Em resposta aos crescentes incidentes de violência política registrados no país após o segundo turno das eleições presidenciais, o governo federal anunciou um reforço nas investigações de 45 episódios de agressões. Entre os casos contabilizados, destacam-se 10 homicídios atribuídos à intolerância eleitoral, ocorridos entre os dias 24 e 25 de novembro, período seguinte à proclamação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os detalhes foram apresentados em coletiva de imprensa por Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência, e por representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Boulos enfatizou a determinação do governo em combater a impunidade, declarando que o processo democrático não pode servir de justificativa para crimes e assassinatos.
As ocorrências registradas afetaram 47 vítimas e incluem 10 mortes, sendo três de indígenas, além de atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos de arma de fogo e casos de violência e coação contra povos indígenas. Houve também relatos de abusos de autoridade e violência policial. Segundo o governo, as vítimas seriam, em sua maioria, apoiadores do presidente Lula, e os autores, apoiadores do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro.
Os estados com maior número de incidentes são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. Para apurar os fatos, a Polícia Federal (PF) abrirá inquéritos para crimes de violência política de gênero, eleitorais e violações de direitos humanos. Denúncias serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e às corregedorias estaduais quando houver envolvimento de policiais.
Ademar Borges, secretário-executivo do Ministério da Justiça, esclareceu que os crimes são de naturezas diversas, incluindo eleitorais e de gênero, que serão investigados pela PF. Ele mencionou a instauração de dezenas de inquéritos para apurar casos de racismo, violência comum, homicídios e lesões corporais.
O ministério também anunciou medidas para combater a violência no ambiente digital, exigindo que plataformas de redes sociais removam proativamente conteúdos que incitem crimes graves, como violações ao Estado Democrático de Direito, violência contra a mulher, xenofobia, discriminação e discursos de ódio, sob pena de responsabilidade civil.
Entre os casos de maior repercussão está o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT) em Montes Claros (MG), atingida por um objeto durante um ato político. Em outro incidente, Eliseu Pedrozo dos Santos morreu após ser atropelado em comemorações pela vitória de Lula no Paraná. No mesmo estado, uma pesquisadora foi detida durante uma manifestação pró-Lula, com denúncias de uso excessivo de força policial. Em Santos (SP), o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha morreu após ser espancado ao retornar de um ato político, um caso tratado pela polícia como latrocínio, mas onde a motivação política ainda não foi confirmada.

