Sabemos que o Alzheimer causa perda de habilidades, tanto sociais quanto intelectuais. As células cerebrais vão se degenerando e morrendo o que causa um decrescimento constante atingindo assim a memória e outras funções mentais importantes. Infelizmente ainda não existe cura, mas possuem medicamentos e estratégias que podem melhorar os sintomas transitoriamente.

É sobre isso que quero dissertar. A Neuropsicopedagogia tem contribuído com programas terapêuticos para casos de reabilitação cognitiva. Tanto para pessoas que sofreram AVC (Acidente Vascular Cerebral) quanto para os portadores de Alzheimer.

Esse profissional realiza avaliação individual (das funções psicomotoras, sensoriais, cognitivas, da linguagem, entre outros) sendo de forma contextualizada e funcional. Ele foca nos potenciais da pessoa atendida e não na deficiência. Trabalha em parceria com seus cuidadores, familiares e profissionais da saúde.

O programa de reabilitação favorece na recuperação das funções neurológicas perdidas proporcionando compensações através da neuroplasticidade cerebral.

Segundo o professor José Roberto Marques do Instituto Brasileiro de Coaching:

A neuroplasticidade diz respeito à capacidade do cérebro de se adaptar ao longo das experiências vividas e dos aprendizados. Trata-se de uma característica do sistema nervoso que é fundamental para a realização de qualquer atividade que estimule o cérebro, como prática de atividades físicas, leitura ou qualquer processo de aprendizado.

Sabendo disso, para que a aprendizagem ocorra com eficiência é necessário que o cérebro esteja sendo devidamente estimulado, principalmente de maneira criativa. Por isso trago algumas dicas que irão estimular o cérebro e atenuar a perda de memória.

JOGO DOS SETE ERROS

Este jogo ajuda a exercitar a percepção, a capacidade de análise, pois deve-se olhar para duas imagens e procurar as diferenças, sendo muito bem recomendado para a terceira idade.

PALAVRAS CRUZADAS

Um jogo clássico que auxilia no combate a perda de memória, isso porque o cérebro necessita buscar informações e quanto mais ele é “acionado” maior sua capacidade de informação e por consequência mais necessitado de informações ele ficará. Com certeza esse é um excelente jogo de “ginástica cerebral”. Disponível também em aplicativos virtuais assim como o caça palavras.

DOMINÓ

Aqui a concentração, o raciocínio lógico, a percepção visual são estimuladas. Esse jogo além de oportunizar a interação social também é ótimo para prevenir a perda de memória, pois além dos estímulos já citados a pessoa deve criar estratégias para vencer. A dama, o xadrez também são altamente estimulantes.

BLOCK PUZZLE (QUEBRA-CABEÇA DE BLOCOS) VIRTUAL

Todas as idades podem se beneficiar deste jogo, mas os idosos adoram.  O jogador deve arrastar as peças de forma que elas cubram toda a área, precisa encaixar como se fosse um quebra-cabeça muito bem vindo para melhorar a atividade mental.

EINSTEIN’S RIDDLE – JOGO DE CHARADA LÓGICA

No mundo virtual ele é muito famoso. O Jogo oferece mais de mil charadas com dificuldades que vão do nível iniciante ao profissional. Excelente para o estímulo do pensamento lógico, pois para descobrir quais características pertencem cada pessoa é necessário raciocínio e eliminação.

DANÇA

Lembrar de uma coreografia é estimular o cérebro. Sem falar que o exercício físico desafia para que o cérebro tenha ainda mais prazer, qualidade de vida e satisfação.

EXERCITAR OS DOIS LADOS DO CÉREBRO

Quando desafiamos o cérebro a realizar atividades que ele não está habituado faz com que ele se exercite fortalecendo assim este músculo do nosso corpo. Quanto mais estímulo menos acomodado. Você pode tentar escrever com a mão oposta, escovar os dentes, mexer no celular, ir ao mercado traçando um trajeto novo.

Diagnóstico

O Alzheimer é uma doença em que o diagnóstico precoce é imprescindível para retardar seu avanço. Normalmente ele vai se agravando. Os primeiros sinais são confusão mental, mudanças de humor, dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia. Normalmente ele surge a partir dos 70 anos, porém o Alzheimer precoce pode começar a aparecer por volta dos 30 anos.

O Neurologista é o médico indicado para diagnosticar a demência. Ele pode solicitar exames de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, além de entrevista com familiar e realizar testes que podem indicar perturbação da orientação e memória. O tratamento é composto por medicação, fisioterapia e estimulação cognitiva, na qual a neuropsicopedagogia tem muito a contribuir. Esse trabalho visa controlar os sintomas e retardar o agravamento da degeneração cerebral. Estudos apontam que uma alimentação equilibrada e rica em vitamina C, E e ômega 3 favorecem neste retardo, pois possuem ações antioxidante e protetora cerebral. O médico avalia e prescreve o melhor tratamento para cada paciente.

Principais sintomas

O Alzheimer pode ser classificado como leve, moderado e severo. No estágio inicial alguns sintomas que podem surgir são: mudança de comportamento, alteração no humor, dificuldade para tomar decisões, perda de vontade e interesse, desorientação e alterações na memória. Porém, lembranças de situações antigas permanecem normais. Na fase moderada, os sintomas são mais perceptíveis como: alucinações, dificuldade para ler e escrever, alteração no sono, dificuldade para limpar a casa e cozinhar, esquecimento em realizar a higiene pessoal, dentre outros. Na fase avançada que é a mais grave podemos perceber: esquecimento, não identificando o nome nem rostos conhecidos, não recorda informações antigas e nem memoriza novas, dificuldade para andar, sentar, e realizar movimentos simples como comer com colher, irritabilidade, agressividade, dentre outros.

A neuropsicopedagogia além de contribuir na intervenção pode também auxiliar no diagnóstico aplicando testes de fluência verbal, testes de memória e cognição, linguagem, raciocínio, assim como realizar a anamnese com os familiares. Por tanto, observando qualquer sintoma, não hesite em procurar ajuda profissional.

Deus abençoe e até a próxima semana.

Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga, Psicopedagoga Especialista em Educação Especial e Neuropsicopedagoga

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