23/10/2015 08h10
Pedido foi feito pelo BNDES, que tem mais de R$ 300 milhões a receber da usina
Correio do Estado
A pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Justiça de Mato Grosso do Sul vai decidir pela falência ou não da Usina São Fernando, controlada pelo empresário José Carlos Bumlai, mencionado por delatores da Lava-Jato como possível intermediário em licitação que teria desviado recurso da Petrobras. A empresa estava em recuperação judicial desde abril de 2013.
De acordo com o Valor Econômico, o BNDES é o maior credor da São Fernando, com mais de R$ 300 milhões a receber, um quarto da dívida da empresa, estimada em R$ 1,2 bilhão. Depois do BNDES, o maior credor da São Fernando é o Banco do Brasil, que tem a receber R$ 81 milhões da usina.
O pedido de falência foi protocolado na 5ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul, no dia 3 de agosto. O BNDES justificou que fez o pedido devido a inadimplência da empresa com os compromissos assumidos na recuperação de crédito.
Ainda segundo o site, a São Fernando reconheceu perante o titular da 5ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul, juiz Jonas Hass Silva Júnior, que não consegue cumprir o cronograma de pagamento de seus credores. A defesa pediu a realização de uma nova assembleia para aprovar outro plano e tentar evitar a falência.
Caso os credores não aceitem o novo plano, a São Fernando pode ir a falência. A Justiça está ouvindo as partes envolvidas no processo para subsidiar a decisão.
A São Fernando é controlada por duas holdings, a São Marcos Energia e a São Pio Empreendimentos e Participações, que tem como administradores os filhos do pecuarista, Guilherme e Maurício Bumlai.
LAVA-JATO
Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado pela força-tarefa da Operação Lava-Jato como um dos operadores de propinas no esquema de irregularidades da Petrobras, afirmou em sua delação premiada que o pecuarista José Carlos Bumlai se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro semestre de 2011 para tratar de negócios relativos a estatal.
Bumlai teria pressionado Baiano para receber o valor de R$ 3 milhões, que seria usado para saldar uma dívida imobiliária de uma nora de Lula.
O delator afirmou ainda que procurou Bumlai para ajudar a empresa OSX a participar de contratos da Sete Brasil, onde as negociações eram intermediadas pelo pecuarista . Em uma das visitas, Bumlai teria mencionado a necessidade de um adiantamento de R$ 3 milhões na comissão que seria paga pela OSX. O delator afirmou que repassou ao pecuarista, através da empresa São Fernando, o valor de R$ 2 milhões, por meio de ima nota fiscal por serviços não prestados.
Bumlai negou as acusações e disse que nunca atuou em nome da empresa OSX.


