Eles não podem realizar determinadas atividades, pois não são mais crianças, da mesma forma não podem executar outras porque ainda não são adultos.  Como lidar com essa fase de transição?

Por Juliana Rauzer

Amadurecimento do cérebro

O córtex cerebral frontal é responsável pela nossa capacidade de pensar, movimentar involuntariamente, ter percepção, linguagem, assim como a capacidade de julgamento. Estou escrevendo isso, pois para quem não sabe essa região do nosso cérebro é a última a ficar formada completamente. Cientistas já identificaram que essa área ajuda na tomada de decisões.

Quem nunca pensou que os jovens em algumas situações não tem juízo, medo do perigo, ou dificuldade de cumprir regras? A ciência nos ajuda a compreender melhor tais atitudes: nosso cérebro não nasce pronto! A região frontal é a última a estar de fato “finalizada”. Somente a partir dos 20 anos que o seu processamento e velocidade melhora. Essa área controla nossos impulsos. Isso explica o porquê muitos adolescentes agem de maneira imediatista, e parecem “não ter medo” de algumas situações. O juízo começa a aflorar a partir dessa idade.

Tá explicado o porquê com 30 anos não temos mais tanta “coragem”, pois esta parte do cérebro amadureceu e por consequência somos mais prudentes e cautelosos do que muitos adolescentes.

Imagina andar de skate e tentar manobras arriscadas? Temos medo de cair, nos machucar e por consequência ficarmos com dificuldades de movimentação para trabalhar, estudar. Mas como pensam os jovens? Não pensam! Apenas se entregam e agem incongruentemente.  

Qual idade é a fase da Adolescência?

Segundo o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) é considerado adolescência dos 12 aos 18 anos. Já segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera essa fase dos 10 aos 19 anos de idade.

Lembrando que esse período é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta. Existe também uma classificação para a adolescência segundo a OMS:

Pré-adolescência: dos 10 aos 14 anos;

Adolescência: dos 15 aos 19 anos completos;

Juventude: dos 15 aos 24 anos.

Quais as principais mudanças que ocorrem nesse período?

Ocorrem mudanças no corpo físico e nos aspectos psicossociais.

No corpo a puberdade (que é a maturação sexual) corresponde às modificações biológicas e fisiológicas. Nas meninas o aumento do hormônio estrogênio pode acarretar em alterações no humor. Essa fase é marcada pela primeira menstruação. O que podemos notar inclusive é o crescimento dos seios, aparecimento de pelos nas axilas e os pubianos. O útero também aumenta de tamanho assim como os quadris.

Os meninos igualmente podem ter variação no humor devido ao aumento da produção do hormônio testosterona. No caso deles a mudança na voz é notória ficando mais grossa. Aparecem os pelos pubianos, nas axilas, nas pernas e rosto. Aumenta o tamanho dos testículos e o diâmetro do pênis. A laringe também cresce.

Tanto nas meninas quanto nos meninos a glândula hipófise (que fica localizada no cérebro) produz o hormônio do crescimento que vai determinar a estatura de cada um.

Nos aspectos psicossociais poderemos observar muitas mudanças. Nossos jovens começam a desenvolver a sua identidade e personalidade. Alguns começam a desenvolver ideias próprias o que pode gerar conflitos com seus familiares, pois ideias diferentes e discordâncias de pensamentos podem acontecer. O ideal é sempre haver diálogo entre pais e filhos para que juntos possam resolver qualquer situação.

Nossos “aborrecentes” (como muitas pessoas do senso comum costumam dizer) podem manifestar sentimentos de solidão, confusão, rebeldia isso em razão de apresentarem um descontentamento com sua aparência e novas responsabilidades que essa fase vindica.

Ficaram a infância com uma aparência e toda essa mudança pode gerar frustração. Ainda mais com o aparecimento das espinhas que também é uma característica deste período.

O ideal é conversar sobre as transformações que ocorrem nessa faixa etária e valorizar tudo de bom que eles representam na sua vida. O isolamento nunca é bom, se perceber que seu jovem está vivendo mais dessa maneira é aconselhado procurar ajuda psicológica, pois essa insatisfação pode gerar uma depressão. Muitos rapazes e moças em conflito podem procurar as drogas (cigarros, álcool, maconha, cocaína, etc…) como refúgio. Devemos estar muito atentos em cada manifestação. O elogio é uma arma contra qualquer mal. Perceba o que ele sabe fazer de melhor e diga palavras benfazejas deixando-o alegre e orgulhoso, sabendo que pode contar com você em qualquer situação.

O desenvolvimento infanto-juvenil necessita de atenção, compreensão, amor e muita paciência. Ouça com calma tudo o que ele tem para lhe dizer. As lições de moral não funcionam muito bem, tente conversar reservando um momento do dia para o (a) adolescente. Seja educado, pois se agir de maneira mais agressiva ele achará normal ser assim com as demais pessoas. Nós somos o exemplo para nossas crianças e também para os nossos adolescentes.

Lidar com as emoções não é fácil para eles, são muitas mudanças complexas na sua vida, mas inteligência emocional tem sido uma excelente virtude.  Os adultos já passaram por essa fase e sabem que tudo é mais potencializado nessa idade, por isso treine sua paciência e procure ser amigo do seu adolescente.  

Como ajudá-los nessa fase?

As emoções parecem às mesmas, mas não são. Peça para lhe falar em voz alta o sentimento que está experimentando: decepção, raiva, medo… Incentive a identificar e buscar o que está por trás disso. As emoções não são erradas, sejam elas boas ou ruins. Os jovens não precisam ter vergonha delas, não há problema em ficar chateado, irritado, mas não podem descontar esses sentimentos nos objetos e pessoas. A prática de esportes é um excelente meio de se acalmar, relaxar, desenvolver disciplina, concentração. Incentive-os!

Quando perceber que as emoções estão à flor da pele discutir não será benéfico para ninguém. Sim, eles são como montanha russa! Pela manhã podem estar tranquilos e a tarde, extremamente estressados. O ideal é manter a calma, e só conversar quando perceber que ele está sereno. Por mais tentador que possa parecer, não se deixe levar pelo momento. Tenha autocontrole, respire fundo, pois com diálogo e tranquilidade muito se resolve. Gosto muito de uma citação do Augusto Cury que diz:

“O silêncio pode conter a sabedoria quando a vida está em risco. Nos primeiros 30 segundos de tensão cometemos os maiores erros de nossas vidas, ferimos quem mais amamos. Por isso, o silêncio é a oração dos sábios.”

No e-book que escrevi, Reflexões sobre Atividades Lúdicas em Tempos de Pandemia, faço a seguinte citação:

“Caso seu filho seja adolescente e quer ficar mais no quarto não vai adiantar você querer obrigar ele a sair de lá. Vai gerar mais estresse, discussões, mas você pode ir se aproximando devagarzinho.”  

Com a aproximação pelo que ele demonstra interesse (seja jogos, músicas, esportes) vocês podem iniciar um diálogo e por consequência aumentar os laços de amizade.

Uma outra curiosidade é a necessidade dos adolescentes em andarem em grupos.

Quando chegam na puberdade eles não se contentam mais em ficar na rede protetora familiar. Eles buscam fora de casa outras referências para se constituir como indivíduo. Por meio das amizades os jovens desenvolvem papéis sociais, se reconhecem com comportamentos similares buscando até mesmo lidar com a solidão. Já perceberam que muitos se vestem parecidos? Possuem cabelos com os mesmos cortes e cores? Segundo Freud (1856-1939) em seu trabalho Psicologia de Grupo e Análise do Ego os jovens para se sentirem seguros e aceitos eles incorporam características parecidas com seus pares. Eles criam laços emocionais baseado em objetos compartilhados. Os piercings, os estilos musicais, os tipos de camisetas, bonés, vestidos se transformam em uma representação de ideias conjuntas.

Quando está sozinho o adolescente propende a sentir-se inseguro. O coletivo oferece a segurança. Nessas situações é importante apoiar a convivência em grupo, mas lembre-se: a liberdade de mais pode levar a libertinagem. Devemos continuar monitorando seus passos até se tornarem adultos, pois por mais que queiramos avistar uma maturidade eles ainda não possuem o suficiente para lidar com algumas situações.

Tenho muito a descrever sobre essa fase da vida humana, mas vou deixar para um próximo artigo. Agradeço o carinho de sempre, e aos meus sobrinhos pela foto. Milhares de visualizações e centenas de curtidas no site me deixam feliz em poder contribuir. Gratidão e até semana que vem!

Juliana Rauzer da S. Sousa

Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Educação Especial

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