, atividade física, composição corporal e mudanças na rotina.
Para o médico do esporte Hugo Alessy, que atua nas áreas de emagrecimento, performance e qualidade de vida, o avanço das opções medicamentosas representa uma ferramenta que pode fazer parte do tratamento, mas não deve ser encarada como uma solução isolada. O acompanhamento individualizado é fundamental para que a perda de peso esteja associada à melhora da saúde e da composição corporal.
Segundo o profissional, o primeiro passo é entender que o emagrecimento não deve ser tratado de forma isolada. A avaliação médica permite identificar as características e necessidades de cada paciente, além de acompanhar indicadores importantes ao longo do processo.
“Quando falamos em emagrecimento, não estamos falando apenas sobre diminuir o número da balança. Precisamos entender como está a composição corporal, os exames, a alimentação, o sono, a rotina e o nível de atividade física. É a partir dessa avaliação que conseguimos construir uma estratégia adequada para cada pessoa”, explica Hugo.
O médico destaca ainda que a prática de exercícios físicos tem papel importante nesse processo. Além de contribuir para o gasto energético, o treinamento ajuda na preservação e no desenvolvimento da massa muscular, na melhora do condicionamento físico e na manutenção dos resultados obtidos com o emagrecimento.
“Exercício físico não deve ser visto apenas como uma ferramenta para gastar calorias. Ele faz parte de um cuidado mais amplo com o organismo. Quando trabalhamos emagrecimento, também precisamos pensar em preservar massa muscular, melhorar a capacidade física e criar hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo”, afirma o médico.
As “canetinhas” mudaram o tratamento da obesidade?
Com a popularização dos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e das chamadas “canetinhas”, Hugo também chama atenção para a importância de evitar o uso por conta própria ou a expectativa de que o medicamento, sozinho, resolva todo o processo.
“Esses medicamentos podem ser ferramentas importantes quando existe indicação e acompanhamento médico. O problema é quando se cria a ideia de que basta usar uma caneta para resolver a obesidade. Antes de qualquer conduta, precisamos avaliar o paciente, entender os exames e acompanhar a resposta ao tratamento. O medicamento não substitui uma alimentação adequada, o exercício físico e o acompanhamento médico individualizadol”, ressalta Hugo.
Para o médico, o tratamento da obesidade precisa considerar diferentes aspectos da vida do paciente. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, qualidade do sono e acompanhamento dos indicadores de saúde são fatores que podem contribuir para um processo mais consistente e para a manutenção dos resultados.
“O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas melhorar a saúde e criar condições para que os resultados sejam sustentados ao longo do tempo. Cada pessoa tem uma realidade, uma rotina e necessidades diferentes. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado”, explica.
A data reforça, assim, a importância de ampliar o olhar sobre a obesidade em um momento em que novas possibilidades de tratamento ganham popularidade. Mais do que discutir apenas a perda de peso ou o uso de medicamentos, o cuidado envolve compreender a obesidade como uma condição de saúde que exige acompanhamento contínuo e estratégias que considerem o indivíduo como um todo.

