A guerra Jamais será justa, pois não é realizada com piedade

30/05/2019 17h50 – DN

“Em tempos do Brasil Império uma guerra parecia estar longe do fim, não haviam bombas atômicas e muito menos armas químicas, mas existia um cabo chamado Chico Diabo”. Curiosidades da História

*A VIDA DE UMA LENDA

Nascia em 1848 na cidade de Camaquã no Rio Grande do Sul o menino Francisco Lacerda, uma criança de berço pobre e que durante a infância trabalhou em uma propriedade de imigrantes italianos, em São Lourenço do Sul (cidade vizinha), com a função de fazer linguiça e salame no matadouro da propriedade.

Foi então em 1863 quando um cachorro entrou no matadouro, e Chico com então 15 anos de idade não pode impedir que a infeliz criatura comece grande parte do “estoque” de carnes, o proprietário do local ficou nervoso com fato e bateu no Chico que logo pegou uma faca e esfaqueou mortalmente seu patrão. Chico decidiu fugir a pé para a casa de seus pais, chegando na manhã seguinte ao local.

Quando a mãe de Chico avistou de longe a figura de seu filho, logo disse “garanto que é o diabinho do Chico que esta chegando”, criando assim o apelido que lhe seguiu pelo resto da vida, vulgo “Chico Diabo”.

Após saber dos fatos seus pais decidiram que Chico deveria morar com seu tio Vicente Lacerda na cidade de Bage- RS, pois temiam uma vingança por parte da família do imigrante italiano.

A LANÇA DA VITORIA.

Em 1865 Chico Diabo se juntou ao destacamento de Joca Tavares que atravessava a região com os históricos e lendários Voluntários da Pátria, que se dirigiam para a Frente de Batalha, pouco se sabe como foi o período entre batalhas de 1865 até 1870 vivenciado por Chico, mas no dia 1° de março de 1870 durante a batalha de Cerro Corá o então clarim da tropa Zacarias Pacheco presenciou de perto um fato histórico, devido ao seu entusiasmo em dar procedência e guiar a carga de cavalaria que atacava no momento.

Zacarias em seu relato, contou ter visto o Cabo Chico Diabo emparelhar o seu cavalo ao lado do cavalo de Solano Lopez (considerado por muitos historiadores dentro da literatura, ditador Paraguaio neste período) e tentado atacar o mesmo com sua lança, ataque este que foi frustrado por Solano Lopez, que teria desviado a lança com sua espada, logo após veio outra tentativa em meio ao acidentado terreno da região e com a presença de muitas arvores, que logo o ditador se viu indefeso somado a sua pequena espada que não conseguiu defender o segundo ataque de lança desferido por Chico Diabo, a lança o acertou na região abdominal (alguns historiadores relatam ter sido na lombar) ferindo-o mortalmente.

Após ser gravemente ferido, Solano Lopez consegue fugir ainda com vida do local da batalha, sangrando e sem forças ferido duas vezes sendo uma destas pelo disparo da arma de fogo do soldado João Soares e o ferimento mais grave por Chico Diabo que teria causado uma hemorragia severa. Solano Lopez é resgatado por seus soldados que batiam em retirada e teriam o ajudado a tentar atravessar o rio Aquibadã, mas como ele havia perdido muito sangue e estava muito ferido deu suas ultimas palavras “Muero por mi patria” antes de morrer.

Segundo relatos dentro da historiografia já publicadas que, Chico Diabo desobedeceu as ordens do próprio Dom Pedro II de capturar Solano Lopez com vida, fontes mencionam que ele feriu Lopez de propósito para matar, e receber a recompensa do ato de heroísmo, não consta nada em registos oficiais do Império do Brasil sobre a veracidade dos pontos levantados.

Dom Pedro II não autorizou que Chico Diabo fosse condecorado com a medalha de bravura, por receio que a comunidade europeia pensasse que a ordem de matar Solano Lopez fosse do próprio imperador, mas o recompensou com 100 vacas e duas adagas, uma de prata e outra de ouro que pertenciam a Solano Lopez.

A lança de Chico Diabo encontra-se no Museu histórico do Rio de Janeiro.

A MORTE DE UMA LENDA

Chico Diabo após o termino da guerra, retorna para o Rio Grande Do Sul, se casou com sua própria prima, Isabel Vaz Lacerda, juntos tiveram 4 filhos, Chico trabalhou como capataz em uma fazenda até que fora convocado por Joca Tavares novamente, para uma desconhecida missão no Uruguai da qual perdeu a vida em 1893.

Após anos de sua morte, a viúva inconsolada contratou alguns cuatreros (bandidos uruguaios) para que recuperassem o corpo de seu marido dando a ele um enterro digno em sua pátria.

O corpo do esquecido herói brasileiro Chico Diabo foi enterrado no cemitério da guarda em Bage até que em 2002 foi considerado patrimônio histórico e seu túmulo antes esquecido, ganhou uma nova lápide com uma placa informativa no local.

pesquisa professor Yhulds Bueno

FONTE Web Curiosidades da História. REGISTRO ARQUIVO HISTÓRICO Biblioteca Nacional.

Ponta Porã  Linha do Tempo/Yhulds Bueno Chico Diabo, o cabo que terminou a guerra
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