Por Psicopedagoga Juliana Rauzer

Tenho recebido muitos pais preocupados com o atraso que algumas crianças  encontram-se, ora por dificuldades de acompanhar as aulas, ora por consequência dos prejuízos que a pandemia nos trouxe. Alguns responsáveis se sentem perdidos e não sabem como proceder diante de situações onde a criança não consegue interpretar o que lê, calcular de modo mental, ler com fluência, desenhar compativelmente com o esperado para a faixa etária e por aí vai.

Acontece que muitas famílias não possuem preparo pedagógico (e não devem se sentir culpados por isso), mas precisam supervisionar a rotina de seus filhos. Você pode auxiliar no desenvolvimento infantil quando acompanha a rotina estabelecendo horário para ler, estudar, jogar, brincar…

Infelizmente muitas crianças ficam “soltas” e acabam permanecendo muito tempo na internet e televisão. Costumo dizer que se a criança tem uma dificuldade é como fazer uma reforma na casa, ou seja, se ninguém “retocar” o que precisa (reboco, pintura, reparos) o problema vai continuar ali. E com elas não é diferente. Não vai ter melhora, evolução e crescimento se alguém não for ali e “revestir” a falha. Os pais precisam “por a mão na massa” e ajudar. Como?

Realizando atividades divertidas trabalhando as principais dificuldades, ou seja, se você percebe que a leitura não está boa, deve estimulá-la, mas não vai adiantar dar um livro gigante e dizer para ler. A criança precisa sentir-se interessada e colocar um pouco de encanto pode ajudar. Caso ela goste de fazer pizza, bolo, Slime (entre outros) leiam juntos a receita. Se ela tem curiosidade sobre um tema que tal pesquisar sobre o assunto e pedir que ela faça a leitura do resumo. Só se melhora a leitura e escrita lendo e escrevendo diariamente. Trazer o lúdico para o dia a dia auxilia na assimilação. Trabalhe a matemática contando, multiplicando seus bichinhos de pelúcia. Somando e subtraindo quantos ovos tem na geladeira. Desenhe na areia, utilize tinta, argila, ofereça recursos simples, mas que apoiem a sua explicação. Reserve um tempinho do seu dia para supervisionar e se aproximar da sua criança, vínculos são formados através do afeto.

Auxiliamos no desenvolvimento quando proporcionamos materiais que estimulem o cognitivo. Nas livrarias podemos encontrar livros com desafios para as diferentes faixas etárias. Quebra- cabeças,caça palavras, jogos virtuais, xadrez, entre outros, são ótimos aliados.

Na coordenação motora fina além de oferecer massinha de modelar, recorte, colagem podemos propor atividades divertidas como a confecção de decorações natalinas. Na ampla o correr, pular, rastejar nunca podem ficar de fora, então criar labirintos e circuitos sempre são bem vindos.

Na internet encontramos muitas sugestões de atividades inclusive o livro EXERCÍCIOS DE PSICOMOTRICIDADE de Dayana Sartório contém 50 atividades para estimular o movimento, equilíbrio e conceitos corporais.  Para estimular os cinco sentidos o meu E-book está disponível no Amazon, Simplíssimo e Google Play com muitas sugestões para organizar a rotina e realizar atividades simples em casa, mas de muita interação e diversão, o nome é REFLEXÕES SOBRE ATIVIDADES LÚDICAS EM TEMPOS DE PANDEMIA que tive a honra de criar e ilustrar juntamente com meu marido e também pedagogo Maximiliano Sousa.

Caso percebam que não conseguem propor tais atividades com suas crianças devem procurar outro membro da família que tenha paciência, conhecimento, amor e dedicação, pois é assim segundo Paulo Freire que a criança aprende:

“A relação entre estudante e professor pauta-se na amorosidade. É regida pelo diálogo aberto, se fazendo valer da empatia recíproca para despertar no outro a vontade de ser mais. Ela instiga a troca de saberes oriundos das vivências de cada sujeito, assim, cada indivíduo contribui com o seu saber empírico, influenciado pela sua cultura, seu meio social, e traz para o diálogo reflexivo e crítico a sua subjetividade, podendo aí, existir uma identificação com o outro, reforçando a relação de ambos, norteada por vínculos afetivos.” (Freire, 1996 p. 11)

Os antigos castigos, ameaças, gritos, palmadas não vão fazer com que a criança aprenda, pelo contrário ela pode criar objeção ao aprendizado. Ela até pode realizar todas as atividades, mas vai ser porque está com medo, raiva e outros sentimentos negativos, mas não porque tem prazer em estudar e curiosidade para conhecer mais.

Não tendo outro familiar é importante buscar pessoas capacitadas para estimular, seja um professor particular, médicos, terapeutas. Alguns responsáveis acham que a criança não faz algo bem feito porque não gosta, tem preguiça (o que até pode ser), porém por trás de muitos atrasos e dificuldades podem existir distúrbios que devem ser avaliados por especialistas. Muitos casos são simples de tratar, porém se não forem trabalhados podem acompanhar a criança para a vida toda.

Você estará ajudando seu filho quando observa características que não estão compatíveis com a idade, quando escuta a escola que aponta aspectos que necessitam ser melhorados.

Na psicopedagogia é visível perceber descomunal evolução nos casos de dificuldade quando todos se esforçam para assessorar a criança. Escola, família e terapeutas.

Você auxilia no desenvolvimento da criança quando também estimula suas potencialidades, isso valoriza sua autoestima. Quando ele é bom em algo e é apreciado recebendo elogios faz com que queira melhorar ainda mais;

Você auxilia no desenvolvimento quando critica menos e apresenta soluções, quando enaltece seus pontos fortes.

Augusto Cury nos diz: “Bons pais corrigem erros, pais brilhantes ensinam a pensar”.

Precisamos estar menos conectados com nossos celulares e mais “on-line” com nossos filhos. Outra frase desse grande psiquiatra que admiro muito é essa:

“Há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem. Só não consegue descobri-lo quem está encarcerado dentro do seu próprio mundo”. (CURY, 2003 p. 11)

Ou seja, no mundo de hoje com tantos afazeres podemos facilmente acabar nos afastando do nosso principal papel aqui neste planeta: Ser Educadores! Pais! Família! E para que isso não seja frequente em nosso dia a dia precisamos primeiro observar nossas atitudes perante nossas crianças. Nunca esquecemos que somos o maior exemplo para elas.

Deus abençoe e até o próximo artigo.

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Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga, Psicopedagoga, Neuropsicopedagoga, Especialista em Educação Especial e Psicologia Escolar.

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