O governo federal anunciou que intensificará a apuração de 45 incidentes de violência política registrados durante o fim de semana do segundo turno das eleições presidenciais. As ocorrências, que incluem 10 homicídios, são atribuídas à intolerância política após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL).
Os episódios de agressão ocorreram entre o sábado (24) e o domingo (25), período posterior à divulgação oficial do resultado eleitoral. Ministros e representantes da Secretaria Geral da Presidência e do Ministério da Justiça e Segurança Pública detalharam as medidas em coletiva de imprensa.
“Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático e, como em toda eleição, um ganhou e outro perdeu. Isso não pode ser pretexto para o cometimento de crimes, para agressões. Não pode ser pretexto para assassinatos”, declarou Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência.
Os casos contabilizados pelo governo incluem:
- 10 vítimas fatais de violência, sendo três indígenas;
- sete casos de atropelamentos intencionais;
- 14 casos de agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos;
- cinco casos de disparos e atentados com armas de fogo;
- cinco casos de violência e coação contra povos indígenas;
- seis casos de abusos de autoridade e violência policial.
Segundo o governo, as vítimas seriam majoritariamente apoiadores do presidente Lula, e os autores, apoiadores do candidato derrotado. Os estados com maior número de ocorrências são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Para apurar os fatos, a Polícia Federal (PF) abrirá inquéritos para crimes de violência política de gênero, crimes eleitorais e violação de direitos humanos. Denúncias serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e às corregedorias estaduais quando envolvidos policiais.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, ressaltou a diversidade de crimes, incluindo eleitorais, violência política de gênero, racismo, homicídios e lesões corporais. A pasta também atuará no combate à violência digital, com plataformas de redes sociais obrigadas a remover conteúdos criminosos, conforme o Marco Civil da Internet.
Entre os casos de maior repercussão, está o ataque à vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT), que foi atingida no rosto durante um ato político. Em outro incidente, Eliseu Pedrozo dos Santos morreu após ser atropelado em Curitiba, no Paraná, por um motorista embriagado. Em Santos (SP), o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha faleceu após ser espancado ao retornar de um ato político pró-Lula.

